Home / Sociedade / História & Património / Centenário do Silves Futebol Clube, Das origens à década de 1960

Centenário do Silves Futebol Clube, Das origens à década de 1960

Exposição “Centenário do Silves Futebol Clube, Das origens à década de 1960”

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de abril, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “Centenário do Silves Futebol Clube, Das origens à década de 1960”.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral, com o texto completo e as imagens, está disponível aqui:Expo_DM_Abril_2019

 

Centenário do Silves Futebol Clube
Das origens à década de 1960

O futebol começou a divulgar-se no nosso país nas décadas finais do século XIX, trazido por estudantes portugueses regressados de Inglaterra.

José (ou João) Barreto e José Simões foram os responsáveis pela introdução do futebol em Silves. Vindos de Lisboa, deram a conhecer as regras do jogo a um grupo de jovens, que esteve na génese da fundação do clube.

Nos princípios de 1919 começou a esboçar-se a criação do Silves Foot-ball Club, à  inglesa, como era usual na época. Assim, a 4 de abril do mesmo ano, António Matias Rocha, Joaquim Gomes Sequeira, Carlos Piolinho, Luís Matoso, Francisco Bernardo Paim Júnior, José Albano, José Estrelo, Francisco Marques Guerreiro, Carlos Romano, António Borges, Joaquim do Carmo, José Monteiro, Francisco Cabrita, Pestana Lopes, Diogo Calhau, José Celestino Maló Rocha, José Simões, José (ou João) Barreto e Joaquim João Raminhos fundaram o Silves Foot-ball Club.

Para a comemoração do acontecimento foi aberta uma garrafa de vinho doce e uns bolinhos, numa taberna localizada na junção do Largo Mártires da Pátria com o Largo da República, onde era normal encontrar os jovens a dar ‘matchs’ na bola.

Os seus estatutos foram aprovados pelo Governador Civil de Faro, por alvará n.º83, de 6 de abril de 1923, onde se ilustram os fins da associação, nomeadamente “a cultura e desenvolvimento físico dos seus associados” e “a propaganda de todos os desportos”.
Nos primeiros tempos o dinheiro escasseava, o valor das quotas era irrisório e os atletas tinham de pagar do seu bolso os equipamentos.

O clube adotou, desde a fundação, as cores preto e branco, sendo, inicialmente, o seu equipamento muito idêntico ao do vizinho Portimonense: riscas largas, verticais. Mas durante a presidência de Joaquim d’Oliveira foi adotado o modelo então usado pelo Sporting, metade de cada cor, passando os jogadores a envergar o ‘jersey’ atual, camisola preta e calção branco.

O emblema, cujo desenho original é da autoria de Samora Barros, pintor e professor de desenho na Escola Industrial e Comercial de Silves, chegou até aos nossos dias sem alterações: com a forma de escudo de corpo branco, orlado a preto, adotou como símbolo representativo o Castelo, significando a nobreza e a tradição da cidade, tendo ao centro por baixo linhas sinuosas a dar ideia das águas do rio Arade, sob as quais se dispõem em coroa S.F.C.

Para a prática do futebol, o Silves utilizou um espaço junto à Cruz de Portugal, o Largo dos Mártires da Pátria, o jardim do Largo da República e, ainda um espaço nas imediações, denominado campo da Nora.

Com um importante papel na animação recreativa e cultural tiveram lugar, a 7 de agosto de 1922, promovidas pelo SFC, umas festas desportivas com provas de corrida, pedestres e de bicicleta, luta e “um desafio de futebol entre o «Silves Foot-ball Club» e o «Esperança Foot-ball Club» de Lagos. Abrilhantará estas festas a Filarmonica Silvense. Do produto liquido desta festa reverterá 50% a favor dos famintos de Cabo Verde e 50% para o cofre o club promotor das festas” .

No final desse ano, solicitando o clube um auxílio para a aquisição e construção de um campo de jogos, a Comissão Executiva da edilidade silvense, sob a presidência de Henrique Martins, concedeu “um subsidio de quinhentos escudos ao “Silves Foot-Baal Club” para auxilio da construção e preparação do campo de jogos que aquela entidade sportiva pretende instalar n’esta cidade” .

Equipa do final dos anos 30

O terreno onde atualmente se situa o estádio foi cedido ao clube por um grande benfeitor, o distinto médico Dr. Francisco Vieira, herdado pela sua esposa, D. Catarina Amália Mascarenhas Neto Vieira, mediante contrapartidas que tinham em conta o auxílio a instituições da cidade.

A 13 de maio de 1923, o jornal da cidade anuncia que “O grupo «Silves Foot-Ball Club» deve por estes dias contratar com o nosso querido amigo sr. dr. Francisco Vieira, a cedência de parte de uma sua propriedade rustica, para a edificação do seu campo para jogos. Bem haja os que levarem a cabo tão grande melhoramento para a mocidade de Silves” .

