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Pedro Pinto, 14 anos à frente da Kimahera

No dia 3 de setembro, em Armação de Pêra, foi descerrada a “Rua dos Artistas”, junto à Escola EB 2, 3, Dr. António Contreiras.
Quem não sabe, não desconfiará que nesta pacata rua em zona residencial se encontra um viveiro de ideias e de artistas, alimentado há 14 anos por Pedro Pinto, também conhecido como “Reflect”, que fundou e dirige a editora Kimahera. A mesma que, nesse dia de aniversário, juntou em concerto cerca de 40 artistas, unidos por uma característica: terem gravado na editora armacenense.

Pedro Pinto na Kimahera

No dia seguinte ao aniversário o Terra Ruiva esteve com Pedro Pinto na sede da Kimahera. Como tantos projetos musicais no país, este também começou no lugar mais provável: a garagem da casa da família. Inicialmente ocupando um cantinho, estendendo-se depois à medida que as possibilidades financeiras para comprar mais material iam surgindo e a “aventura” se tornou mais séria.
De facto, o projeto começa, conta Pedro Pinto, quando este começa por querer gravar as suas próprias músicas. O gosto pela música era antigo, em criança teve aulas de piano, mais crescido passou pelo rock, até desembocar no estilo hip-hop vertente rap que tornou o “Reflect” conhecido. Em 2008 editou o seu primeiro álbum, altura em que também percebeu que estava no Algarve “ e não havia sítio para gravar”.

Entretanto, já começara a ser conhecido, participando em vários concertos, mas conhecendo as dificuldades de “viver só da música”, iniciara a sua formação como técnico de som. “Nunca abiquei da formação, pensando que um dia que não seja artista, posso ser produtor”, explica. Hoje, além de exercer como técnico informático (a sua atividade principal), é também técnico de som, produtor, formador na ETIC, artista e poeta. Esta última faceta é sobejamente conhecida por quem escuta as suas músicas, com letras fortemente poéticas. E o livro, perguntamos? Está em fase de projeto, no futuro talvez… confessa rindo Pedro Pinto.

Descerramento da Rua dos Artistas, com Rosa Palma e Ricardo Pinto

Mas para já as atenções voltam-se para a editora Kimahera e o seu 14º aniversário, o pretexto para esta conversa na antiga garagem. “Não sei se haverá em Portugal uma editora independente com mais longevidade”, diz Pedro Pinto. O concerto de aniversário que reuniu na Rua dos Artistas, inaugurada na ocasião pela presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma e pelo presidente da Junta de Freguesia de Armação de Pêra, Ricardo Pinto, cerca de 40 artistas diz muito do trabalho que tem sido desenvolvido pela Kimahera. “Começou por ser um pequeno projeto, onde eu gravava as minhas músicas” para se tornar num projeto que tem conseguido atrair e reunir “muita gente talentosa”. Músicos e cantores, diz Pedro Pinto, que mereciam outra atenção, principalmente por parte dos programadores culturais e das autarquias da região. E aponta o seu caso pessoal, em que “a oportunidade de fazer grandes concertos foi-me oferecida não pelo meu concelho, mas por Portimão, que ainda há pouco me convidaram para o Festival da Sardinha”. “As entidades públicas da região têm obrigação de ir buscar alguém da terra, dar uma oportunidade, há muitos músicos no Algarve que merecem esse empurrão”. Considera que “não é por má vontade, muitas vezes é por desconhecimento” por parte dessas entidades, mas que as mesmas têm de estar mais atentas. “Temos que nos apoiar mais uns aos outros na região, promover tours pelos teatros, pelos palcos do circuito algarvio. Em 2008, quando as câmaras deixaram de ter dinheiro, houve muito trabalho para os artistas locais. Mas quando a situação melhorou voltaram a investir em artistas de fora. E nós estávamos cá nessa altura e continuamos a estar.”

No catálogo da Kimahera estão atualmente cerca de 20 artistas fixos. Muitos mais procuram a editora, alguns só para gravação, outros optam por fazer aqui a produção, as fotos, os vídeos, um trabalho completo que a editora providencia, realizado pela sua equipa que envolve 6 a 7 pessoas do “núcleo duro”.

Concerto no dia de aniversário

No concerto de aniversário, as dezenas de artistas que atuaram, cada um com uma música, mostraram diversos níveis de qualidade e diversos estágios de carreira profissional. Muitos deles nem se conheciam, conta Pedro Pinto, pelo que retém deste momento – “uma grande conquista” – uma mensagem clara “quando queremos conseguimos construir”.

Quanto ao futuro próximo, a intenção do fundador da Kimahera é a de levar este projeto o mais longe possível. Já o Reflect irá continuar a criar poemas, músicas, canções. Muitas delas com letras complexas, ao contrário do que é cada vez mais comum, comenta a jornalista. E ouve (deliciada) a resposta: “A minha música não serve para as pessoas se desligarem, serve para se ligarem a elas próprias”.

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