Home / Memórias / Memórias: Silvenses que participaram na Primeira Guerra Mundial

Memórias: Silvenses que participaram na Primeira Guerra Mundial

Memórias: Na celebração do Armistício, o Terra Ruiva lembra os “Silvenses que participaram na Primeira Guerra Mundial”, texto publicado na edição nº 157, de julho de 2014, por ocasião da exposição promovida pelo Arquivo Municipal de Silves, a lembrar o Centenário da Primeira Guerra Mundial. Um trabalho realizado por Vera Gonçalves. 

A Primeira Guerra Mundial, também conhecida como Grande Guerra ou Guerra das Guerras, foi um conflito bélico mundial que teve início a 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918.

O assassinato do príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro em Sarajevo, na Bósnia, a 28 de junho de 1914, serve de pretexto para por em prática o conflito que envolveu as grandes potências mundiais, que organizaram-se em duas alianças políticas opostas: os Aliados – com base na Tríplice Entente (França, Rússia e Inglaterra) e os Impérios Centrais – a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália), mas, como a Áustria-Hungria tomou ofensiva contra o acordo, a Itália acabou por lutar ao lado dos Aliados.

Mais de 70 milhões de militares foram mobilizados para combater e mais de 9 milhões perderam a vida naquela que foi uma das maiores guerras da história.

Portugal participou no conflito ao lado dos Aliados. Na primeira etapa do conflito, 1914, participou, militarmente, na guerra com o envio de tropas para Angola e Moçambique para a defesa das colónias africanas ameaçadas pela Alemanha.

Embarque de tropas para Angola

Em 1915, as tropas mobilizadas são deslocadas, por via-férrea, para diferentes centros de instrução espalhados pelo país e marcham, mais tarde, para se concentrarem na unidade de instrução em Tancos, onde receberam instrução intensiva e reforçada.

A 23 de fevereiro de 1916 os militares portugueses tomaram posse de 72 navios mercantes alemães atracados nos portos nacionais e das colónias.

A 9 de março de 1916, o governo da Alemanha entrega a declaração oficial de guerra a Portugal.

A participação portuguesa na 1.ª Guerra Mundial mobilizou quase 200 mil homens e as perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos.

Em 1917, as tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário Português (CEP), seguiram em direção a Flandres, envolvendo-se em combates na França.

Tropas portuguesas em Flandres

O CEP contou com vários oficiais e soldados algarvios, entre eles destacam-se o coronel João Ortigão Peres (Alcantarilha), o tenente David Rodrigues Neto (Algoz), Pedro de Freitas (Loulé), Mateus Martins Moreno (Faro) e muitos outros que partiram para Angola, Moçambique e para as trincheiras da Flandres.

Do Algarve partiu o Batalhão n.º3, do Regimento de Infantaria 4, formado por pessoal recrutado em toda a região algarvia e instruído em Tavira enquanto o Regimento de Infantaria 33, de Lagos, não embarcou para o campo de batalha.

Os efeitos da guerra fizeram-se sentir no Algarve que saiu lesado económica e socialmente com a descida do nível de vida, dificuldades de abastecimento e de circulação devido à carência de matérias-primas, de combustíveis e alimentos o que também provocou a subida dos preços dos combustíveis e dos preços alimentares.

Na costa algarvia assistiu-se à constante presença dos navios de guerra portugueses que combatiam a presença de submarinos alemães, tendo sido requisitados vários navios de pesca do arrasto para atuarem como draga-minas e fiscalizadores das águas e portos, sofrendo adaptações militares necessárias, com o objetivo de vigilância militar ao longo da costa algarvia.

A vigilância da Costa do Algarve era efetuada pela Esquadrilha Fiscal do Sul, da qual fazia parte a canhoneira “NRP Lúrio”, o rebocador “NRP Lidador”, a lancha-canhoneira “NRP Rio Minho”, o lança-minas “NRP Vulcano” e o “NRP Galeo” e o vapor “Carregado”. Para além destes meios navais contava com o apoio de um posto radiotelegráfico montado no Alto de Santo António, em Faro.

Como a população algarvia temia, em terra e no mar, os ataques inimigos dos submersíveis alemães, a iluminação pública junto ao mar foi reduzida com o intuito de prevenir qualquer ataque.

Prisioneiros de guerra portugueses

Os soldados algarvios que partiram para a guerra foram encontrar um mundo desconhecido, desde uma nova língua, ao clima. Habituados a um clima ameno foram encontrar um clima tropical em África; e em França o frio, a neve e os seus efeitos colaterais quando misturada com lama, alimentação escassa marcada, muitas vezes, pela fome e a dura vida das trincheira. Bem como as saudades da família e o encontro permanente com a morte.

