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Escassez de mão-de-obra e baixos salários

A escassez de mão-de-obra é uma das maiores ameaças ao investimento, à produtividade, ao crescimento e desenvolvimento económico do país. Correlaciona-se com o grave problema demográfico que não se resolve com incentivos à natalidade cujas consequências só se sentirão no longo prazo ou com paliativos para fazer regressar os emigrantes. Para ultrapassar o problema no curto prazo é necessário que se promova ativamente a imigração, bem como a valorização dos salários.

Não é com o modelo de salários baixos e a precariedade na contratação que imperam no país que fixamos população e evitamos as vagas emigratórias que registam números preocupantes e impressionantes.

Os factos demonstram-no. No período 2011-2015, sob a tutela da troika e da ação governativa da coligação PSD/CDS, saíram do país cerca de 600 mil pessoas, enquanto nos três anos subsequentes, na vigência do governo minoritário do PS, abandonaram o país, à procura de emprego e de melhores condições de vida, cerca de 260 mil portugueses, sendo que a franja de jovens e pessoal qualificado, revela peso crescente e não despiciendo. O registo de cerca de 390 mil imigrantes, reportado ao ano de 2016, não é suficiente para cobrir as necessidades do país e a ocupação de tarefas que os portugueses já não estão dispostos a aceitar.

No campo da evolução dos salários a realidade é mais do mesmo. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) o salário médio nacional (SMN) atingia em Março do corrente ano o valor de 951,00 euros brutos. Na construção, um dos setores mais fustigados pela falta de mão-de-obra, o SMN situava-se nos 785,00 euros brutos. No site do Instituto de Emprego promove-se oferta de emprego para engenheiros, propondo 600,00 euros/mês! Em Portugal, com dados relativos a 2017 fornecidos pelo Eurostat, o custo hora de trabalho é de 14,1 euros enquanto a média da União Europeia é 26,8 euros.
É míope a visão e eticamente condenável o comportamento de determinados empresários, mesmo no segmento das altas tecnologias e das startup, que apesar dos enormes volumes de faturação e da elevada produtividade dos seus trabalhadores, optam por pagar remunerações miseráveis e descapitalizar as empresas, “desviando” fundos para vidas de luxo. Permanece atual ao fim de algumas décadas a curiosa destrinça que um reputado dirigente sindical estabelecia entre o conceito de “empresário” e “patrão”, relacionando o primeiro com gestão e competência, visão, partilha e responsabilidade social e o segundo com a ausência daqueles atributos e a fixação doentia no lucro à custa da exploração nas relações laborais e do espezinhamento de direitos.

A nível local são notórios os efeitos da escassez de mão-de-obra, designadamente, nas empreitadas de obras públicas, que levam ao incumprimento e a derrapagens nos prazos de execução, que se conjuga com os desequilíbrios entre a oferta e a procura no mercado da construção civil, verificando-se um número insuficiente de empresas e capacidade instalada reduzida que conduzem também a preços contratuais tendencialmente inflacionados.
Prova concreta desta situação são os concursos públicos que ficam desertos de concorrentes, obrigando à sua repetição e à revisão em alta dos preços-base, que não deixam de produzir impacto orçamental negativo e penalizar novos investimentos.

No âmbito da ação do Município de Silves contam-se os exemplos da construção da sede da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, do parque de feiras e exposições de S. B. de Messines, da remodelação dos mercados municipais de Silves e S. B. de Messines ou da remodelação e ampliação da EB1 de Silves.

É o crescimento e o desenvolvimento económico do país no seu todo que estão bloqueados, impondo-se a necessidade de mudanças estruturais e alterações de rumo nas diversas gerações de políticas públicas.

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