A inauguração oficial do campo de jogos ocorreu no dia 15 de outubro de 1923, com uma festa desportiva, com um desafio entre o Silves Futebol Clube e o Glória ou Morte Portimonense, concluído com a vitória dos locais, por 1-0. Na edição de 21 de outubro, o jornal “Voz do Sul” publicou um artigo sobre esta iniciativa que contou “com bastante assistência, onde se destacava o sexo feminino, que põe sempre nestas coisas uma nota alegre” e relatou pormenores do jogo. A arbitragem ficou a cargo do senhor Pestana Lopes e o plantel do S.F.C. era composto por J. Augusto, Victoriano, Henrique, S. Marques, M. Dores, F. Marques, J. Carmo, Matoso, C. Maria, J. Sequeira e J. Rita, notando-se a ausência de Paim e Braz e sendo “digno de louvor o seu guarda-rêde, defendendo tudo o que ás suas redes foi” .
Em dezembro desse ano foram estabelecidas as condições de arrendamento do recinto: renda anual de quinhentos escudos, seis entradas para o Dr. Francisco Vieira, oito para os professores primários e vinte e quatro para os alunos. As receitas apuradas revertiam 10% a favor do hospital de Silves ou, em troca, o Silves organizava, em cada temporada, uma festa a favor daquela entidade.

Com esta vertente de apoio social, durante muitas décadas, o clube auxiliou várias instituições da cidade, revertendo as receitas de alguns jogos, bailes e quermesses para a Cantina Escolar D. Adelaide Vieira, Associação de Assistência à Mendicidade, Sociedade Filarmónica de Silves, Hospital e Asilo.

Em 1926, a Comissão Executiva da Câmara Municipal de Silves, sob a presidência de Sebastião Roldam Ramalho Ortigão, resolveu conceder um “subsidio anual de quinhentos escudos” ao clube, por forma amparar e proteger esta organização desportiva, que não dispunha de disponibilidade financeira nem de sede e que esteve a um passo da extinção.

A 4 de abril de 1930, foi publicado um número único do jornal «O “Silves”», comemorativo do 11º aniversário da fundação do clube, com texto de figuras ligadas à coletividade.

Na sessão da Comissão Executiva de 7 de março de 1932 o senhor vereador Aldemiro da Encarnação Mira apresentou a seguinte proposta (…); Considerando que o desporto é tão importantemente útil (e esta verdade passa desapercebida a muita gente) que a êle quasi exclusivamente se deve a melhor educação nos costumes da gente nova, desviando-a da taberna ou dos centros do vicio, evitando o desenvolvimento da prática de delitos que correntemente se observaram em tempos ainda recentes (…) e achando de absoluta justiça e necessidade auxiliar tanto quanto caiba nas possibilidades deste Municipio a manutenção daquele unico Club de desportos da terra; Proponho que, na impossibilidade de se restaurar o subsidio extinto, se conceda gratuitamente ao “Silves Foot-Ball Club” a água e luz necessárias ao seu consumo até ao limite máximo de cem Hwh de luz e cinco metros cúbicos de água mensalmente (…)” Esta proposta foi aprovada por unanimidade passando a edilidade a suportar as despesas com o abastecimento de água e eletricidade.

Porventura, o mesmo Aldemiro Mira três anos depois, a 4 de abril de 1935, fundou o Nacional, o outro clube da cidade, levando consigo boa parte dos jogadores do seu anterior clube. Os encontros, no estádio Dr. Francisco Vieira, entre o Silves e o Nacional eram importantes desafios, sempre acompanhados por uma larga assistência.

Em 1945 o Dr. Francisco Vieira e a sua esposa, que dois anos antes tinham sido nomeados sócios honorários do clube, decidiram doar o recinto, que entretanto teve a denominação de Estádio Dr. Francisco Vieira, e a área adjacente ao Silves Futebol Clube, sendo a escritura assinada nos primeiros meses de 1946, pelo presidente do clube, Adelino Gonçalves Pinto.

Silves FC- Época 1948/49, equipa que levou o clube pela 1ª vez à II Divisão

No âmbito das atividades culturais do clube, durante as décadas de 30 e 40 o Silves teve um orfeão, com o objetivo de promover a música e o gosto pela música, num ambiente de convívio e amizade e em 1940 passou a dispor de uma pequena biblioteca, no primeiro andar da sede.

A 26 de março de 1962 a direção do Silves F. C., enviou um ofício exprimindo o desejo de promover a construção de uma sede-ginásio, solicitando a colaboração e apoio da autarquia através da cedência de 600m2 de terreno municipal da cerca da antiga Escola Industrial e Comercial, sito no gaveto das ruas Gomes Pablos e Cruz da Palmeira. A “séde terá dois pisos, e será composta de Ginásio, Biblioteca, Salão de Festas, gabinete de Direcção, etc.”. A edilidade deliberou informar o Silves Futebol Clube “que vê com a maior satisfação tal iniciativa e não põe qualquer obstáculo à sua concretização”. Todavia esta infraestrutura acabou por não se concretizar.

Silves FC – Época 1961/62

Na época de 1961/62 o clube regressou à II Divisão, uma vez mais, tendo a primeira ocorrido na época de 1948/49. A presença na II Divisão foi curta, apenas de um ano.

Os cinquenta anos seguintes são caracterizados, essencialmente, pelo desenvolvimento de infraestruturas e melhoramentos que evidenciam um claro crescimento do clube.

(continua)

Veja Também

Festa da Nossa Senhora de Fátima em Tunes

A Paróquia do Algoz, através da sua comunidade de Tunes, realiza no  dia 26 de …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *