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Berliques & Berloques

Alguém sabe o que são artes de berliques e berloques? O dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia de Ciências de Lisboa refere que artes de berliques e berloques são ações por magia ou por processos misteriosos. Foi assim que me senti no último sábado (4 de janeiro de 2019) à tarde na Biblioteca Municipal de Silves. Mas retomemos ao início da história, como na televisão, no cinema ou mesmo na literatura, vejamos tudo o que aconteceu até ao presente momento e, como o filme não acaba onde começou, ainda alguns momentos posteriores aos berliques e berloques. Claro que a minha vida já começou há alguns anos e espero continuar a respirar ainda algum tempo, por isso este relato é apenas um minúsculo excerto (não me ocorre uma palavra menor que minúsculo, mas deve haver, talvez poeira, talvez átomo), um átomo da minha vivência, e, portanto, o artista não vai morrer no fim.

Dois dias antes, vi no facebook do Jornal Terra Ruiva (Paula, eu vou ao facebook ver as notícias) o anúncio de um workshop de fotografia ministrado por José Estiveira no sábado na Biblioteca Municipal de Silves. Pensei, boa, vou marcar na agenda e tentar estar presente. Workshop quer dizer oficina de trabalho e, normalmente, aplica-se este termo quando existe uma atividade prática, mas como não fazia referência à utilização de máquina fotográfica, imaginei que se trataria de um seminário ou mesmo de uma conferência.
Os dias passaram. No sábado à tarde, estava em casa a controlar a hora, vivo a dois minutos da Biblioteca Municipal, e quando já era praticamente 16 horas decidi sair e dirigir-me ao evento. Na rua ocorreu-me que talvez fosse necessária uma máquina fotográfica, tratava-se de um workshop, as palavras devem ter valor e serem empregue na justa medida do seu significado, mas não poderia regressar a casa para ir buscar uma máquina, não por falta de máquinas, nem de tempo, mas por falta de energia, nenhuma das baterias das máquinas estavam carregadas. Quando decido fotografar, tenho de preparar com antecedência a máquina e um dos aspetos essenciais é carregar as baterias e limpar as máquinas. Mas voltemos ao espaço imediatamente antes da entrada na Biblioteca Municipal, já na escadaria, um grupo de jovens, aí na casa dos vinte a trinta anos, ia também a entrar no edifício, uma rapariga dizia «Ofereceram-me uma máquina pelo Natal, mas não sei fotografar, vi este evento e pensei, uma boa oportunidade». Entrei no edifício.

Já dentro do edifício, meti conversa com a funcionária camarária que assegurava a receção, de máquina em punho, perguntando se era necessária máquina, sempre a pensar no workshop. Ela brincou comigo, dizendo que não, a máquina era só para registar o evento. Entrei na sala onde ocorrem os eventos e, para meu espanto, a sala estava manifestamente ocupada, com muitos jovens e alguns idosos, imagino conhecidos do conferencista. Tratou-se de facto de um seminário ou de uma conferência, honesta com algum desnorte, como estamos no sul, talvez dessul (inventei uma palavra nova), na forma de apresentar os conceitos, e uma tecnologia pouco atual para os recursos tecnológicos existentes.

Por artes de berliques e berloques, como é que estavam tantas pessoas, essencialmente jovens, neste evento? Será que tiveram todos prendas de máquinas fotográficas no Natal? Será que apareceram no evento para serem vistos? Vistos por quem?

Só a magia é que parece ser a causa desta enxurrada. Será que existe um novo grupo de gente jovem a querer fazer coisas em Silves?

E fotografia porque não!

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