Barragens do concelho com níveis baixos

No mês de agosto, verificou-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas monitorizadas, incluindo nas barragens do concelho, Arade, Funcho e Odelouca. Nessa data, das 59 albufeiras monitorizadas, 5 apresentavam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 23 tinham disponibilidades inferiores a 40% do volume total.
De acordo com os dados publicados no site do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), a 6 de setembro, a Barragem do Arade estava a 36% da sua capacidade; a Barragem do Funcho a 64%; a Barragem de Odelouca a 38%.

Barragem de Odelouca- Agosto 2019 (Foto de José Varela)

Preocupante é também o avanço da situação de seca no país. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no final de agosto, 34,3% de Portugal Continental estava em seca fraca; 29,6% em seca moderada; 22,9% em seca severa; 12% em seca extrema; e apenas 1,2% em situação normal.
O IPMA diferencia quatro tipos de seca: meteorológica, agrícola, hidrológica e socioeconómica. A seca meteorológica está diretamente ligada ao défice de precipitação, quando esta é abaixo do que é normal. Depois, à medida que o défice vai aumentando, passa-se para a seca agrícola, em que se verificam deficiências ao nível da água no solo. A seca hidrológica acontece quando começa a haver falta de água nas barragens. Existe também a seca socioeconómica, quando já tem impacto na população.

Em março deste ano, o IPMA avisou para algumas situações de seca extrema que começam a surgir no sotavento algarvio.

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Um Comentário

  1. Do mesmo modo que a fome, a miséria e a opressão têm sido, ao longo dos séculos, o fermento, que tem estado na origem das revoluções – vide Revoluções Francesa e Russa, com todas as ondas de choque que provocaram, em todo o mundo -, também o problema da escassez da água irá, indubitavelmente, estar, no futuro, na causa de muitos dos maiores conflitos.

    Visto no horizonte de milhares de anos – que não é o nosso -, o problema do avanço cíclico da desertificação do Norte de África para o Sul da Europa, que está a acontecer actualmente, a um ritmo assustador, é normal e não envolve qualquer dramatismo.

    Só que o nosso curto período de vida não se compadece com esperas tão longas.
    É nesse âmbito que o Homem tudo terá de fazer para minimizar as consequências decorrentes dessas transformações, entre as quais as secas, desde logo, sendo preventivo e armazenando as águas das chuvas.

    Sabemos, por pesquisas e estudos, que, por detrás da génese de muitas das transformações drásticas, que têm tido lugar, de milénios em milénios, no nosso planeta, estão mínimas alterações, para maior ou para menor, que o ângulo do eixo terrestre vai registando, em relação ao eixo do Sol, facto que, como consequência, está na origem de dramáticas mudanças no clima da Terra, umas negativas, outras não tanto para a vida no planeta.

    As inúmeras glaciações que têm ocorrido na Terra são prova do que acima afirmo, sendo que a última teve lugar há cerca de 8000 anos, no Período Quaternário da Era Cenozóica, em que estamos a viver, prevendo os cientistas novo período glacial, para entre os próximos 2000 a 4000 anos.

    Sei que o Terra Ruiva é uma publicação regional, cuja vocação é tratar de temas do concelho de Silves.
    Suponho, porém, que isso não obsta a que aqui traga um tema que, noutra publicação, já abordei, isto é, o assunto momentoso da seca, referindo-me, designadamente, ao que apelidei de “ALQUEVA DO NORTE”.

    Todos sabemos o quão providencial tem sido a água do ALQUEVA para o desenvolvimento de projectos agrícolas, dantes impensáveis, além de, em tempos de seca extrema, prover o fornecimento de água, não só às cidades da zona, para uso doméstico, beberagem de animais e regas.

    O Vale do Cõa, a sudeste de Vila Real de Trás-os-Montes, com o seu profundo e extenso vale reúne excelentes condições para ser a chamada ALQUEVA DO NORTE.
    São conhecidas as pinturas rupestres, cujo acesso visual está já devidamente assegurado em suporte digital, disponibilizado no respectivo museu local.

    Sem questionar o valor insubstituível da sua visita, ao natural, considero que os valores da vida humana – falo da vital necessidade de água, no âmbito de um crescendo de crises de secas cada vez mais graves – não se podem compadecer com a preservação das respectivas rochas expostas, assim como das várias espécies biológicas do respectivo vale.
    Com efeito, dói ver-se escaparem para o mar centenas de quilómetros cúbicos de águas, cuja dramática falta, no futuro, irá, inevitavelmente, compelir os responsáveis a assumirem a solução de uma barragem naquele extenso vale.
    Será apenas uma questão de tempo.

    O mesmo que se diga, em relação ao Vale do Côa, dir-se-á a muitas outras zonas do país, Algarve incluído.

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