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Memórias breves (14) – Os coletes Jaune e Amarelo

Os coletes Jaune e Amarelo

A Europa está turbulenta. Em França chegaram les gilets Jaunes; em Portugal, os coletes amarelos. O populismo avança nesse inebriante poder.
Os gauleses vieram num pedido de valorização ao trabalho, segundo afirma o sociólogo da Universidade de Lille, Vann le Lann, especialista do Trabalho e coordenador no inquérito colectivo, entre outros professores de investigação, que analisaram os movimentos, em Paris e em todo o território dos “Gilets Jaunes”.

O sociólogo de Lille estima que a identidade do movimento, está centralizada sobre o reconhecimento do trabalho. No conjunto, afirmam os sociólogos, este tornou-se um assunto pessoal, porque os salários mínimos, inferiores a 1600 euros mensais, não se ajusta ao nível de vida. A mobilização dos assalariados não é conduzida pelos sindicatos, mas por eles próprios, por isso, se encontram aos fins de semana, sem passarem por grevistas, numa plataforma mais larga, para não perderem o salário do trabalho. Acrescentam que um governo que dispensa os milionários de pagarem impostos, como actualmente Macron o decidiu, sobrecarregando quem trabalha, não é um governo da república, nem de justiça para quem produz a riqueza da nação.
“Mr. Macron, os coletes amarelos, em França, passaram para uma plataforma reivindicativa.Assim continuaremos na nossa luta…Assim continuaremos” – Afirmam os intervenientes.
Não podemos, nem devemos conduzir a Europa a um estatuto belicista, com doença degenerativa, desde a Alemanha de Merkel e seus sucessivos auxiliares franceses. O que significa todo este alarido belicista, de uma Europa do euro, em que se impõem situações de lástima a quem trabalha e “orgias” bélicas de caprichos políticos e de chefias patuscas?

Em Portugal, notaram-se uns breves movimentos, que se dispersaram de norte a sul, em tempo “inútil”, pela desorganização personificada e de cariz “aventureiro”, sem outra classificação. O fracasso dessa versão lusa, não se mostrou visível nesse significado parisiense, que actualmente sofre dessa doença europeia.

As manifestações de imitação não levam, nem chegam a um fim reivindicativo quando o são, como foram, de imitação falsa, num “perfume” sem cheiro, desorganizado, fútil, em que os comparsas só foram isso… E a que “casta” pertencem?

Em 2014, quando as forças populistas europeias alcançaram êxitos eleitorais consideráveis: França, Itália, etc, assistia-se a uma crise política europeia, generalizada na zona euro… E, como assistimos com as intervenções da troika, foi evidente a gravidade social dos povos mais fragilizados, assomando-se à Europa central, como a França. Nesse empobrecimento de que ainda somos participantes efectivos: os governos de Papandreous e o que se seguiu teve o castigo de Berlusconi, entre outros, que se instalaram desde 2011, já com numa ideia central de populismo.

Já outro professor universitário, o português Viriato Seromenho Marques, nas suas crónicas assinadas, vem afirmando que a política dos partidos que se afirmam pró europeus, foi o de deixar manter o statu quo, deixando a iniciativa política ao protesto violento dos coletes amarelos e aos partidos populistas que procuram dar uma resposta grosseira e simplista à delicada e complexa situação europeia. Afirmando: A resposta de Macron ao protesto violento dos coletes amarelos, atirando esmolas aos pobres, foi medrosa e demagógica.
A maior parte da política europeia, porque é disso que se trata, vem na tradição secular de governos tradicionais. O livro, recente “Quem Governa a Europa do Sul”, edição “Imprensa da Imprensa de Ciências Sociais”, estudo dirigido por António Costa Pinto- cientista político do Instituto de Ciências Sociais, diz: “Portugal sempre teve uma elite política mais elitista do que as outras europeias, que se prolongam entre 1840- 2000”. A política em Portugal: um reino onde os pobres não entram. Temos o mais recente período, constituído depois da Revolução de Abril-1974 . Quem são eles, de onde vêm? Freitas do Amaral, Sá Carneiro, Mário Soares, etc. Figuras basilares da tradição. Não é difícil entender o porquê de mais de um milhão de trabalhadores, produtores da riqueza portuguesa, só a partir deste Janeiro de 2019, terem o ordenado mínimo de 600 euros. Por isso eu entendo que os coletes amarelos portugueses, vieram sem o sentido natural da situação política de quem trabalha em Portugal !

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