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Memórias Breves (10) Agosto de Má Memória

AGOSTO DE MÁ  MEMÓRIA =  Apontamentos diversos em que Monchique esteve no cerne dos acontecimentos graves e que  perdurar-se- ão nas nossas memórias pelas tragédias cometidas, que só há ambição e mais ambição, nas palavras do pastor da serra de  Monchique, José Casimiro Duarte, em que : A ganância deu cabo da nossa serra! Que voz é essa da razão. A que se juntaram outras vozes e alguns silêncios, a ministra da agricultura, do anterior governo, nessa determinação em autorizar, plenamente, a plantação desse fósforo, chamado eucalipto.  Hoje penso, nessa vontade e continuidade do lucro rápido e das mortes concretas de 2017/18, sendo anos em sucessões trágicas de olhos vendados pelo lucro da velocidade milionária.

Hoje, domingo 19/08/18, vem a notícia de alguém que morreu, um milionário português zangado por o Governo (2016) mostrar vontade em proibir as plantações de eucalipto… está entendido, essa força do lucro do milionário de + de mil milhões, que só o lucro lhe interessava numas nesgas de terra, em plantações rápidas dos fósforos incendiários. E as suas fábricas produtoras do papel e do lucro rápido… estamos entendidos. Mas há quem assim não entenda…Mas  vamos entender as palavras de sofrimento do pastor da Serra  de Monchique, na sua sabedoria natural : “Só a  ganância que deu cabo da Serra”. O pastor, segundo as informações, e as suas próprias afirmações, assistiu in loco, ao início do incêndio alastrando por todo o lugar. Impotente, sem mais que correr, a abandonar o seu breve rebanho, para que os bombeiros acudam à serra feita fósforo…

Li no semanário “Jornal do Algarve”, edição 16/08/18, as palavras  da presidente da Câmara de Silves, assim como as do presidente da Câmara de Monchique, em que ambos se lamentam. Tomo as informações da presidente da Câmara de Silves, pelo conhecimento da Autarca/Professora: Rosa Palma, nessa sua atitude de mulher, que se lastima pela situação criada… O Nuno Couto, jornalista do J.A., publica : “Em reação à polémica em torno dos eucaliptos, Rosa Palma está do lado dos que consideram que “esta espécie é um problema na serra algarvia. Os  eucaliptos são um problema, porque parecem bombas a arder”. Reproduzindo as palavras de Rui André, presidente da Câmara de Monchique:  “Estamos numa fase de Luto e tristeza”… Sobre os especialistas que defendem que a elevada perigosidade do incêndio na serra de Monchique deve-se sobretudo ao comportamento do fogo nos eucaliptos, com projeções de partículas incandescentes a vários quilómetros, Rui André salienta  que tem “muitas dúvidas” de “que o eucalipto seja responsável por esses incêndios”. Já o defunto milionário Queiroz, assim o entendeu. Opiniões divergentes. Assim como interesses… desconcertantes!

Mas lembre-se o estudo do engenheiro silvicultor, Fernando Varela, publicado no “Diário de Notícias” (30/05/1993): “Petróleo Verde”, referindo-se ao eucalipto, estudo que ficou fechado na gaveta, por não haver interesse pela defesa da serra.  A filha do cientista, Raquel Varela, veio lembrar o  estudo, sem aplicação, do pai, Afirmando: “ Imaginem só como podia ser paradisíaco a serra de Monchique com menos eucaliptos, com uma bela floresta diversificada, para lá do “petróleo verde”. Já o Catedrático Viriato Seromenho Marques afirmava, 12/08/18 no D.N. que o  gigantesco e interminável incêndio de Monchique revela  “que a aposta na vertente de combate, e dos respectivos  meios, não substituiu a prioridade estratégica de um prolongado e dispendioso  reordenamento  florestal que  terá de colidir com poderosos interesses económicos  instalados.”

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