 

Silvenses que participaram na 1ª Grande Guerra

 

Coronel João Ortigão Peres

Coronel João Ortigão Peres

Nasceu em Alcantarilha no dia 13 de março de 1872. Para fazer frente ao ataque das forças alemãs, vindas da África Alemã do Sudoeste, a 5 de março de 1915 partiu para a expedição a Luanda, Angola, na qualidade de Chefe do Estado Maior do General Pereira d’Eça, novo governador de Angola e comandante das forças expedicionárias, nomeado pelo governo ditatorial de Pimenta de Castro. Senador pelo Algarve em 13 de junho de 1915. Diretor do Serviço de Informações, em 1916, e adido militar na Legação de Portugal em França desde 11 de novembro de 1916.

Tenente David Rodrigues Neto

Tenente David Neto

Nasceu em Algoz no dia 31 de março de 1895. Frequentou o curso de oficiais milicianos de infantaria e com o posto de alferes seguiu para França, integrando o Corpo Expedicionário Português (CEP). No campo da Flandres, enquanto se deslocava, apenas acompanhado do seu ordenança, capturou uma patrulha alemã, que se aventurava próximo da posição portuguesa. Este ato de coragem levou a que o governo inglês o agraciasse com a Military Cross e também recebeu a Cruz de Guerra e, por distinção, foi promovido ao posto de Tenente. Foi preso na sequência da batalha de La Lys, a 9 de abril de 1918, onde foi feito prisioneiro, com o resto do Corpo Expedicionário Português, num campo de concentração alemão, do qual conseguiu evadir-se e alcançar a Dinamarca, já no mês de novembro, no final da guerra.

 

 

 

António Lúcio

António Lúcio

Nasceu em S. Bartolomeu de Messines no dia 26 de abril de 1895. Fazendo parte do Corpo Expedicionário Português embarcou para Flandres, em 1917, como maqueiro. Embarcou em Lisboa a 20/04/1917 e desembarcou no mesmo sítio a 19/05/1919. (É bisavô do colaborador do Terra Ruiva, Aurélio Cabrita.)

José Cirilo

Nasceu na Amorosa, freguesia de S. Bartolomeu de Messines, no dia 13 de novembro de 1894. Soldado do Regimento de Infantaria 33 em 12 de janeiro de 1916. Aprendiz de corneteiro em 19 de janeiro de 1916. Passou a soldado a 14 de maio de 1916. Fazendo parte do Corpo Expedicionário Português embarcou para França em 20 de janeiro de 1917 e regressou a 29 de julho de 1918. Passou à 6ª Companhia de Reformados em 1 de janeiro de 1920. Foi-lhe arbitrado 40% de invalidez. Passou a 1º Cabo em 9 de março de 1922. Foi promovido a 2º Sargento em 3 de novembro de 1923. Passou para a 9ª Companhia de Reformados a 1 de dezembro de 1924.Foi considerado “Grande Invalido” a 1 de fevereiro de 1932 e deixou de ser assim considerado a 16 de dezembro do mesmo ano. Passou à 7ª Companhia de Reformados a 1 de março de 1939. Passou ao Quartel General do 4º Regime Militar em 1 de janeiro de 1941

Prémios, condecorações e louvores:

  • Medalha de cobre Comemorativa das Campanhas do Exercito Português, com a legenda “França 1917-1918”, a 12 abril de 1919
  • Medalha da Victoria – 1919

 

Luís de Freitas Figueiredo Mascarenhas

Nasceu em S. Bartolomeu de Messines a 9 de outubro de 1894. Soldado do Regimento de Infantaria 33 em 15 de janeiro de 1915. Passou ao 3º batalhão a 13 de fevereiro de 1915. Promovido a 2º Cabo em 4 de junho de 1915. Passou a 1º Cabo miliciano a 30 de setembro de 1915. Passou ao 2º batalhão a 13 de junho de 1916. Promovido a 2º Sargento miliciano a 26 de agosto de 1916. Passou ao 3º batalhão a 20 de setembro de 1916. Passou à Companhia de Automobilistas em 9 de junho de 1918. Baixa do serviço em 20 de agosto por ter sido julgado incapaz. Durante o serviço militar frequentou a Escola de Sargentos, em 1916. Fardou-se por conta própria

 Manuel Leandro

Nasceu na Palhinha, freguesia de Silves, a 15 de janeiro de 1893. Embarcou para Angola, fazendo parte da expedição aquela província em 17 de fevereiro de 1915 e desembarcou em Moçâmedes a 7 de março.

