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Brincar é um direito

Na edição deste mês, e tendo em atenção que terminámos maio com a celebração do Dia do Brincar e iniciámos junho com o Dia Mundial da Criança, dedicarei este pequeno espaço à partilha de algumas ideias sobre a importância do brincar.

Vivemos num mundo demasiado focalizado no sucesso académico, despejando conteúdos atrás de conteúdos, em aulas que se tornam pouco motivadoras e onde o sentido do que se aprende não encontra muitas vezes reflexo na vida quotidiana. Mas aprender não se faz apenas através da assimilação de conteúdos numa sala de aula, sem espaço para pensar e sem aprender a pensar sobre as coisas. Perdem-se muitas oportunidades de aprendizagem quando retiramos tempo para brincar às nossas crianças.

O momento da brincadeira é uma oportunidade de desenvolvimento para a criança e não apenas um momento de entretenimento. Através do brincar ela aprende, experimenta o mundo, descobre possibilidades, desenvolve relações sociais, elabora sua autonomia de ação, organiza emoções. É através do jogo que a criança aprende a compreender o mundo à sua volta, que aprende regras, testa habilidades físicas, como correr, pular, aprende a ganhar e perder. É através da brincadeira que aprendemos a falar e a desenvolver a linguagem, a habilidade motora, a capacidade de raciocínio. A brincadeira em grupo favorece princípios como o compartilhar, a cooperação, a liderança, a competição, a obediência às regras, a consciência dos limites, o respeito pelo outro. O jogo é uma forma da criança se expressar, de manifestar os seus sentimentos e emoções.

Nesta descoberta do seu mundo e do mundo que a rodeia, é através da brincadeira que a criança estabelece a sua rede de relações e suporte, estabelece os seus vínculos e padrões de comportamento. Através do jogo de imitação a criança aprende a organização do mundo adulto, descobre potencialidades, aprende a conhecer-se melhor. A criança que teve tempo para brincar, teve a oportunidade de descobrir a sua identidade – “quem sou eu e quem é o outro”

Em cada fase do desenvolvimento, a criança tem necessidades e habilidades diferentes, por isso o importante é escolher o tipo de brinquedo que mais se adequa à fase de desenvolvimento para que possa existir uma consonância entre as suas capacidades e o estímulo que lhe está a ser dado. Brincar é algo aprendido, que permite perceber a diversidade e ajudar a construir um ser humano mais flexível. Brincar, e sobretudo o brincar livre, é um direito que não pode ser esquecido, fundamental no processo de desenvolvimento de qualquer pessoa, abrindo todo um mundo de possibilidades.

Uma brincadeira rica é a brincadeira que permite a criatividade e a exploração do mundo e não deve ser excluída do currículo escolar, mas sim usada como um recurso pedagógico, para a elaboração de estratégias para alcançar resultados de forma satisfatória, através do desafio, do despertar da curiosidade e da vontade de saber.

“Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do Homem.” –

Carlos Drummond de Andrade

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