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Origem do nome de São Bartolomeu de Messines

“ Todas as afirmações referentes a factos históricos merecem, por uma questão de honestidade intelectual, que sejam feitas, com alguma reserva, a não ser quando a fonte não oferece quaisquer dúvidas”.

A explicação, que aqui proponho, para a origem do nome de São Bartolomeu de Messines, é feita nesse pressuposto.

Este é um tema que me tem merecido um natural empenho e curiosidade, o de conhecer, um pouco mais, sobre as nossas origens, no que diz respeito ao nome da terra que nos viu nascer.

 

Messines

É consensual que a designação árabe para a nossa aldeia, à data de 1189, era Mussiene, ao tempo em que Silves foi conquistada.

Segundo pesquisas que fiz – visto que o árabe não é a minha área -, Mussiene terá tido origem no ár. mâzin, elogioso.

Acontecia, entre os árabes, embora com pouca frequência, serem utilizados adjectivos para topónimos.

É o caso de Elvas, do ár. ilbâx, risonha.

Ou de Ourique, do ár. wariq, verdejante.

Ou, ainda, de Alte, do ár. alṭaf, elegante

As palavras têm vida, na boca do povo que as cria, e evoluem, ao longo dos séculos, para formas de dicção mais fácil.

Terá sido o caso de Mussiene, de que resultou Messines.

 

São Bartolomeu

São Bartolomeu

É do conhecimento comum que foi um procedimento católico de sempre consagrar um qualquer santo a um templo construído ou a uma localidade.

A Igreja Matriz de Messines, construída no século XVI, foi consagrada a São Bartolomeu, santo que passou a ser o seu orago, corruptela de oráculo, isto é, o santo a quem os fiéis desse templo deveriam orar.

É nesse mesmo âmbito que encontramos consagrados às nossas 4 ermidas os santos São Sebastião, Senhora da Saúde, São Pedro e Santa Ana (Santana).

A partir da data da edificação da Matriz, a aldeia – cujo nome, no século XVI, terá já evoluído de Mussiene para a forma definitiva, Messines -, passou a designar-se São Bartolomeu de Messines.

 

 

Não é consensual a explicação para a origem do nome Bartolomeu. São duas as propostas conhecidas.

Uma delas sustenta que Bartolomeu, que era judeu e um dos doze apóstolos de Cristo, provém do aramaico Bar, filho + Talmai (literalmente, ‘filho de Talmai‘ ).

Outra defende que terá vindo do aramaico Bar, filho + gr. Tholemai (à letra, ‘filho de Ptolomeu’ ), uma vez que Tholemai é o grego Ptolomeu com a aférese do ‘P-‘.

Poderia desenvolver mais este interessante tema, mas o espaço obriga a contenção.

Em resumo do que acima exponho, direi que a mesma lógica que subjazeu à formação do nome de São Bartolomeu de Messines, com a consagração de um santo, foi a que presidiu à de vários outros topónimos, alguns deles bem conhecidos, como: – Santa Bárbara de ‘Nexe’, do árabe naxâ, juventude

Santa Iria de ‘Azóia’, do árabe az-zâwiya, ermida.

Santa Marta de ‘Penaguião’, do ár. ben agyan, filho da verdura.

Santa Maria de ‘Marvão’, do ár. marwân, sílex.

Santa Maria do ‘Zêzere’, do ár. za ʽza ʽa , convulsão, agitação violenta.

Santiago de ‘Cacém’, do ár. qâsim, o separador (do bem e do mal).

São Caetano de ‘Odivelas’, do ár. wâdî  ballâ, rio da louça de barro.

São Domingos de ‘Benfica’, do ár. ben fiqa, filho da calmeirona (alta).

São Lourenço do ‘Bairro’, do ár. barrî, exterior.

São Martinho da ‘Gândara’, do ár. jandal, calhau, charneca.

São Miguel de ‘Ceide’, do ár. sîd, senhor, príncipe.

São Miguel de ‘Machede’, do ár. maxhad, local do enterramento.

São Pedro de ‘Sarracenos’, do ár. sarqâ ’yîn, (homens) do deserto.

 

Texto de José Domingos

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