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Dissonâncias

Ao longo do tempo sempre suscitou estupefacção algumas posições dissonantes tomadas pelos eleitos e/ou dirigentes do PS e PSD ora no contexto da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal ora também aos níveis local, regional e nacional, quando as matérias em debate são idênticas, transparecendo aos olhos do observador mais atento que “não bate a bota com a perdigota”, visto que, obviamente, os partidos políticos são entidades únicas, não se podendo promover o oposto e o seu contrário, sob pena de se ludibriar os eleitores e a opinião pública, cavalgando o oportunismo mais primário.

No plano estritamente local as posições divergentes explicar-se-ão pela ausência de trabalho coletivo e comunicação entre os eleitos dos diversos órgãos, pela ânsia de não olhar aos meios para atingir os fins, por calculismo político, por incompetência ou inexperiência.

Nos planos local, regional e nacional, as contradições e posições oportunistas tomadas por aquelas forças políticas, dominantes no espetro partidário da democracia portuguesa e definidas por vasto leque de analistas como integrantes do velho e perverso “bloco central de interesses”, repetem-se com frequência em áreas tão díspares mas fundamentais como a saúde, escolas e educação, cultura e património, habitação, vias de comunicação, descentralização, regionalização, interioridade e em temas mais específicos como as portagens na Via do Infante, investimentos na ferrovia, encerramento de serviços públicos e postos dos CTT … no sentido de “agradar a gregos e troianos” e garantir os votos do eleitorado. Por outro lado, quando se verifica troca de cadeiras no poder central, as contradições ainda são mais gritantes. No fundo o crime tem compensado com a absorção de quase todos os deputados do círculo eleitoral do Algarve por parte daquelas duas forças políticas dominantes, não importando se os candidatos são conhecidos ou competentes no exercício dos seus cargos.

Apostila I – Os níveis de execução do CRESC Algarve 2020 são claramente baixos e preocupantes, registando a taxa de 17% em Novembro do ano transato, em linha com os demais programas operacionais regionais, e a um ano do seu encerramento para efeitos de aprovação de projetos.

Num cenário que não é o mais favorável no plano do aproveitamento dos fundos comunitários e dada a sua crucial e particular importância para a viabilização financeira e alavancagem dos investimentos municipais, é difícil de compreender os critérios de admissão dos projetos técnicos na área específica da Educação, prorrogando prazos a quem não tem mostrado competência para os elaborar e candidatar em tempo útil, deixando de fora municípios como o de Silves, que desde há muito reuniu as condições para avançar com a requalificação e ampliação das Escolas Básicas (1.º ciclo) de Silves e Alcantarilha.

Nesta matéria a autarquia silvense não quis esperar mais e já se antecipou, promovendo o lançamento do concurso público para a execução da empreitada da EB1 de Silves. Finalmente, e esta é uma boa notícia, durante a semana transata, foi permitido à autarquia submeter as candidaturas das duas escolas a financiamento comunitário.

No campo da cultura e do património, o Município de Silves confronta-se com dilema similar, dispondo há largo tempo de projetos técnicos para as obras de conservação e restauro da Ponte Velha e das muralhas e porta da Almedina, na cidade de Silves, mas impedido de se candidatar aos fundos europeus.

Não obstante a contrariedade, o município preparou as condições para se abalançar com fundos próprios à intervenção na Ponte Velha, aguardando que as obras na Ponte Rodoviária avancem primeiro (empreitada em fase de concurso público), visto que é necessário desativar e reinstalar infraestruturas de água e saneamento.

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