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Sindicato da Hotelaria apresenta soluções para a falta de mão-de-obra no Algarve

Perante as queixas que têm vindo a público de empresários de hotelaria sobre a falta de mão-de-obra no Algarve, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Algarve responde que o problema não é a falta de trabalhadores, mas sim manter os mesmos no sector, devido aos baixos salários e à precariedade do trabalho.

A posição dos sindicatos foi dada a conhecer ontem, dia 28 de agosto, numa conferência de imprensa em Albufeira “onde foi dado a conhecer a real situação vivida por quem trabalha no sector do turismo, bem como soluções para ajudar os patrões a colmatarem a alegada dificuldade em arranjar trabalhadores em quantidade e qualidade para responder às necessidades das empresas.”
Participaram na conferência Tiago Jacinto, coordenador do Sindicato da Hotelaria do Algarve, Maria das Dores Gomes, coordenadora da Federação dos Sindicatos da Hotelaria (FESAHT), e António Goulart, coordenador da União dos Sindicatos do Algarve/CGTP-IN.

Na conferência, os sindicalistas analisaram, as “recorrentes denúncias públicas do patronato do sector do turismo, nomeadamente da AHETA e da AHRESP, sobre a alegada falta de trabalhadores em quantidade e qualidade para responder às crescentes necessidades das empresas.”.

Para os representantes dos sindicatos, “o problema não é a falta de trabalhadores. O problema é manter os trabalhadores no sector.”
“O problema – acrescentam- são os baixos salários, a precariedade também associada à sazonalidade, a crescente dificuldade em conciliar a vida profissional com a vida pessoal e familiar, o aumento dos ritmos e da penosidade do trabalho, a falta de perspetiva de uma carreira digna, o aumento dos casos de assédio laboral, a dificuldade de mobilidade entre a residência e o local de trabalho, a degradação das condições de alimentação, entre outros motivos.”

Assim, os sindicatos afirmam ter “soluções para tornar o sector mais atrativo para ajudar a fixar os trabalhadores”. E que passam, nomeadamente, por melhorar, no local de trabalho, a proteção aos trabalhadores; por aumentar os seus rendimentos, por uma subida do Salário Mínimo Nacional em particular, pelo pagamento, com acréscimo, dos feriados e horas extras; pela valorização do trabalho noturno; pelo pagamento de subsídios de línguas e do abono para falhas.”

Para assegurar “trabalho estável e com futuro”, os sindicatos reivindicam que “a cada posto de trabalho permanente corresponde um vínculo de trabalho efectivo, limitar a possibilidade dos contratos a prazo, acabar com as empresas de trabalho temporário, fiscalizar e impedir o recurso aos falsos recibos verdes, repor a obrigatoriedade da carteira profissional, garantir a progressão na carreira e a formação contínua ao longo da carreira, impedir o uso de estagiários para ocupar postos de trabalho e impedir o encerramento dos estabelecimentos nos períodos de menor atividade.”

Propõe-se ainda medidas para “facilitar a conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar” , o que “passa por reduzir o horário de trabalho para as 35 horas semanais, repor a obrigação das empresas enviarem os horários de trabalho à inspeção do trabalho, limitar os horários rotativos, por turnos e aos fins de semana, facilitar a flexibilidade dos horários de trabalho para o acompanhamento à família, repor o direito ao descanso compensatório, respeitar os tempos mínimos de descanso e aumentar o período anual de férias para 25 dias úteis.

“É necessário o Governo garantir uma Inspeção do Trabalho célere e eficaz o que passa por reforçar os meios humanos e financeiros da Autoridade para as Condições do Trabalho e passar de uma ação sensibilizadora para uma ação mais fiscalizadora e coerciva”, defendem ainda os sindicatos.
“Além das medidas atrás enunciadas ainda é possível as empresas adotarem outras medidas de apoio e incentivo à contratação, nomeadamente, as empresas assegurarem o transporte dos trabalhadores desde o local de residência, no caso da deslocação ser em transporte público a empresa assegurar o pagamento dessa despesa, em caso de trabalhador deslocado do local da sua residência assegurar o pagamento das despesas da deslocação, atribuir um apoio no caso do trabalhador residir numa casa arrendada e a criação de programas de férias apoiados pelas empresas.

Para um turismo de qualidade é indispensável valorizar o trabalho e os trabalhadores, repartir a riqueza criada de forma justa e proporcionar melhores condições de trabalho e de vida”, concluem.

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