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Mais protestos contra a transferência da Direção Ferroviária de Tunes para Faro

O encerramento da Direção Ferroviária de Tunes e a transferência dos serviços e dos seus 25 trabalhadores para Faro apanhou de surpresa os próprios e as entidades locais.
Assembleia Municipal de Silves, Câmara Municipal de Silves e União de Freguesias de Algoz e Tunes estão contra esta decisão que consideram prejudicial para a localidade e para a freguesia.

O edifício da Direção Ferriviária de Tunes, do outro lado da estação

Como o Terra Ruiva noticiou anteriormente, a Direção Ferroviária de Tunes, a 3ª mais importante a sul do país, foi encerrada no dia 17 de setembro, transferindo para Faro os seus 25 trabalhadores.
Esta situação terá apanhado os trabalhadores de surpresa sendo que a Comissão de Trabalhadores solicitou uma reunião ao executivo da Câmara Municipal de Silves para informar a autarquia sobre este processo que, diz, não foi sujeito “ a negociação prévia”, e está a causar transtornos familiares a oito funcionários que pediram “expressamente para continuar em Tunes”.
Já a empresa, a Infraestruturas de Portugal, questionada pela autarquia de Silves sobre as razões desta transferência considera que é uma “medida que melhora a operacionalidade da empresa, fortalece a coesão das equipas e beneficia a maioria dos trabalhadores envolvidos”.
Sobre os 8 funcionários que pediram para continuar em Tunes, diz a IP que teve o cuidado de “acautelar atempadamente uma solução” que permite aos mesmos manter-se em Tunes, “noutras instalações” que também recebem as equipas operacionais da IP ligadas à manutenção das infraestruturas ferroviárias que se encontravam sediadas em Tunes e que aí se mantiveram.
Já as instalações agora desocupadas “estão a ser objeto de negociação para subconcessão de uma unidade hoteleira, com investimento privado”, acrescenta a IP. Um investimento, adianta, que “contribuirá decisivamente para incrementar a dinamização de atividades turísticas, económicas e sociais na freguesia de Tunes”, com “efeitos benéficos” para o Município de Silves.

Município quer reverter a situação
Entretanto, em comunicado, a Câmara Municipal de Silves fez saber que “discorda firmemente” da decisão da IP e que irá bater-se “pela reversão” da mesma.
Para o Município “a possibilidade da instalação de uma unidade hoteleira em Tunes, hipótese acenada pela IP” é, “um investimento que é sempre bem-vindo” mas, “no caso em concreto, não compensa nem pode justificar a extinção da Direção Ferroviária de Tunes”.
“O Município de Silves discorda da medida por ferir os interesses de Tunes, do concelho e do próprio conceito de desenvolvimento regional, que obriga a apostar no interior e nos pequenos centros urbanos, debelando as assimetrias intrarregionais e evitando a concentração recorrente do investimento, das empresas e dos serviços no litoral e nas maiores cidades. A decisão tomada pela IP, grande empresa pública, com papel estratégico no desenvolvimento económico-social do país, em nada é consentânea com o discurso oficial de reforço da coesão social e territorial.
O que se impunha era manter, valorizar e requalificar a Direção Ferroviária de Tunes, a 3.ª a sul do país, localizada num importante local estratégico e interface, que movimenta elevado número de passageiros e desenvolve relevante atividade ferroviária, numa terra já de si com longa história e tradições no campo da ferrovia”, acrescenta o comunicado.

Outros protestos
Também a Assembleia Municipal de Silves, reunida a 28 de setembro, aprovou por unanimidade uma moção apresentada pela CDU, expressando a sua discordância em relação a este encerramento, tendo, no mesmo dia, sido tomada posição idêntica na reunião da Assembleia da União de Freguesias de Algoz e Tunes.
Em Tunes tem estado a circular um abaixo- assinado protestando contra esta decisão da IP e afirmando que não se compreende que esta “terra com longa história e tradições no campo da ferrovia, situando-se num local estratégico com importante interface, dispondo de Estação de Caminhos-de-Ferro que movimenta enorme volume de passageiros e desenvolve relevante atividade ferroviária, dispondo de espaços próprios, suficientes e condignos, seja preterida e secundarizada”.
Numa reação a estes acontecimentos, o PCP organizou no dia 29 de setembro, uma Tribuna Pública, no Largo da Estação, em Tunes.
A ação contou com as presenças de Miguel Viegas, deputado no Parlamento Europeu, e de Paulo Sá, deputado na Assembleia da República.

Os deputados Miguel Viegas e Paulo Sá, com Tiago Raposo

Na sua intervenção, o deputado Paulo Sá insurgiu-se contra o encerramento da Direção Ferroviária de Tunes e a transferência de serviços “para o litoral” e aquilo que considerou uma “tentativa de gerar receita por via da alienação do património público” pelo que se manifestou a favor da “reversão desta medida”. E afirmou que iria questionar, através da Assembleia da República, o Ministro do Planeamento e das Infraestruturas sobre este processo.
Paulo Sá abordou ainda o tema da Linha Ferroviária do Algarve “uma linha antiquada que não serve as necessidades regionais” e defendeu uma “intervenção urgente, já e agora”.
Por sua vez, o deputado do Parlamento Europeu, Miguel Viegas criticou este encerramento, afirmando que o mesmo se enquadra “numa engrenagem mais vasta” que não respeita a “importância de manter os serviços de proximidade”.
Já a seguir a esta ação do PCP, o Terra Ruiva ouviu algumas das pessoas presentes que questionaram a transferência dos funcionários para Faro quando a IP tem instalações anexas à Estação da CP que não são utilizadas. Podiam fazer o hostel sem ter de encerrar o serviço e levar daqui os trabalhadores, foi uma opinião expressa várias vezes. Tanto mais que estes funcionários, ao que nos foi dito, passaram a estar sediados em Faro mas continuam a exercer funções no seu local de trabalho habitual, na linha do Barlavento Algarvio.

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