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Comemorações e ausências

Estive na cerimónia das comemorações do Dia do Município. Três cadeiras estavam vagas, na primeira fila. As destinadas aos vereadores do PSD e do PS da Câmara Municipal de Silves.
No ano passado também estive na cerimónia. Estavam vagas duas cadeiras, os lugares dos vereadores do PSD.

No Castelo de Silves, onde este ano decorreu a cerimónia, nos lugares reservados, avistei o presidente da Assembleia Municipal e os presidentes das juntas de Silves e de Messines, além de vários representantes de entidades regionais e concelhias. No público, que eu tivesse visto, estavam presentes dois membros da bancada da CDU na Assembleia Municipal.

Este ano, a cerimónia, muito bem organizada, decorreu impecavelmente. Um bom discurso da presidente da Câmara de Silves, Rosa Palma, uma excelente prestação da “chefe de cerimónias”, a técnica da autarquia Sandra Moreira, um ambiente de festa, uma tarde muito agradável num espaço lindo como o Castelo de Silves. Depois da festa do desporto que nos deixa orgulhosos de termos tantos talentos, numa comunidade tão pequena, seguiu-se a entrega das Distinções de Mérito Municipal.

E se, no ano passado, neste mesmo espaço, critiquei a autarquia por apenas ter destacado atletas, não posso deixar de elogiar a alteração ocorrida este ano, em particular com a criação das Distinções de Mérito Municipal, em várias áreas, passando assim a abranger as Instituições, a Intervenção Cívica, a Cultura e o estímulo aos jovens, com a Distinção Jovem Revelação.

A meu ver, foi dado um grande e importante passo para se olhar a nossa sociedade e os seus interventores em toda a sua riqueza multifacetada e para se premiar o Mérito, a partir de critérios definidos e transparentes.
Muito bem atribuídas foram as distinções, digo eu que sou parcial nestas coisas porque conheço/conheci todos os homenageados e por todos tenho profunda admiração, por motivos diferentes. E não posso deixar de destacar que dois deles nos dão a honra de serem distintos colaboradores deste jornal, Teodomiro Cabrita Neto e João Rocha de Sousa. E quando falo em “honra” e “distinção” não o digo com palavras ocas, pois que é real o sentimento e impressionante o trajeto de vida e a obra destes dois colaboradores.

Para mim, que há muitos anos vou a comemorações do Dia do Município, ao contrário de muitos que criticam sem lá terem ido e outros que aplaudem sem lá terem estado, esta foi a melhor comemoração dos últimos anos.

Pena é que a mesma me tenha lembrado um assunto que nos últimos tempos me preocupa: a distanciação dos nossos eleitos dos seus deveres institucionais e sociais. Quando alguém assume um cargo, num órgão autárquico, sabe que a partir desse momento passa a ser muito mais do que o Manuel ou a Maria. É a cara do partido pelo qual foi eleito e tem de representar quem lhe deu o seu voto, confiando que exercesse o seu mandato o melhor possível. E isso inclui ser parte ativa nas atividades oficiais e nas iniciativas organizadas pelas autarquias, associações, clubes, cidadãos…

Seja qual for a importância do seu cargo, quando o Manuel ou a Maria não podem estar presentes têm de pedir ao António ou à Rita que os substitua. Por respeito às datas celebradas. Por respeito a quem os elegeu. Por respeito ao sistema democrático. No caso do Dia do Município, também por respeito à centena de pessoas que foi distinguida.

Há uns tempos, lamentava eu esta ausência tão continuada e persistente da maioria dos eleitos nas iniciativas autárquicas e acrescentava que alguns, para os ver, era necessário ir à Assembleia Municipal. E o meu interlocutor, rindo descaradamente, respondeu-me, mas aí eles vão porque têm senhas de presença.
E eu que se calhar já não tenho idade para isso, mas ainda acredito em sonhos, projetos, espírito de missão, mudar o mundo… fico preocupada com este tipo de comentários, a insinuação de que só o interesse monetário ou partidário move um eleito. Estas são as ideias que vão minando o sistema democrático…

Fala-se muito de que é necessário o envolvimento dos cidadãos, eu digo que também é necessária a participação dos eleitos. São homens e mulheres eleitos pelos conterrâneos pelas suas ideias, ações, capacidades. Estejam presentes e sejam verdadeiramente interventivos!…

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