É Verão…

Paradoxal I– As urgências pediátricas e a maternidade do Hospital de Portimão têm tido dias em que não estiveram abertas, entramos no Verão sem garantias que esses serviços funcionem convenientemente. Paradoxal. A concentração/vigília que a Comissão de Utentes organizou há poucos dias tinha estes utentes: poucos. Muito poucos.

Paradoxal II – O IC1 via principal de acesso à região, que traz os visitantes até ao mar, encontra-se num estado de enorme degradação, com troços lastimáveis. Há um ano e tal soube de uma concentração/protesto organizada por utentes desta via. Lá estavam os mesmos, os “poucos”. Poucos carros, poucas motas, poucas pessoas.

Paradoxal III– No caos rodoviário que toma conta do Algarve durante o Verão, debatemo-nos invariavelmente com o mesmo dilema; escolho as filas intermináveis da EN 125 ou as portagens da Via do Infante? Aqui, sim, também houve protestos. Alguns. Organizados e preenchidos com os mesmos “poucos”.

Vamos para o verão, com os “poucos” cansados de nada resolver e sairemos do Verão para entrar na campanha eleitoral, que já dá os primeiros passos, na apresentação de candidatos.

Cá para os nossos lados, estaremos distraídos com as reclamações por causa dos chapéus de sol solitários em Armação de Pêra, com a Feira Medieval em Silves e as várias festas e festinhas em todas as freguesias. São temas certos, que nos embalam há vários anos, na cadência do verão. A quebrar esta modorra só o receio dos incêndios e a esperança que o vento não sopre para o nosso lado…

Não me falem agora em problemas, dirá a metade do país estendida nos areais.

Lá para setembro havemos de voltar aos serviços públicos encerrados ou a meio gás, e discutiremos se a culpa é de Passos ou de Centeno, ou dos dois e mais do António, do Jerónimo e da Catarina. Sem esquecer a Assunção e aquele senhor do partido dos animais que não quer touradas.

Veremos, e confirmaremos, que vivemos num país a duas velocidades. Uma delas traz-nos o Simplex 2019, com a renovação automática do Cartão de Cidadão e a “carta de condução na hora”. A outra remete-nos para longos períodos de espera nos serviços públicos diminuídos de funcionários, com instalações deficientes e computadores que tiram a paciência a qualquer pessoa.

Lá para setembro iremos ver se finalmente há médicos que queiram trabalhar no Algarve e se alguns deles se mostram disponíveis para vir para Silves, ao contrário do que aconteceu no último concurso. E iremos talvez analisar por que é que isto acontece, este mal que, ao contrário do que acontecia há uns anos, agora atinge tanto concelhos do interior como do litoral algarvio.

Ainda estaremos bronzeados e a gozar os últimos dias de verão e faremos então contas à vida. Veremos as campanhas eleitorais e ouviremos os candidatos e tudo será da mesma forma como foi até aqui, embora toda a gente que percebe destas coisas diga que isto assim já não funciona e que é preciso outra forma de fazer campanhas, de chegar realmente às pessoas de uma forma que não seja com arruadas e papéis… mas enquanto não se descobrir assim terá de ser. E mais os beijinhos!

Ah, mas tudo isso será lá mais para a frente… depois do verão. Agora quero estender-me ao sol, suspira o país. Descansar da labuta, do chefe, dos colegas, da rotina. Todos temos necessidade e direito ao descanso, afirma, com razão, o país exausto.

Depois logo se vê…   E na reentré um desejo apenas: que os “poucos” se tornem muitos. Nas urnas e nas ruas.

(Ok. Sei que não vai ser assim. Mas não sei de que outra maneira será possível mudar o que não está bem. Aceito sugestões dos leitores. Mas enviem-nas em setembro. Agora vamos de férias.)

 

 

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