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Desmandos na Banca

Num processo infindável, a banca nacional continua a sugar milhares de milhões de euros aos cofres do Estado e aos contribuintes, na forma de empréstimos, linhas de crédito ou garantias, para cobrir a gestão irresponsável e aventureira, negociatas e tráfico de influências, bem como atos de promiscuidade e corrupção, que poderiam ser alocados ao investimento público em áreas fundamentais para o desenvolvimento do país, como por exemplo, na educação ou na saúde.
O Governo não retira daí as devidas ilações, faltando-lhe coragem e convicção política para proceder ao controlo público da banca. Na verdade, o Governo encontra-se de mãos atadas, porque a ideologia dominante do neoliberalismo que impera na União Europeia e no Euro, na lógica do pensamento único, não permite tal “devaneio” soberano.

São o BPP, o BPN, o BANIF e o BES/Novo Banco sob a alçada virtuosa da gestão privada, mas também, e para mal dos nossos pecados, a Caixa Geral de Depósitos, banco público, a quem se exige práticas distintivas (do privado) na função de catalisador do financiamento às famílias, às empresas e ao desenvolvimento socioeconómico do país – os responsáveis pelo atual estado de coisas.

É particularmente ofensivo e um atentado à Democracia a facilidade com que se concederam créditos monstruosos, ignorando pareceres de análise de risco, não exigindo a prestação de garantias suficientes, transferindo dinheiro para offshores sem cuidar de saber dos beneficiários (é o que se ouve nos depoimentos!) ou cúmulo da estupefacção, financiando a compra de ações e interferindo nas relações de poder noutros bancos concorrentes.

Todo este processo de contornos obscuros e sem fim à vista, com impacto no país real, é parte integrante da submissão do poder político ao poder económico e da teia de cumplicidades e altos interesses ilegítimos que lhe está associado, num vaivém de cadeiras entre governos e grupos económicos, sob o chapéu do chamado bloco central de interesses (PS, PSD e CDS). A quem discorda desta última conclusão, aconselha-se que verifique os nomes dos protagonistas, alguns deles (poucos) já acusados e condenados.
A temática abordada faz-nos lembrar a lengalenga repetida durante o período da Troika de que o povo português “vivia acima das suas possibilidades”, usada como magna explicação para as origens da crise financeira, da dívida pública e dos défices orçamentais.

Apostila I – A nível local, julgo oportuno trazer ao conhecimento dos leitores, a candidatura comunitária submetida recentemente pelo Município de Silves ao programa nacional POSEUR com vista ao “controlo e redução de perdas no sistema de abastecimento de água no concelho de Silves” no valor de 1,6 milhões de euros. A liderança autárquica e a equipa de engenheiros que preparou a candidatura em tempo recorde, realizaram um excelente trabalho.

Na sua génese encontra-se o Plano Estratégico de Redução de Perdas do Município de Silves cujo cumprimento estender-se-á a dois ciclos de 5 anos.

A vasta e diversificada operação contempla a realização de duas empreitadas para a reabilitação de condutas e outras medidas estruturantes, a ver: conclusão do levantamento cadastral, implementação do mapa de pressões e roturas com registo em sistema de informação geográfica (SIG), setorização da rede de distribuição em Zonas de Medição e Controlo e Zonas de Gestão de Pressões, aquisição de software e hardware, implementação de sistema de telegestão alargado à totalidade das instalações da rede, substituição de contadores com recurso à telemetria, criação de Centro de Comando e Supervisão que controle em tempo real o funcionamento do sistema de abastecimento de água, etc.

Com a concretização das medidas programadas, o Município de Silves conta mudar o paradigma de atuação, passando da ação reativa à proativa na gestão da rede de abastecimento de água, na base do profundo conhecimento e domínio da mesma. A estratégia da autarquia coaduna-se com a defesa do bem público escasso e precioso que é a água, incutindo maior eficiência na gestão do seu ciclo urbano.

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