Tomou parte na ação da Môngua, no Sul de Angola, no dia 17 de agosto de 1915 quando a principal coluna das forças expedicionárias, comandada pelo general Pereira d’Eça, dispersa um ataque realizado contra as cacimbas (depósito de água) e participou nos combates ocorridos a 18 e 19 de agosto na Chana da Môngua, por fazer parte do destacamento do Cuanhama. Embarcou de regresso no dia 16 de novembro e desembarcou em Lisboa a 4 de dezembro de 1915.

Manuel da Guia

Nasceu na Carrasqueira, freguesia de S. Bartolomeu de Messines, a 11 de maio de 1894.Pertencendo, desde 1 de maio de 1915, ao 4º Grupo de Metralhadoras foi nomeado para fazer parte da expedição a Moçambique a 26 de abril de 1916. Embarcou a 29 de maio e desembarcou, em Palma, a 2 de junho. Embarcou de regresso no dia 24 de outubro e desembarcou, em Lisboa, a 13 de dezembro.

José Cabrita

Nasceu em S. Bartolomeu de Messines, a 8 de fevereiro de 1893. Fazendo parte do Corpo Expedicionário Português embarcou para França em 21 de abril de 1917 e regressou a 11 de janeiro de 1920.

António Cabrita Guerreiro

Nasceu em Vale Fontes, freguesia de S. Bartolomeu de Messines a 4 de julho de 1895. Pertencendo ao R. A. M foi destacado para a província de Moçambique a 23 de setembro de 1917 e desembarcou a 23 de outubro. Embarcou de regresso no dia 18 de maio de 1919 e desembarcou no porto de Lisboa a 16 de junho

Jerónimo

Nasceu em Vala, freguesia de Silves a 24 de junho 1896. Alistou-se como aprendiz de corneteiro e foi promovido a corneteiro a 13 de junho de 1917. Fazendo parte do Corpo Expedicionário Português embarcou para França a 8 de agosto de 1917. Desembarcou em Lisboa de regresso da França a 13 de setembro de 1918.

Dr. José Abelho Telo Mexia

Ofício do médico de S. Bartolomeu de Messines, Dr. José Abelho Telo Mexia, informando que vai servir como alferes-médico no Regimento de Infantaria n.º4.

 

Silvenses falecidos na 1ª Guerra Mundial

Do concelho de Silves 14 homens perderam a vida em combate:

Alcantarilha:

Carlos dos Santos – Soldado, faleceu em combate na França a 20 de junho de 1918.

Herculano Ramos – Soldado, faleceu em combate na França a 25 de abril de 1918.

Algoz:

Luís Artur Martins – Soldado, faleceu em França a 12 de novembro de 1918.

 

  1. Bartolomeu de Messines:

Joaquim Correia – Alferes, faleceu em combate na batalha de La Lys, França, no dia 9 de abril de 1918. Foi condecorado a título póstumo, com a medalha de prata de Comportamento Exemplar (19/12/1918) e a medalha comemorativa das Campanhas do Exército Português (28/12/1918).

Joaquim da Luz – 1º Cabo, faleceu em França a 18 de setembro de 1918.

Joaquim Inácio – Soldado, faleceu de febre biliosa hemoglobinúrica, em Moçambique a 8 de setembro de 1916.

José Domingos de Oliveira – Soldado, faleceu em França a 6 de dezembro de 1918.

Manuel Martins Eugénio – 1º Cabo, faleceu em França a 29 de outubro de 1918.

Manuel Neves – 2º Cabo, faleceu em Moçambique (no mar) a 10 de outubro de 1918.

Marcial – Soldado, faleceu em Angola a 14 de julho de 1915.

 

  1. Marcos da Serra:

– José Miguel – Soldado, faleceu em combate na França a 12 de março de 1918.

 

Silves:

– João Inácio – Soldado, faleceu de doença em Angola a 29 de maio de 1918.

– José da Conceição Mascarenhas – 1º Grumete, faleceu de Gripe e impaludismo em Moçambique a 1 de dezembro de 1918.

– Sebastião Rodrigues – Soldado, faleceu em França a 9 de abril de 1918.

 

[Fonte: Arquivo Histórico Militar – Memorial aos mortos na Grande Guerra]

 

 

 

Veja Também

Memórias: Depois do tornado de 16 de novembro de 2012

Memórias: Nesta secção recuperamos o texto publicado na edição nº 138,  sobre o tornado que …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *