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Parques e Áreas Empresariais no Algarve

Assisti recentemente a uma conferência sobre áreas empresariais no Algarve, que decorreu nas instalações do NERA- Associação Empresarial da Região do Algarve, em Loulé. A conferência em si foi bastante interessante, contando com diferentes interlocutores, tanto da Região do Algarve, como do resto do país e de Espanha, que apresentaram as suas experiências no desenvolvimento e gestão de parques empresariais. O evento foi agraciado com a presença do Ministro do Planeamento, Nelson Souza, naquela em que seria a sua última presença oficial enquanto membro do executivo, antes das vindouras eleições.

O Ministro deixou duas ideias na sua intervenção: uma é a de que as áreas empresariais do Algarve devem, no âmbito da especialização inteligente da região, estar focadas primariamente no sector do turismo, e em tudo o que dele advém. Indica, inclusivamente, que não há alternativa a esta estratégia. A segunda é a de que as áreas empresariais do interior do Algarve têm um papel importante no desenvolvimento do território e que as áreas empresariais, até nem “devem estar tão abaixo como isso”, e que o interior é “um sítio agradável para se viver” e que “pode chamar empresas”.

Discordo vigorosamente da primeira e aplaudo a segunda. As áreas empresariais do Algarve contêm, no seu conjunto, uma série bastante díspar de atividades, sendo que o turismo e atividades relacionadas compõe cerca de 25% da atividade dessas áreas (segundo um estudo recente da AMAL sobre áreas empresariais do Algarve e sustentado pela plataforma Algarve Acolhe da CCDR-Algarve). Tal, no entanto, não decorre de um planeamento expresso sobre quais as atividades a instalar; surge isso sim, da disposição sectorial focada no turismo de que a Região desfruta, que impele haver mais empresas e atividade económica nesse campo. Numa região em que o Turismo surge como atividade primordial, é natural que assim seja. No entanto, e compreendendo a estratégia para a Região, há que realçar que há mais vida no Algarve do que o turismo; o mesmo estudo aponta para que 53% da atividade nos parques e áreas empresariais sejam atividades fora da lógica da estratégia prevista para 2020.

Ou seja, existem nessas áreas toda uma parafernália de atividades que, não se inscrevendo no que os senhores de Lisboa pretendem, trazem valor e emprego à Região Algarvia.

A natureza dos negócios é que nunca sabemos qual irá ser o vencedor: poderemos ter no Algarve atividades de elevado valor acrescentado e de potencial elevado que não estejam de acordo com as diretivas da estratégia regional. Não serão estas atividades merecedoras de apoio e de incubação, só porque não fazem parte da estratégia da região? É que a ausência da estratégia da região acarreta somenos a incapacidade de aceder a certos fundos comunitários. Poderemos estar a “matar” indústrias futuras de elevado potencial só porque, não constituem atividades “estratégicas”. Mais, a diversidade de atividades económicas é, em si, uma forma de mitigar quaisquer choques que aconteçam ao sector do Turismo. Por vezes, o surgimento de um sector vem de onde menos se espera.

Relembro-me sempre da história de um certo vale nos Estados Unidos da América, que era primariamente conhecido pelos seus pomares, com uma forte indústria de conservas e produtos agrícolas. Atualmente, esse vale é conhecido como Silicon Valley, a capital da tecnologia do Mundo. Ninguém poderia prever, nos anos 40, que essa região iminentemente rural se tornaria num cluster de desenvolvimento económico.

E isto traz-nos à segunda afirmação do Ministro, sobre a necessidade das áreas empresariais no interior do Algarve. As Áreas empresariais são focos de criação de emprego e de valor; são fundamentais na luta contra a desertificação do território. Ao fomentar o emprego no interior, estamos a enraizar comunidades no território, a mitigar problemas de sobre-urbanização nas cidades, a criar uma lógica de redes na região, a criar qualidade de vida. Mais, o interior do Algarve poderá servir como plataforma paras atividades mais próximas do litoral, bem como para desenvolver o enorme potencial agrícola do interior. Nunca se sabe se o futuro do Algarve não estará no interior. Se queremos um Algarve mais equilibrado, mais pujante em atividade económica, não se poderá negligenciar esta faixa de território.

Para rematar, citando o nosso conterrâneo e Presidente do NERA, Vítor Neto, o Algarve não tem turismo a mais, tem é tudo o resto a menos.

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