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No Dia de Todos os Santos, quando as crianças corriam as casas da vizinhança

O Rancho Folclórico de São Bartolomeu de Messines publicou hoje este texto, lembrando o dia que se comemora e como era vivida essa tradição. Por ser importante não esquecer a nossa tradição, aqui se reproduz, com a devida vénia, a publicação do rancho messinense:

 

Hoje é dia de Todos os Santos, dia em que as crianças corriam as casas da vizinhança e pediam:

“Bolinhos e bolinhos
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Qu’estão mortos, enterrados,
À porta da bela cruz
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho.
Faz favor de s’alevantar
P’ra vir dar um tostãozinho.”

Nem sempre tinham sorte e quando não lhes abriam a porta, lá praguejavam:

“Esta casa cheira a alho
Aqui mora algum espantalho,
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto,
Esta casa ‘tá bem feita
Cerrada a pau de pinho,
Os senhores que nela moram
Têm carraços no focinho.”

E lá continuavam de porta em porta até que uma boa alma dissesse:

“Pão por Deus
Fiel de Deus.
Bolinho no saco
Andai com Deus.”

Alegremente agradeciam:

“Esta casa cheira a figo
Aqui mora um grande amigo
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho”.

De sorriso no rosto após olhar o fundo do talego e ver romãs, bolinhos, figos secos ou outra “gulodice” que ganhavam em poucas ocasiões, continuavam a sua demanda na esperança de conseguir enganar a fome que se vivia na época.»

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