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Estudo de avaliação de risco de inundações apresenta Silves com várias situações críticas

O relatório “Avaliação preliminar do risco de inundações em Portugal Continental”, documento que se encontra em consulta pública até ao dia 16 de dezembro, aponta a existência de 12 áreas de risco significativo no Algarve, incluindo no concelho de Silves.

Segundo este estudo, realizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), existem em Portugal Continental 71 locais com risco grave de inundações, sendo que as zonas de maior risco se encontram junto ao Tejo e na zona oeste, junto aos rios Vouga, Mondego e Lis e junto às ribeiras do Algarve.

No Algarve, os concelhos que apresentam maior risco de inundações são os de Monchique, Aljezur, Vila Real de Santo António, Silves, Tavira, Albufeira, Loulé e Faro. O concelho de Vila Real de Santo António surge como o mais vulnerável.
Expostos estão também os concelhos nos quais a bacia de massa de água ocupa mais de 5% da área do concelho, nomeadamente Almodôvar, Lagoa, Loulé, Monchique, Portimão e Silves, sendo que no nosso concelho se contabilizam 22 massas de água.

Este estudo analisa todas as grandes inundações ocorridas desde 2011, tendo concluído que a grande maioria das 303 registadas tiveram como causa a forte precipitação, a subida dos rios e a deficiente drenagem. As ocorrências provocadas pelo mar não têm tido grande significado, mas verifica-se que os últimos temporais, Hercules e Stephanie, provocarem estragos na costa, nomeadamente em Armação de Pêra, destruindo os passadiços de acesso à praia.

Ainda no que se refere ao concelho de Silves, o relatório aborda as inundações provocadas por cheias, apontando a freguesia de São Bartolomeu de Messines como “uma zona na classe de risco elevado”, sendo uma zona de “cheias históricas” provocadas pelo aumento repentino e forte dos caudais das ribeiras existentes.

Inundações no Algoz, em consequência de forte precipitação e drenagem insuficiente (2015)

Prevenir o risco
Definidos e conhecidos os locais de risco, o objetivo da Agência Portuguesa do Ambiente é o de dar instrumentos para que cada concelho proceda à elaboração de planos de gestão de risco, em conjunto com a Proteção Civil. Um trabalho que deverá ocorrer ao longo de 2019, a partir da “simulação matemática de eventos de inundação”.
Sendo certo que muitas vezes não será possível evitar as inundações, o que se pretende é reduzir os riscos e evitar inundações graves, aquelas “que pelos seus efeitos negativos podem provocar a perda de vidas, a deslocação de populações, danos no ambiente e no património cultural, ser prejudiciais para a saúde humana, comprometer o desenvolvimento económico e prejudicar todas as atividades da comunidade”.

Destaca-se também a necessidade de tomar medidas preventivas para que possamos estar mais preparados para o impacto das alterações climáticas que se traduzem numa “tendência de concentração da precipitação em períodos mais curtos” e também num “aumento da frequência de eventos extremos”.

De referir ainda que este relatório está acessível ao público no sítio de internet da APA e na plataforma de partição pública “Participa”, “podendo assim ainda haver alterações na lista de ARPSI, caso sejam apresentados elementos que consubstanciem risco efetivo associado a eventos de inundação de acordo com a metodologia seguida para todos os eventos que foram analisados ao longo do ano de 2018.”

Inundações

Inundação fluvial. Fenómeno gerado pela ocorrência de precipitação durante vários dias ou semanas, por fenómenos intensos durante um curto período de tempo, ou pelo rápido degelo de massas de gelo, resultando no alagamento das áreas circundantes, com impacto na sua ocupação. A inundação fluvial pode ainda resultar da falha de uma estrutura de defesa, tal como um dique ou uma barragem.
Inundação pluvial – Resultam de eventos de precipitação intensa que saturam o sistema de drenagem, passando o excesso de água a fluir para as ruas e estruturas próximas.
Inundações repentinas – Inundações causadas pelo rápido aumento do nível da água em riachos, rios ou outros cursos de água, normalmente leitos secos, ou em áreas urbanas, geralmente como resultado de chuvas intensas numa área relativamente pequena ou de chuvas moderadas a intensas sobre superfícies terrestres impermeáveis, ocorrendo geralmente dentro de minutos a várias horas do evento de precipitação.
Inundação costeira. Fenómeno gerado pela subida temporária do nível do mar acima da amplitude normal da maré devido à ocorrência em simultâneo ou pontualmente de sobre elevação marítima, ondas, ventos ou tsunamis, levando ao galgamento da linha de costa e à inundação de zonas geralmente secas.

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