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Memórias Breves (18) – Sagres na Conquista do Liberalismo

O ENCONTRO no Cabo de São Vicente-Sagres pela vitória do Liberalismo Português, foi a conquista do País moderno. Tudo começou em pleno Atlântico, após a chegada do rei João VI, vindo do Brasil, onde se refugiara perante a ligeira ocupação francesa napoleónica, em Portugal. E logo o Norte do país em convulsão. Cidade, sem dúvida, habitada por gente do comércio do vinho, onde o liberalismo europeu era pouco visível em público, mais em convívios de europeus ingleses, sobretudo. E não eram as classes trabalhadoras que formavam esse grupo de política exportado do centro europeu. Somente era arrastada… Sem tradição cívica ou cultural política. Assim e sempre tem acontecido. O conflito português iniciado com a assinatura, em pleno mar, na chegada do rei, vindo do Brasil, em 1820, em que João VI assina a “Carta Constitucional”. Os conflitos na corte são de família e de nobreza. João VI mete em prisão o filho Miguel, assim como a rainha de origem espanhola. Miguel o tradicional absolutista, Pedro o herdeiro natural, de política liberalista. Os ecos, chegados da Europa, vão provocar, naturalmente, um conflito, profundo, em Portugal.

Quando o rei João VI morre, a 10/03/1826, o país entra em divisão política, iniciando-se as lutas do absolutismo do governo poderoso e o do liberalismo moderno, e em que se governava pela Europa. Façamos esse percurso pela Europa Liberal. Os filósofos, com uma rede de ligação pelo continente e em extensão pelo Novo-Mundo, as Américas, tornaram-se contagiantes. Portugal, com o absolutismo, continuava nas queimas da Inquisição, numa igreja tradicional. Em 1771 com a lei de Pombal, ministro do rei José I e por este assinada, vem a lei régia que se publica, a, designada: “ Origem da Relação da Moral dos Jesuítas”. Lei publicada, em 367 páginas, pela Régia Officina Typográfica de Lisboa. Tenho o orgulho em possuir um exemplar e estudá-lo: O tempo das torturas, das condenações às fogueiras, em que a Inquisição dominava o poder real… Pombal, diplomata que passou em funções por esses países do centro europeu, ousou, na qualidade política, de primeiro-ministro, com o apoio real, terminar essa ofensa. Portugal atingiu até ao último quartel do século XVIII, esse flagelo tortuoso e imoral: as queimas humanas, em procissões criminosas.

Pela Europa sopravam os ventos do Liberalismo. E a Portugal chegavam os “ventos” do modernismo liberal, aos centros de cultura, aos ambientes clubistas, aos salões burgueses, etc. Os ataques de Montesquieu, com a modernidade do “Espirito das Leis”- 1748. O criticismo de Voltaire. A “Revolução do Coração”, de Rousseau, etc, etc, haveriam de chegar a Lisboa, fim do século XVIII e início do século XIX, em leituras ainda secretas. Mas já no sonho histórico, com Alexandre Herculano, no seu “Eurico o Presbítero”, no novo método do romance histórico, seguindo-se no novo pensamento da nova geração portuguesa. Ainda, Almeida Garrett, na introdução do romantismo em Portugal, numa narrativa do reino do Algarve, com o poema “D.Branca”, 1826, escrito em ambiente parisiense, de refugiado, num cenário do Algarve. Mas os verdadeiros introdutores do romantismo europeu, certamente Chateaubriand, Victor Hugo, Manzoni, entre outros. O século XIX avança, não no sentido social do homem trabalhador, mas investindo na mobilidade, no comboio que não tarda. O vapor a substituir o braço humano.
A Europa está a “ferro e fogo”. A Igreja de Roma vacila com a revolução romana, no início do século XIX, afastando o papa Pio IX de Roma. A Igreja de Roma e da restante Europa estão em mudança de mentalidades. Os barões começam a empurrar o “sangue azul”. Também em Portugal.

