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“Reabilitar a sede e envolver mais pessoas são os nossos objetivos”, diz Roberto Cabrita, presidente da Sociedade Recreativa Alcantarilhense

No dia 31 de janeiro de 1935 nascia em Alcantarilha a Sociedade Recreativa Alcantarilhense, com o lema “A União Faz a Força”. Oitenta e quatro anos volvidos, a antiga coletividade mantém as suas portas abertas e uma atividade regular.

Em dezembro de 2018 foram eleitos os atuais órgãos sociais. Mas não se poderá dizer que são novidade pois que, “desde 2006”, estes são formados basicamente pelas “mesmas pessoas que vão rodando os cargos”. “Já somos casados com a Sociedade”, diz Roberto Cabrita, o presidente da Direção, consultor imobiliário e atual presidente da Assembleia da União de Freguesias de Alcantarilha e Pêra.

Roberto Cabrita, presidente da Direção da SRA

Na Sociedade Recreativa Alcantarilhense, à semelhança do que acontece em tantas outras, as relações familiares e pessoais têm determinado a ligação à coletividade. Assim aconteceu com Roberto Cabrita e outros dirigentes da Sociedade “todos nós, na Direção, tivemos familiares que fizeram parte da Sociedade e dos órgãos sociais, éramos uns putos quando viemos para cá, e desde 2006 que temos uma equipa com a mesma malta, só que agora mais velha”.

Uma situação que também tem a ver com a dificuldade em conseguir encontrar pessoas disponíveis para assumir responsabilidades A Sociedade mantém ainda um bom número de sócios ativos “na ordem dos 300”, mas, ”de há uns anos para cá, os jovens não se interessam e os mais velhos dizem que estão descansados, que a Sociedade está bem, e ninguém quer ter a responsabilidade de um cargo”.

A dificuldade de conciliar a vida profissional e familiar com a de dirigente associativo é um dos grandes desafios que se coloca a quem se dedica às coletividades e pretende manter uma atividade constante.

Assim se vai mantendo este grupo de dirigentes, em que, atualmente José Manuel Estevão é o atual presidente da Assembleia Geral e Alexandre Costa, presidente do Conselho Fiscal. Um grupo, não pode a jornalista deixar de notar, composto só por homens… Mas não por nenhum motivo em particular, garante Roberto Cabrita, explicando que “até hoje só houve uma mulher na Direção”, mas que têm contado com o apoio de muitas mulheres. E que inclusive existe a ideia de criar uma “comissão de apoio à Direção, com mulheres” para a realização de iniciativas, “porque a gente só não chega”.

 

 

Planos para a sede

A Sociedade Recreativa Alcantarilhense ocupa um amplo edifício de dois andares. No rés do chão funciona o bar, que por aqui chamam de “bufete”, arrendado a um particular, e existe uma sala grande, onde também se realizam algumas festas e bailes. No piso de cima, além do gabinete da Direção, existe uma sala com boa dimensão e um pequeno palco, onde outrora se realizavam os grandes e memoráveis bailes da Sociedade, como o “Baile do 31” realizado a 31 de janeiro, na data da fundação da coletividade, o “Baile da Pinha”, os bailes do Carnaval e outros.

A sede da SRA no centro histórico de Alcantarilha

Estes bailes eram grandes aglutinadores sociais, datas importantes no calendário alcantarilhense. Hoje, a tradição está um pouco perdida, os rapazes já não espreitam as raparigas através do “aquário”, nome que davam a uma janela no corredor que permite ver a sala do baile.
É também aqui nesta sala que se encontra o problema que a direção da Sociedade vem tentando resolver há alguns anos. O chão, de soalho de madeira, não se encontra nas melhores condições de conservação e “não é que vá cair amanhã”, diz Roberto Cabrita, mas não se encontra nas condições ideais de segurança. Assim, os bailes que ainda se realizam foram transferidos para a sala de baixo e esta ficou reservada a eventos esporádicos, como, por exemplo, a comemoração do 84º aniversário, com a atuação do grupo Brasa Doirada, ou outros eventos culturais.

O antigo salão de bailes

A reabilitação da sede da Sociedade Recreativa Alcantarilhense é uma das grandes batalhas dos dirigentes da coletividade. Além da recuperação da sala do primeiro andar desejam fazer outras alterações com o objetivo de aproveitar e organizar melhor o espaço existente. Em 2015 foi feito um projeto e um orçamento geral para as obras e surgiu “uma estimativa de 300 mil euros”. Um valor incomportável, mesmo contando com as ajudas prometidas da Câmara Municipal de Silves e da União de Freguesias de Alcantarilha e Pêra. A alternativa passa por ir fazendo as obras em várias fases, usando os fundos que a Sociedade tem vindo a angariar para este fim e recorrendo aos apoios das entidades.

Uma das fontes de rendimento da Sociedade provém das receitas angariadas no decorrer da Feira dos Frutos Secos, que anualmente se realiza em Alcantarilha, nos primeiros dias de setembro. Há alguns anos, a Sociedade investiu na aquisição de uma barraca própria, para participar neste tipo de eventos, e durante a Feira “montamos a barraca e é dar no duro durante três dias”, explica o presidente da Direção.

Registos do passado

A falta de condições da sede da Sociedade tem vindo a incentivar à realização de iniciativas fora de portas, como o encontro anual de tunas, o Alcantunas, ou as Marchas Populares, que contam com um grupo de sócios formado “por 12 ou 14 pares”. Existe também um grupo de cantares de janeiras, “um grupo muito antigo que tem vindo a ser renovado” e que mantém a tradição, ao jeito que Roberto Cabrita prefere “eu gosto é de andar na rua, de porta em porta”, confessa sorridente.

Nesta conversa, realizada dois dias antes da comemoração do 84º aniversário, não se poderia deixar de falar do futuro de uma tão antiga coletividade e dos desafios que se colocam aos seus dirigentes e sócios.
“A reabilitação da sede para podermos fazer mais eventos cá dentro e a criação de salas para outras atividades” é o grande objetivo da Direção. Mas esse é um esforço que só fará sentido para o futuro se a Sociedade conseguir “encontrar gente jovem que continue a dar vida a esta Sociedade”.

Desafios complicados que, de uma forma geral, se estendem a todo o movimento associativo. Mas, para os anos mais próximos, a Sociedade Recreativa Alcantarilhense continua ativa e com projetos, já a pensar na comemoração do aniversário no próximo ano, o 85º, um número significativo.
Longa Vida à Sociedade Recreativa Alcantarilhense!

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