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Este orçamento é poucochinho

Infelizmente, a capacidade financeira da Câmara Municipal de Silves é muito reduzida. Está longe de ser um concelho capacitado para grandes investimentos e apoios à sua população e infraestrutura. Isto acontece por consequência de uma série de condições próprias do nosso território e características do seu tecido empresarial e social. Obviamente que também podemos juntar a isto a forma de atuação dos nossos líderes municipais ao longo das décadas. Sabemos também das dificuldades dos últimos anos advindas da crise financeira global e o consequente corte do Governo Central às tranches financeiras para as autarquias, algo que ainda hoje estamos a tentar ultrapassar.

Tendo em consideração todas estas dificuldades, temos várias decisões a tomar, uma delas, o da cautela financeira, ponderando muito bem os gastos e tentando ao máximo equilibrar a balança receita-despesa, controlando minuciosamente o défice. Este é sem dúvida um caminho a seguir, o rigor. Este é também o caminho que este executivo da Câmara Municipal de Silves parece estar a percorrer, tentando não só controlar com rigor as contas, mas também negociar muito bem a dívida e os juros com as entidades bancárias e outros credores. Mas o executivo parece percorrer este caminho de uma forma bastante irrefletida e até inflexível (tendo em conta a não inclusão de propostas de outros partidos). Este é um orçamento com boas propostas de requalificação de espaços e urbanismo, realização de obras de interesse público, melhoria dos serviços municipais, apoios sociais e na educação, continuação da aposta em eventos importantes e cultura, etc. Mas estas propostas são propostas que nunca deverão faltar num orçamento municipal. São as chamadas propostas de autogestão. Estão inerentes a um executivo, quando eleito.

O que não podemos de forma alguma negligenciar neste tipo de documento é a estratégia do município para o futuro do concelho. E falamos em várias áreas, como o emprego, o investimento, a juventude, o ambiente, a mobilidade, ou seja, um plano credível de futuro, com investimentos ou ações que permitam colher frutos num futuro a curto, médio e longo prazo. O concelho tem tido um desempenho francamente abaixo daquilo que era de esperar, dentro da sua realidade algarvia, onde vemos municípios vizinhos (alguns do interior), como Monchique ou Lagoa, com uma dinamização muito mais forte, na atração de empresas, na retenção da sua juventude, na aposta de um turismo de qualidade, melhoria da mobilidade, o que permite um desempenho financeiro mais saudável, mesmo que nos seus orçamentos possam ter tido mais gastos para criar essas condições. Esses concelhos estão a melhorar pelas apostas que fizeram e continuam a fazer.

Não vou entrar por processos como a Fábrica do Inglês, o desassoreamento do Rio Arade, ou a desproporção de investimento e apoios entre as várias freguesias do concelho de Silves. São matérias importantes, mas o que pretendia demonstrar é a falta de uma linha estratégica do concelho neste orçamento municipal. Essa linha não está presente com medidas concretas.

Esperemos que a Assembleia Municipal, como órgão soberano, possa demonstrar alguma insatisfação e fazer com que o executivo e a restante vereação possam chegar a melhores consensos.

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