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Caranguejo azul em toda a costa, e também em Armação de Pêra- Praga ou oportunidade?

Em junho de 2017, o caranguejo azul, espécie nativa da América do Norte, foi detetado no Rio Guadiana. Atualmente, há relatos da sua existência em toda a costa algarvia, incluindo em Armação de Pêra.
A Universidade do Algarve tem um projeto para monitorizar espécies invasoras e está a solicitar a ajuda dos cidadãos para acompanhar a progressão das mesmas. O caranguejo azul desperta preocupação, mas também pode vir a ser uma fonte de negócio muito rentável.

Na plataforma criada por investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve para registar a progressão das espécies invasoras, há testemunhos de pessoas que encontraram caranguejos azuis (espécie Callinectes sapidus, também conhecida como “siri”.) O que se confirma é que desde a sua descoberta, junto ao Guadiana, esta espécie levou apenas dois anos a espalhar-se por toda a costa algarvia, tendo sido encontrados exemplares em Sagres, no passado mês de setembro.

Em Armação de Pêra também surgem relatos, que o Terra Ruiva confirmou junto da Associação de Pescadores de Armação de Pêra. Miguel Gonçalves, o seu presidente, confirmou a presença da espécie, adiantando que no último verão foram apanhados “uns 3 ou 4”, não sendo ainda uma “situação alarmante”.

Mas em Armação de Pêra, como em toda a costa, pescadores e cientistas seguem com atenção a evolução da situação, conhecidas que são as características predadoras do caranguejo azul. A sua carapaça mede normalmente entre 20 e 30 cm de diâmetro mas pode chegar aos 40 centímetros, sendo geralmente maior do que uma sapateira, com dimensões comparáveis a uma santola. Além de ser um animal com dimensões consideráveis, tem também um forte instinto agressivo, capaz de destruir as redes dos pescadores, o que pode representar um perigo para o equilíbrio demográfico e sobrevivência de espécies mais pequenas, nomeadamente de outros crustáceos. Sendo uma espécie invasora não tem predadores naturais, o que facilita a sua expansão.

Este é um dos motivos que levou a Universidade do Algarve, em abril deste ano, a lançar a campanha NEMA (Novas Espécies Marinhas do Algarve), com um cartaz onde estão identificadas essas espécies. No Facebook foi criada uma página dedicada a esta campanha (https://www.facebook.com/ NEMAlgarve) que tem contado com a colaboração ativa de vários cidadãos que vão colocando os testemunhos e fotos das espécies encontradas. Aí, é fácil verificar como a população de caranguejo azul se tem espalhado pelo território e a velocidade a que isso está a acontecer.

Praga ou riqueza
Será o aparecimento desta nova espécie no Algarve, uma praga e uma ameaça à biodiversidade ou uma oportunidade para uma nova fonte de rendimentos, uma vez que o caranguejo azul é muito apreciado? No Algarve, há já alguns mercados onde o mesmo começa a ser vendido e a tendência será para este comércio se intensificar.
Para os investigadores do CCMAR, o aparecimento desta e de outras espécies invasoras pode ter “consequências nefastas”.

No entanto, como afirmava em comunicado divulgado ainda em 2017, estas espécies também podem ser encaradas como uma “oportunidade de exploração”, quando têm valor comercial, como é o caso do caranguejo azul e da corvinata real. A sua pesca poderá originar rendimentos muito interessantes e no Guadiana já há pescadores dedicados à sua captura. No Jornal do Algarve, numa reportagem sobre o assunto, dava-se conta da existência de caranguejo azul à venda, com regularidade, no mercado de Vila Real de Santo António, com um preço de 11 euros por quilo.Pescar para controlar parece ser a solução mais viável para dominar uma espécie que se encontra a muitos milhares de quilómetros do seu habitat natural, onde existe uma grande indústria de pesca do caranguejo azul, o “blue crab”. Ao certo não se sabe como chegou ao Algarve e como apareceu no estuário do Guadiana, havendo a hipótese de ter surgido através de larvas existentes nas águas de lastro das embarcações. Mas os testes de genética que os cientistas da Universidade do Algarve estão a preparar, para o próximo ano, darão mais respostas.

As espécies invasoras procuradas

No cartaz do NEMA há algumas espécies procuradas, para as quais se pede a colaboração dos cidadãos para que fotografem e comuniquem quando com elas se encontrarem: Corvinata Real, Riscado, Peixe Verde, Roncadores, Rascasso da Madeira, Camarão Mantis, Verme de Fogo, Pargo Mulato, Cirurgião, Garoupa de Rolo, Veja e Peixe Cofre. Se não souber o nome da espécie que encontrou, deve enviar a fotografia pelas redes sociais ou para NEMAlgarve@gmail.com . Esta é uma iniciativa do grupo de investigação ECOREACH, baseado no CCMAR na Universidade do Algarve, “com o objetivo de melhor compreender a distribuição destas espécies e criação de futuros planos de gestão que incluam as espécies nativas e não-nativas (incluindo invasoras).”

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