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Memórias Breves (16) – União Europeia – Quo Vadis?

Início de Fevereiro, um Grupo de estudiosos reuniu-se em Paris para debater a EUROPA. Foi um encontro académico de homens e mulheres retirados, mas atualizados. Foi uma reunião de sentidos, de atualização. Trocadas opiniões sobre o “Brexit” inglês, sobre comportamentos de interesses e sentidos políticos. Essas dúvidas do sim e do não que se debatem em Londres, como em todos os “divórcios”. É certo que os britânicos devem assumir as consequências da separação. A União Europeia deve ser uma balança fiel a todos os seus membros.

O sismo que tem abalado a Europa tem várias leituras políticas, veio para provocar réplicas no que vai restando, nos 28: os mesmos maus-nacionalismos, destabilização dada à mundialização e à precaridade, produzindo os efeitos indesejados. O brexit apareceu como um drama e um aviso… São leituras políticas e antigas da vida europeia. Poderíamos recuar aos tempos de Max Planck (séc. XIX e XX) e de Jean Colbert (séc XVII) e de tanta gente das transformações políticas e europeias.

Em 1973, uma entrada de peso na União Europeia: A Inglaterra. Vão ser apresentadas, ao continente, as difíceis relações nos comportamentos seculares da Inglaterra e da Irlanda dividida em religiões e opiniões: as fronteiras das “duas Irlandas” abrem-se para os encontros, para a vida normal dessa dependência bretã de séculos. O peso da Grã-Bretanha na U.E., que logo impõe a sua própria moeda, rejeitando o euro da U.E. é evidente.

Tomemos nota das datas: 1951, ano em que se iniciou a cooperação económica do ferro e aço, pelas uniões de: França, Alemanha, Luxemburgo, Bélgica e os Países Baixos, os participantes no projecto. O número de países participantes, nesse interesse em fazer parte desse convénio, foi aumentando. Na Inglaterra, ao fim de 43 anos (23/06/2016), o primeiro-ministro inglês, David Cameron provoca os eleitores a votar pelo sim/não da saída da Inglaterra na União Europeia. E logo o reino ficou dividido a meio.
A 29/03/17, a Inglaterra activa o artigo 50º do Tratado de Lisboa para a não continuidade na U.E. Outros países europeus e integrados na U.E. entram na “rebeldia” : Itália, Hungria, Polónia e o que há de vir, neste populismo crescente.
Portugal assina a entrada no Grupo U.E. pelo governo de Mário Soares, a 1/01/1986, e a entrada no Euro, a 1/01/1999. Há imposições contra a nossa economia: terra e mar. O governo de então, o algarvio, foi pródigo nessa destruição da nossa dupla economia: mandou abater pescas e agriculturas, a troco de euros. Uma riqueza falsa… Houve um recuo na nossa economia produtiva. Sempre seguimos caminhos incertos desde os governos do após Abril/74. Uma democracia produtiva e económica de grupos. Os jovens portugueses tiveram de emigrar pela oportunidade do Tratado do Espaço de Schengen: portas abertas, sem fronteiras pela Europa. Era a continuidade da tradição portuguesa… Em 2015, a “democracia” da contradição, em Portugal, mostra que votos válidos só são válidos para uma “democracia” própria. E à “portuguesa”. Logo vem a “geringonça” inventada por uma figura burlesca da vida portuguesa, como no início do século XX, nas consciências republicanas, que Bordalo Pinheiro soube construir. Vasco Polido Valente entregou o seu dichote da “geringonça” a um político ardiloso. Conforme o tempo, na construção e desconstrução, a “geringonça” foi o apelido que teve os seus risos e a contradição deles, formou-se nessa condição improvável, após o governo de 2011/2015.

A 25/03/2017, a União Europeia assinalou os 60 anos do Tratado de Roma. Reunidos, na capital italiana os Chefes de Estado ou de Governo, evocaram as conquistas da União e os desafios futuros. Num espirito de unidade, comprometeram-se a defender os valores europeus da liberdade, democracia, Direito de Estado, dignidade humana, igualdade e solidariedade. Ao mesmo tempo, vincularam-se ao esforço da acção conjunta em domínios estratégicos fundamentais. Portugal passou a caso de sucesso, atingindo os objectivos da política económica interna, sem colocar em causa o cumprimento das regras europeias . O reconhecimento do esforço e dos resultados de Portugal chegou em Junho de 2017, quando o Conselho revogou a decisão sobre a existência de um défice orçamental excessivo em Portugal. As credenciais europeístas de Portugal, quer da classe política, quer da sociedade, dão-nos um lugar de destaque entre os pares. A este propósito sublinhar os dados do Euro-barómetro: 81% dos Portugueses sentem-se bem e acima da média europeia. – Direcção Geral dos Assuntos Europeus / 2018.

Sempre aplaudi algumas leis emanadas de Bruxelas. O Tratado do Espaço Schengen foi uma porta aberta aos nossos jovens nessa necessidade. Eu que o diga! Há muitas contradições e incoerências na Casa Europeia. Mas é lá que se discutem, se aprovam leis “diversas” que se contradizem nos interesses de cada qual. É certo que a Democracia tem diversas balanças e pesos. Sabemos. Estamos nessa construção de ideais humanos. Vamos apoiar uma União alargada, não na sua origem de “ferro e carvão”. Matérias ultrapassadas.

“Memórias Breves” têm um espaço de crónica… Só pretendemos comunicar !

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