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E depois do petróleo?

Augusto Santos Silva, o nosso Ministro dos Negócios Estrageiros, que até tenho em muita consideração, foi o testa de ferro de António Costa nesta trapalhada do petróleo no Algarve. Prospecção apenas, dizia o senhor Ministro. Mas que me digam uma operação a nível global que tenha apenas prospecção e não produção também?

Gastam rios de dinheiro apenas para prospetar? António Costa por sua vez foi o testa de ferro dos interesses das grandes multinacionais petrolíferas, o que é extremamente embaraçoso, para um político que usa as energias renováveis e o ambiente como bandeiras. Os sinais estiveram todos lá, como as capas de jornais a falar de milhões (até triliões) de barris no Alentejo e Algarve, no mesmo dia de inúmeras manifestações públicas contra, ou a inexistência de estudos sobre impacto ambiental. São sinais da degradação das instituições públicas sob a pressão dos grandes grupos de poder.

No Algarve foi único ver praticamente toda a sociedade civil, instituições e Câmaras Municipais contra esta “prospecção”. Por todas as razões que conhecemos, já enumeradas mil vezes por vários, desde o aquecimento global à afetação do turismo, o principal sector económico na região.

Ainda assim, não bastará dizer não, pois o vazio terá de ser preenchido. Temos um problema energético, o que acarreta uma oportunidade. O Algarve, o nosso concelho de Silves, podem tornar-se centros importantes de renováveis, trilhando o caminho que já está a ser feito pelas maiores e mais inovadoras economias mundiais.

É com eles que temos de estar, não com a ENI/GALP. Já existe investimento, nacional e estrangeiro, no Algarve para este sector, sendo o mais proeminente, os 200 milhões de euros aplicados em Alcoutim, por irlandeses e chineses, num gigante parque solar. Mas não é só no investimento que temos movimentações interessantes, porque programas públicos como o CRESC Algarve têm verbas para iniciativas empresariais que envolvam renováveis.

Em Silves existem todas as condições para aproveitarmos estes incentivos. Serras para parques eólicos, exposição solar para parques solares e mar para energia das ondas. Temos o exemplo da instalação do parque solar da Martifer em Avalades, em 2012, um trabalho que convém ter continuidade. A atração deste tipo de empresas depende não apenas das boas condições geográficas e meteorológicas, mas também do ambiente criado pelo município. A procura por empresas e projetos terá de ser ativa e não passiva. Gabinetes de apoio têm de ser criados e medidas bem talhadas. A coordenação entre entidades e a Câmara também não tem sido a melhor. Mais atenção, porque esta é uma oportunidade de diversificar a economia silvense, ao mesmo tempo que damos o exemplo de bom aluno nas práticas ambientais, servindo de referencia nacional, e talvez internacional.

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