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Outono… Estação de transformação

Retomando o tema do outono, enquanto símbolo de mudança e renovação, de que simbolicamente falámos na edição do mês passado, gostaria de partilhar com os leitores mais algumas ideias.

A queda das folhas no outono origina um despir das árvores, mas simultaneamente “veste” as ruas e campos com uma passadeira dourada, transformando os caminhos. Esta passadeira de cores outonais, como que convida a seguir em frente, sem medo, mas deixando o que é velho e já não faz sentido continuar nas nossas vidas. A beleza dos processos de transformação é essa mesma, aproveitar os ensinamentos do caminho já percorrido, levando em cada passo as aprendizagens, mas deixando para trás o que precisa ser deixado. Uns ciclos precisam ser encerrados, para que novos se iniciem. Tal como as árvores que deixam as suas “roupagens” para renascerem com folhagem renovada, também nós precisamos deixar o velho para dar lugar ao novo. Com o tempo mais frio e mais convidativo ao recolhimento, o outono é por isso uma época que convida à reflexão.

Convido assim o leitor a identificar as “folhas” que precisa deixar “cair” e que carrega interna ou externamente. Pois muitas vezes transformamos a carga emocional interna, em objetos que acumulamos, uns com sentido, outros apenas porque… Um bom exemplo disso é a roupa que guardamos de estação para estação, mas que já não usamos há muito tempo, ou os objetos de guardamos para uma eventual necessidade futura que nunca acontece. Olhe à sua volta e identifique o que precisa sair. Faça uma lista do que precisa deixar partir e coloque como objetivo um tempo (curto) para mudar o que precisa ser mudado.

Procure ajuda se não conseguir fazê-lo sozinho (a), pois o desapego não é um processo fácil, por muito simples que possam parecer algumas coisas. Recorda-se da roupa?… Continua no armário não é?
A resistência que tantas vezes colocamos a este processo é a origem de muitas das nossas frustrações e consequentemente da nossa infelicidade.

Não se esqueça que somos um conjunto de muitas coisas. Precisamos focar nas nossas potencialidades para construir o novo, com as aprendizagens do passado mas focando no presente, para descobrir constantemente uma melhor versão de nós próprios. Como nos diz a poetisa Leónia Teixeira, no seu poema “Em Mim”…

Em mim faz verão, inverno, outono, primavera.
Em mim faz frio, calor…
Em mim reside um pouco de tudo, de tudo um pouco:
felicidade, tristeza, alegria, sorrisos, lágrimas.
Em mim habita as flores, as cores, os amores.
Em mim visita a certeza, as incertezas, a verdade, a mentira.
Em mim passeia as lembranças, a saudade, os momentos.
Em mim mora os sentimentos, os enganos e desenganos.
Em mim vive eu, na procura da descoberta de quem
realmente sou!

Em cada dia o nosso corpo regenera um por cento das suas células, logo o processo de renovação é uma constante. Por que não tirar partido do melhor que temos, aprender com o que de menos bom fizemos ou vivemos e “correr o risco” de explorar medos, crenças, valores, definir metas e mudar para, quiçá, viver melhor? Cada passo é sempre uma oportunidade de crescimento, pois cair ao palmilhar um caminho, também faz parte do processo. Foi assim que todos aprendemos a andar.

“ E chegou o dia em que o risco de permanecer apertado num botão se tornou mais doloroso do que o risco de se transformar numa flor. “
Anais Nin

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