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De novo, o flagelo dos incêndios

15 anos depois os incêndios voltaram em força ao concelho de Silves, tendo origem na serra de Monchique, como anteriormente. Se em 2003 a área ardida atingiu 43 mil hectares, em 2018 a calamidade retrocedeu para 27 mil hectares, representando à data, recorde europeu, que em nada nos honra.

No concelho de Silves, apesar do extraordinário esforço levado a cabo pelo Município desde 2014, em termos de execução de faixas de execução de combustível com a largura aproximada de 26 metros, faixas de interrupção de combustível, nalguns casos superiores a 100 metros de largura, abertura e limpeza de caminhos, aceiros, pontos de água, recorrendo a meios próprios, a parceria pioneira com o exército português ou à contratação privada, com incidência nas freguesias de Silves, S. B. de Messines e S. Marcos da Serra, especialmente, criando um semi-anel em redor da cidade de Silves (Enxerim, Monte Branco, Caniné, Caixa d´Água, Odelouca, Vale de Lama e Falacho), o fogo invadiu em força o seu território, aproximando-se perigosamente de habitações e de vários núcleos urbanos.

Em comparação com 2003 arderam menos 3 mil hectares num total de 10 mil hectares, facto que também não nos consola. É convicção popular, como também a opinião de personalidades com experiência e conhecimento, e de autarcas com responsabilidade máxima, que houve falhas notórias no comandamento das operações e na própria estratégia de combate ao fogo, contrariando a afirmação peremptória de que “não houve nenhuma falha” (2.ª Comandante Operacional Nacional da Proteção Civil, Patrícia Gaspar) ou a posição governamental de clamar por “vitória” devido à inexistência de mortes.

São diversos os relatos de que colunas/equipas e meios não atuaram e não foram usados por ausência de ordem superior, outros que apontam para o desconhecimento dos locais onde se encontravam posicionados os meios, outros que denunciam passividade no ataque aos pequenos focos de incêndio que se tornaram grandes e na aplicação de medidas preventivas (uso de máquinas de rastos) à chegada previsível dos fogos, outros ainda que questionam a estratégia de salvar vidas através das evacuações, colocando em segundo plano a defesa das habitações, bens, animais e a atividade económica. Na verdade é fundamental refletir e tomar medidas.

Perante a imponência dos recursos disponibilizados (mais de 1500 operacionais, 463 viaturas e 12 meios aéreos), que contrasta com o curso do incêndio ao longo de uma semana, abrangendo Monchique e Silves, sobretudo, mas igualmente, Portimão e Odemira, não deixando, porém, de subestimar as condições meteorológicas extremamente adversas, somente a realização de Relatório de Auditoria por Comissão Técnica Independente que se justifica, clarificará o que aconteceu. O país necessita de evitar e repetir erros que se revelam trágicos no combate aos fogos, cabendo ao Governo e aos especialistas, definir de uma vez por todas, a estrutura de comando, a cadeia hierárquica, a gestão e planeamento das operações, sendo determinante que quem lidera, conheça efetiva e profundamente o terreno que pisa. A abordagem das causas dos incêndios e das políticas de prevenção é matéria de análise para outra ocasião.

 

Apostila – os vereadores do PSD e PS votaram favoravelmente a proposta de descentralização de competências, da Administração Central para o Município de Silves (educação, saúde, património, habitação, transportes, cultura, etc), numa espécie de “cheque em branco” passado ao Governo, na medida em que os meios a transferir não são claros e os diplomas setoriais ainda não foram publicados.

Não por acaso, Presidentes de Câmara dos diferentes quadrantes discordam da proposta governamental porque as verbas a transferir não suportam os custos efetivos da realização das tarefas transferidas.

O sentido de voto dos vereadores não permanentes, apesar de legítima, é polémica e contrária aos interesses do Município de Silves. Não se entende a posição, dado que nos confrontamos com uma transferência de encargos e de descontentamentos do Governo para o Poder Local, que o limitará na qualidade da prestação do serviço público e num sufoco a sua gestão. Acima dos cálculos partidários, devem prevalecer os interesses reais da população do concelho.

 

 

 

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