Home / Vida / Saúde & Bem Estar / Alertar para os sinais de hipoglicémia

Alertar para os sinais de hipoglicémia

«A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) desenvolveu, com o apoio da Novo Nordisk, o HipoDiab, primeiro estudo que analisa as situações de descida dos níveis de glicose no sangue para um valor abaixo do normal, as hipoglicemias, nos doentes com diabetes tipo 2. O principal objetivo do estudo foi a melhor compreensão do impacto destes episódios, a capacidade de identificação por parte dos doentes ou o tratamento a que recorrem para os combater.

As conclusões foram claras: ainda há um importante caminho a fazer na perceção e identificação das hipoglicemias por parte dos doentes, bem como no seu tratamento.

Apenas 3 em cada 10 das pessoas envolvidas no estudo notificaram sintomatologia de hipoglicemia (30%) e quase metade teve um episódio de hipoglicemia sem qualquer sintoma associado, o que aumenta o perigo de que as hipoglicemias não sejam devidamente tratadas.

Já no que diz respeito aos sintomas, os mais apontados foram os tremores (52%), a fome (29%), as alterações visuais (29%) e os suores (21%) mas pode também ocorrer dificuldade na concentração, irritabilidade, agressividade, alteração da consciência, confusão mental ou dificuldade em falar.

Seis em cada dez episódios de hipoglicemia não foram tratados de forma adequada, o que mostra que existe uma lacuna no sentido da perceção das pessoas com diabetes da gravidade que uma hipoglicemia pode ter, especialmente quando não é devidamente identificada pelo doente ou profissional de saúde e a importância de atuar corretamente nestas situações.

No estudo foram ainda identificadas hipoglicemias assintomáticas, quer nas pessoas que notificaram sintomas (56%) quer nas que não os referiram (40%).

O diretor clínico da APDP, João Raposo, envolvido no estudo comenta “As hipoglicemias são uma complicação frequente do tratamento das pessoas com diabetes, relevantes pelos sintomas que apresentam, complicações associadas e consequente redução da qualidade de vida. A não deteção destes episódios e a incorreta atuação perante os mesmos pode levar à perda da resposta de um tratamento eficaz.”

O estudo, que contou com o envolvimento de 60 participantes com diabetes tipo 2, veio comprovar a necessidade de intervenção da APDP relativamente ao aumento do conhecimento das hipoglicemias e seu impacto. Neste sentido, foi criado um guia de tratamento da hipoglicemia para profissionais de saúde e folhetos sobre o mesmo tema, orientados para as pessoas com diabetes, que alertam sobre os vários perigos para a saúde e a melhor forma de agir.

“Estes documentos têm como objetivo levar os médicos e as pessoas com diabetes, em particular as pessoas com diabetes tipo 2, a trabalhar em conjunto no sentido de evitar as hipoglicemias e estarem mais atentos aos seus sinais. É importante que os doentes partilhem estas situações com o seu médico e profissional de saúde que os acompanhe, para que possam falar dos devidos ajustes no tratamento, alimentação ou atividade física” acrescenta João Raposo.

Atendendo à prevalência das hipoglicemias e à importância da sua prevenção, identificação e tratamento, um grupo de profissionais da equipa multidisciplinar da associação de doentes propôs, ainda, a elaboração de orientações para estabelecimento de consensos sobre a definição, sintomatologia e tratamento das hipoglicemias.

Os episódios de hipoglicemia podem representar uma barreira importante na manutenção dos objetivos de tratamento definidos e na adesão terapêutica dos doentes, uma vez que, por medo, ansiedade e depressão, ou por se associarem à perceção de uma redução da qualidade de vida, aumento do absentismo, redução da produtividade e aumento dos custos de saúde, podem desencadear comportamentos defensivos.

A hipoglicemia acontece quando os níveis de glicose no sangue descem abaixo dos 70 mg/dl. Os sintomas podem ser mais ligeiros, como visão turva, fadiga, dor de cabeça ou mais graves, como perda de consciência. A hipoglicemia pode ser provocada por erros na alimentação, como passar várias horas sem comer ou ingerir quantidades insuficientes de hidratos de carbono; erros na administração de medicação oral ou excesso de insulina; exercício físico não programado e sem suporte alimentar antes e, depois e consumo de alcool em excesso e/ou fora das refeições.»

Sobre a APDP

Fundada em 1926, a APDP é a associação de pessoas com diabetes mais antiga do mundo. Com cerca de 15 mil associados, desenvolve a sua atividade na luta contra a diabetes e no apoio à pessoa com esta doença, tendo sempre como meta a integração das pessoas com diabetes enquanto elementos ativos na sociedade. A APDP tem sido pioneira na prevenção, na educação e no acompanhamento personalizado. Conhecer melhor a doença e explorar novas formas de tratamento são os seus principais objetivos, a par da criação de estruturas capazes de dar resposta aos diversos problemas que envolvem a diabetes.

 

Veja Também

Homenagem a Teodomiro Neto com descerramento de placa toponímica

A Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines promove uma homenagem ao Prof. Dr. …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *