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Recordar e reviver João de Deus

 

Exposição “Recordar e reviver João de Deus – 189º aniversário do seu nascimento”

 Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, no mês de março, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “Recordar e reviver João de Deus -189º aniversário do seu nascimento”.

O Terra Ruiva publica uma versão sintetizada do texto da exposição. A versão completa, com mais documentos e imagens, pode ser consultada aqui:Expo_DM_03_2019

Poeta lírico insigne e pedagogo exemplar, João de Deus foi uma das figuras mais populares e queridas dos portugueses dos finais do século XIX, considerado à época o primeiro do seu tempo e o proponente de um método de ensino da leitura, assente numa Cartilha Maternal, dedicada à simplificação do ensino às crianças.
João de Deus de Nogueira Ramos nasceu a 8 de março de 1830, em S. Bartolomeu de Messines, e faleceu a 11 de janeiro de 1896, em Lisboa. Filho de Pedro José dos Ramos e Isabel Gertrudes Martins, comerciantes nesta freguesia. Teve a sua primeira instrução com o pároco da aldeia e depois no Seminário.

Depois de completar os estudos liceais seguiu para Coimbra onde se matricula, no ano letivo de 1849/1850, no curso de Direito naquela Universidade, que frequentou durante dez anos, terminando-o a 13 de julho 1859. Foi uma das figuras mais destacadas da boémia estudantil da época e relacionou-se com alguns elementos da Geração de 70, sobretudo Antero de Quental e Teófilo Braga.
Desde cedo se revelaram os seus dotes líricos, escrevendo poemas e prosa que circularam manuscritos no meio académico bem como em jornais e revistas da época, aumentando a sua reputação de poeta lírico.

Não tendo interesse pela advocacia aceitou o convite para ir para Beja onde, entre 1862 e 1864, dirigiu o jornal “O Bejense”, publicando muitas das suas primeiras poesias, e colaborou em diversos periódicos da imprensa regional do sul de Portugal, entre eles o jornal “Folha do Sul”, a partir de S. Bartolomeu de Messines, sua terra natal, para onde regressou em 1864.

A 22 de março de 1868, João de Deus foi apresentado como candidato independente a deputado pelo Círculo de Silves à Câmara dos Deputados (16.ª legislatura da monarquia constitucional). No dia 5 de abril houve um empate com outro candidato mas João de Deus saiu vitorioso, prestando juramento nas Cortes a 18 de maio de 1868, iniciando a sua atividade parlamentar, com 38 anos, e mudando-se para Lisboa, onde continuou a frequentar ambientes de boémia literária.

Pouco depois da sua eleição parlamentar conheceu Guilhermina das Mercês Battaglia com a qual casou e teve quatro filhos, Maria Isabel Ramos, José do Espírito Santo Battaglia Ramos, João de Deus Ramos Júnior e Clotilde Rafaela Battaglia Ramos. Ao longo dos anos colaborou com a imprensa periódica, continuou a produzir traduções e adaptações de obras de diversos autores, escreveu sermões para pregadores e iniciou a publicação da sua obra poética e dramática, publicando, em 1868, “Flores do Campo” e “Ramo de Flores”, em 1869.

Em 1870 foi convidado pelo senhor Rovere da Casa Rolland a criar um método de leitura de língua portuguesa, começando um grande projeto que demorou seis anos. 1876 foi um ano de grandes mudanças, publicou “Folhas Soltas” e, depois de seis anos dedicado a um projeto de ensino da arte da leitura, e agora com três filhos, João de Deus, preocupado com o analfabetismo do país, e tendo em pensamento as mães dessas crianças, a elas dedicou a “Cartilha Maternal”, um novo método de ensino e leitura, que tornou fácil e apelativa a aprendizagem da leitura e escrita, tornando Portugal num país em que a cultura chega a todos, pois todos a ela têm direito.

A “Cartilha Maternal” teve grande aceitação popular, sendo um sucesso e esgotando as várias edições muito rapidamente. Em 1883 foi aprovada pelas Cortes a “Cartilha Maternal ou Arte da Leitura”, passando a ser o método nacional de aprendizagem e a 2 de agosto de 1888 João de Deus é nomeado Comissário Geral do Método de Leitura Cartilha Maternal.

A Câmara Municipal de Silves preocupada com a aplicação deste novo método de ensino nas escolas do concelho sugeriu que um professor se deslocasse a Lisboa para ir receber explicações e orientações diretamente com João de Deus, tendo enviado “para este estudo o Professor d’instrucção primaria desta cidade, Jeronjmo d’Oliveira Pestana”.
Em 1893, foi publicado e coordenado por Teófilo Braga e com prefácio do mesmo, “Campo de Flores”, uma coletânea de poemas de João de Deus desde os tempos de estudante em Coimbra que o colocou entre os maiores cantores do amor do mundo.
Com a expansão do método da “Cartilha Maternal” João de Deus gozou de extraordinária popularidade, tornando-se numa das figuras mais populares do último quartel do século XIX português, sendo, ainda em vida objeto das mais variadas homenagens.

Assim sendo, a 8 de março de 1895 foi-lhe organizada uma homenagem à escala nacional, por iniciativa de Comissões académicas, onde uma enorme multidão composta por estudantes, de todo o país e de várias idades, professores, várias personalidades e acompanhados por muitos populares juntando-se no Rossio, desfilaram, a pé, em cortejo cívico, de cariz imponente e majestoso, provocando verdadeiro delírio e entusiasmo, pelas ruas de Lisboa em direção à casa de João de Deus. O poeta apareceu à janela, em companhia da família e dos amigos, visivelmente emocionado, e dedicaram-lhe canções, poemas e ofereceram-lhe presentes e ramos de flores. O rei D. Carlos associou-se a esta homenagem, chegando de carruagem, às 10 horas da manhã, e entrando na casa do poeta ofereceu-lhe as insígnias da grã-cruz da Ordem de Santiago da Espada. Nessa mesma noite assistiu ao sarau académico, no Teatro D. Maria II, que se encontrava todo ornamentado de flores, onde do camarote da família real assistiu a um espetáculo dos estudantes em sua homenagem.

Cartilha Maternal ou Arte de Leitura, de João de Deus, 1878

Homenagens

Por todo o país foram realizadas iniciativas comemorativas e Silves não foi exceção, tendo sido atribuído a uma das melhores ruas da cidade o seu nome, de acordo com a ata da sessão ordinária da Câmara Municipal realizada nesse mesmo dia “ pelo que propôs que a rua da Estalagem se chame no futuro de João de Deus” .

Foi também criada uma comissão para os festejos “Terminou o hodo aos pobres, dado pela commissão dos festejos, em homenagem ao distincto poeta João de Deus. Foram contemplados 100 pobres, faltando ainda os recolhidos. A comissão acompanhada de muito povo e de duas philarmonicas, dirige-se aos paços do concelho, a fim de pedir à vereação se digne dar a uma das principais ruas d’esta cidade, o nome do grande poeta. […] Depois, a camara municipal e a commissão dos festejos dirigiram-se á escola da Cooperativa Operaria, onde se realizou a mattine litteraria musical, que foi immensamente concorrida. Discursaram e recitaram poesias o prior d’esta cidade, professor da cooperativa Xavier Marreiros, Antonio Caldas Rosado e dr. Gomes, presidente da Camara, o qual presidiu à sessão. Reinou sempre grande enthusiasmo”. A noite realizou-se um “espectaculo de gala no teatro, que esta muito bem ornamentado e com o retrato do insigne poeta, sobre o proscenio. Està repleto de espectadores. É grande o enthusiasmo”. “Abrilhantaram a matine as duas philarmonicas d’esta cidade, que executaram brilhantemente differentes trechos de operas e zarzuelas”, in jornal “O Seculo” .

Em Messines também se festejou a data do nascimento de seu egregio filho. “ Tocou-se a alvorada, subindo ao ar innumeros foguetes. Uma musica percorre as ruas, acompanhada de muito povo, tocando em frente da casa onde nasceu o grande lyrico. É grande a animação. Está realisando-se o Te-Deum, a que assiste grande concurso de povo. Ouve-se continuamente o estalar dos foguetes”. “À noite musica e illuminação no largo, em frente da casa onde nasceu o poeta. Tocar-se-ha por essa occasião o hymno João de Deus”, in jornal “O Seculo”.

João de Deus viria a falecer, aos 65 anos de idade, no dia 11 de janeiro de 1896, pelas 9h45m, em casa, vítima de uma miocardite crónica. O funeral realizou-se quatro dias depois, na Igreja da Estrela. No dia 22, terminados os trabalhos de embalsamento, deu entrada no Mosteiro dos Jerónimos onde aí permaneceu até o seu corpo ser solenemente trasladado, em 1966, para o Panteão Nacional da Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa, após o término da sua edificação.

Na sessão ordinária, da Câmara de Silves, do dia 17 de janeiro, foi deliberado “consignar na acta da presente sessão um voto de profundo pezar pelo falecimento do Doutor João de Deus, o nosso maior poeta lyrico e o primeiro educador da infância”.
Aquando do descerramento de uma lápide evocativa a João de Deus, no dia 8 de março de 1909, colocada na casa onde cresceu o eminente poeta, junto ao adro da Igreja, onde se pode ler “ A João de Deus o egregio poeta lyrico e pedagogo insigne, cuja Cartilha Maternal ha de redimir a pátria. Nasceu a 8-3-1830. 1909”

Na sequência desta comemoração, no final do mês, a 31 de março, por proposta do Vereador Joaquim Tomé de Sousa Reis Remexido foi deliberado “dar o nome de João de Deus á rua que vae da Cruz Grande ate á Praça da povoação de S. Bartholomeu de Messines e que se fizesse aquisição de duas chapas com o nome da rua” .

Após a implantação da República surgiu um decreto que definiu os feriados nacionais e que dava liberdade aos concelhos para criarem o seu próprio feriado municipal. Deste modo, em reunião da Comissão Municipal Administrativa de 1 de março de 1911, Silves resolveu prestar mais uma homenagem ao poeta, escolhendo “o feriado n’este Concelho seja o dia 8 de março de cada anno, por ser o anniversario natalicio do poeta João de Deus.
Data que se comemorou por mais de cinquenta anos, até que na década de 1970 se mudou a data do feriado municipal para 3 de setembro, data do aniversário da conquista de Silves, aos mouros por D. Sancho I.

Em 1917 foi proposto pela Comissão Executiva da Câmara de Silves um requerimento propondo a criação da Escola de Ensino Comercial e Industrial. Desde logo foi escolhido para patrono da escola o nome do poeta João de Deus. A 23 de setembro de 1919 foi decretada pela Lei n.º895 a criação da Escola Elementar do Comércio e Indústria “João de Deus”.

A 8 de agosto de 1919 o presidente da Comissão Administrativa da Câmara de Silves, Henrique Martins, propõe que seja prestada mais uma homenagem a João de Deus, com a atribuição do seu nome ao largo do município, bem como a construção de um monumento ao pedagogo: “ (…); Atendendo a que o nome do Grande Poeta, Autor do “Campo de Flores”, ainda não recebeu a homenagem a que tinha jus, pois devido ao seu insubstituivel metodo “Cartilha Maternal”, assim o analfabetismo em Portugal tem desaparecido na sua grande parte (…)

Durante 25 anos, o largo do município teve a denominação de Largo Dr. João de Deus até que em 1944, na reunião de Câmara de 29 de abril, o presidente Salvador Gomes Vilarinho propôs “Considerando que o Grande Poeta “João de Deus” já foi homenageado dando-se o seu nome a uma das principais ruas da cidade e á Escola Industrial e Comercial, proponho: – que ao Largo João de Deus seja dado o nome tradicional de “Praça do Municipio” ” .

Sobre o monumento a erigir, na reunião da Câmara Municipal de 27 de novembro de 1919, o presidente António Vaz Mascarenhas manifesta-se favorável à homenagem mas discorda com o local escolhido para ser erigida a estátua, que a seu ver deveria ser erigida na povoação de Messines. Fica assim, decidido que a estátua seria erigida em S. Bartolomeu de Messines, sua terra natal, e é constituída uma comissão, de três membros, para a subscrição pública.
Mais tarde, em dezembro de 1926 foram examinados “vários projetos do pedestal para o monumento a João de Deus, projetos estes da autoria do senhor Samora Barros”.

No entanto, e após todas estas diligências, surgiu a ideia de que o busto de João de Deus devia ser colocado em Faro, no Jardim Manuel Bivar, em detrimento de S. Bartolomeu de Messines, o que desagradou imenso ao povo de Messines, à Junta de Freguesia, à Comissão e à própria Câmara que, a 6 de fevereiro de 1928, resolveu “telegrafar ao Excelentissimo Governador Civil deste Distrito, protestando contra o proposito da Camara Municipal de Faro, em colocar naquela cidade o busto de João de Deus, destinado á povoação de S. Bartolomeu de Messines” .
A 17 de junho de 1929 a Câmara recebe um “ofício da Junta de Freguesia de Messines, dando conhecimento de um telegrama dirigido a Sua Excelencia o Senhor Ministro do Interior, em que aquela Junta protesta contra a usurpação que se pretende fazer do busto de João de Deus, e pedindo para que esta Camara secunde o protesto daquela mesma Junta no sentido de serem respeitados os direitos dos habitantes daquela freguesia”. Esta contenda foi decidida pelo presidente do Ministério, Ivens Ferraz, por Portaria de 14 de novembro de 1929, deliberando colocar em Faro o busto de João de Deus o que desagradou todos os silvenses e aos messinenses, em particular.

Na sua terra natal

A 7 de junho de 1920, vai a reunião da Comissão Executiva da Câmara de Silves, um ofício da Junta Geral do Distrito de Faro comunicando a deliberação “pela qual foi aprovado a criação em Silves duma creche e em Messines de uma escola-jardim, para comemorar a memoria do glorioso poeta João Deus” . No entanto, por falta de verba, a edificação do Jardim-Escola João de Deus, em Messines, só veio a ser realizar anos mais tarde.
Volvidos mais de trinta anos retomou-se a ideia de erigir em S. Bartolomeu de Messines um monumento ao poeta, graças aos esforços da comissão pró-monumento a João de Deus, composta por Francisco Vargas Mogo, presidente da Junta de Freguesia, ficando a execução e os custos da obra a cargo do Ministério das Obras Públicas. Em maio de 1962 foi celebrado um contrato entre a Direção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais e o escultor Raul Xavier, para a elaboração do projeto. Na reunião da Câmara de 23 de outubro de 1962 foi escolhido o local para o monumento na nova avenida .

A inauguração do monumento decorreu a 8 de março de 1964, dia do aniversário natalício. Para esta inauguração o Presidente da Câmara Municipal, Dr. João Bernardino Meneres Sampaio Pimentel, deslocou-se a Lisboa para convidar o Ministro da Educação Nacional e o Ministro das Obras Públicas a assistirem à inauguração do monumento, que se fizeram representar pelos Subsecretários de Estado.

Nesse dia Messines recebeu milhares de pessoas e diferentes entidades, sendo um sucesso tremendo a inauguração do tão desejado monumento.

Dias mais tarde, por proposta do vereador Teófilo Neto foi deliberado “exarar em acta um voto de louvor ao Excelentíssimo Presidente da Câmara e à Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines pelo brilhantismo com que decorreram as cerimónias da inauguração do Monumento ao Poeta João de Deus (…) O Excelentíssimo Presidente da Câmara referiu-se à honra que Messines e o concelho de Silves tiveram com a visita das entidades oficiais que vieram à cerimónia e propoz que ficasse exarado em acta um voto de louvor ao encarregado de obras João Carlos Costa e ao carpinteiro Hernani Gordinho pela actividade desenvolvida na preparação da tribuna, o que foi aprovado.

Decorridos cinco anos, a 8 de março de 1969, o Grupo dos Amigos de Silves resolveu prestar uma homenagem ao ilustre poeta afixando uma placa na casa onde o poeta nascera, na rua da Estalagem, “Nesta pequenina casa nasceu um grande pedagogo, um genial poeta chamado João de Deus”.

Cinquenta e dois anos depois da primeira intenção de se construir em Messines um Jardim-Escola, finalmente é inaugurado a 8 de março de 1972 o Jardim Escola João de Deus, da iniciativa dum grupo de messinenses com o apoio da comparticipação da Fundação Calouste Gulbenkian.

A justa homenagem por parte da autarquia de Silves ao poeta João de Deus aconteceu no decorrer da década de 1980 quando a Câmara de Silves encetou diligências para adquirir a casa onde o poeta João de Deus viveu, junto ao adro da Igreja, para nela ser instalada o Museu João de Deus. Depois de vários contactos com os herdeiros, no ano de 1983, chegou-se a acordo sobre o preço de aquisição tendo-se procedido à compra do respetivo imóvel, por parte da Câmara Municipal de Silves.

Dez anos mais tarde, a 30 de dezembro de 1994 a Câmara, tendo como presidente José António Correia Viola, contrata o arquiteto Mário Varela Gomes como técnico responsável pela elaboração do projeto para a Casa Museu João de Deus. Este projeto enquadrou-se no processo de candidatura ao PROA, na sequência dos contatos bilaterais entre a C. M. Silves e a CCRA, e tinha como finalidade a execução da obra até janeiro de 1996, data do centenário do nascimento do poeta, o que acabou por não acontecer.
Dois anos depois, a 25 de outubro de 1997, procedeu-se à inauguração da Casa Museu João de Deus, um espaço aberto e livre à cultura, cumprindo-se assim uma antiga aspiração de todos os messinenses e uma vontade determinada da autarquia de Silves. Esta inauguração contou com o descerramento da lápide pela neta de João de Deus, Maria da Luz Ponces de Carvalho.

No ano de 2015 a Câmara Municipal de Silves procedeu à aquisição da casa onde nasceu João de Deus, localizada na Rua Francisco Vargas Mogo, antiga rua da Estalagem, em S. Bartolomeu de Messines.

Casa onde nasceu João de Deus

João de Deus, natural de Silves e filho ilustre de S. Bartolomeu de Messines, tem recebido, ao longo de todos estes anos, as mais variadas homenagens, prestadas por todos aqueles que ano após ano não deixam cair a sua memória no esquecimento e relembram os seus feitos enquanto poeta e pedagogo que revolucionou o panorama pedagógico nacional.

Bibliografia
CABRITA, Aurélio, “O busto que Faro usurpou e que deixou meio Algarve em alvoroço”, Parte I e II, Sulinformação, 22/03/2015 e 12/04/2015.
Jornal “O Antonio Maria”
Jornal “O Século”

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