O conflito português inicia-se aquando da chegada do rei João VI, vindo do Brasil para Lisboa, em 1820, quando o rei assina a “Carta Liberal”, ainda, em pleno Tejo. Miguel, o filho real, coloca-se na defesa do absolutismo. Assim com sua mãe, a rainha de origem espanhola. O rei João aprisiona mãe e filho, com se afirmou. Abre-se o conflito. O reino divide-se até à sua morte, a 10/03/1826. Portugal é uma guerra de interesses tradicionais e de futurismo. Os dois irmãos: Pedro, o herdeiro e Miguel, o príncipe rebelde do absolutismo fazem guerrear o país.Estamos num país dividido e agressivo. O Remexido, educado para padre, coloca-se no absolutismo secular, ainda hoje numa admiração mórbida. Há crimes. Há de tudo. A morte anda à solta pelo Algarve, pelo país inteiro. Morrem pais e filhos por ideais diferentes, guiados por interesses que não o de uma sociedade tradicional.

Estamos no Algarve, mais precisamente no 3 de Julho de 1833. Há o decisivo encontro pelas duas partes: Liberalismo e Absolutismo. O encontro nas águas do Algarve: Cabo de S. Vicente. Uma luta naval vai decidir uma das vontades. Um encontro célebre.

Sagres venceu pelo Liberalismo, a 3 de Julho de 1833: Sagres e S. Vicente, o palco dos confrontos entre as duas facções. A frota comandada pelo inglês Charles Napier derrota a armada miguelista. O outro lado, absolutista, sob o comando do almirante português António Torres de Aboim, afunda-se nas águas de Sagres, do Cabo de S. Vicente. A Armada fiel a Miguel, quase que desapareceu. Miguel, o filho do rei João VI, após a vitória do liberalismo, partiu para o exilio, assinando a Convenção de Évora-Monte. Deixando a semente duma contra/revolta absolutista, para uma transumância que já não tinha lugar na sociedade, moderna, portuguesa.

Batalha no Cabo de São Vicente

Após a vitória do liberalismo, o que irá suceder com a semente do absolutismo? Para a história, o quartel-general instala-se em Faro, forma-se o governo, no palacete do farense João de Carvalho Ferreira, na actual rua Conselheiro Bivar. Segue um exército liberal para Lisboa, aclamando a vitória do Liberalismo Português, em Julho de 1833.
Faro é, no tempo, uma pequena cidade de comércios estrangeiros. Os italianos abrigados na capital do Algarve, criavam focos liberais, implantando teatro e música, como o Teatro Lethes, antes do Teatro Nacional D. Maria II de Lisboa. Tanto como as “colónias” de comerciantes franceses e ingleses.

Eis uma situação histórica muito pouco “badalada”. Mas a História tem o seu registo. A consolidação do Liberalismo deixou muitas marcas, muitas vítimas de lado a lado. Remexido e os seus grupos são julgados em Faro, num julgamento, a que o teatro, o romance, a poesia, os estudos históricos e políticos têm dado voz. E, onde, infelizmente, o fuzilamento, o método, ia em continuidade.

Todo o século XIX foi de reconstrução e de ocupação. Tivemos uma rainha, Maria II que atendeu a cultura, o princípio dela, com a construção do Teatro com o seu nome. Do conservatório Nacional de música. O COMBÓIO NESSA PRESSA DE AVANÇAR… O rei Luís I segue no comando constitucional da Nação. E nesse acto humanista, suspendeu, por lei, a “Pena de Morte”. Como imagem civilizacional. Foi um exemplo para a Europa. Ainda, hoje, uma parte do mundo reconhecido de “civilizado”, actua pela leia da morte! Mas não devo o olvido, sem lembrar o Homem que desejou que todos os portugueses soubessem ler. Isto, no último quartel do século XIX, com João de Deus, o educador, que faleceu em 1896, num trabalho que se prolonga… O SONHO NOVECENTISTA… do Messinense, do Algarvio, do Português, do falar comum da língua portuguesa. Depois de Sagres, outras vontades, plurais, foram chegando e partindo.

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