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Depois do inferno, a calma. Veremos se veio para ficar

Esta manhã, o ponto de situação feito pela 2ª comandante operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, dava conta de que não existem neste momento frentes ativas no fogo em Monchique e Silves, mas apenas “pontos quentes”.

A reportagem do Terra Ruiva percorreu, já hoje de manhã, o caminho que o fogo traçou ontem à tarde e à noite, de Enxerim a Vale Fuzeiros, deixando atrás de si um cheiro intenso a queimado e um trilho negro que não deixa dúvidas. No alto da encosta da Cumeada, um sítio que viveu ontem uma situação muito complicada, é visível uma enorme extensão de serra, no sentido de Silves e de São Bartolomeu de Messines. Tudo queimado. Apenas umas áreas resistem com alguma cor, precisamente as casas de habitação. É difícil imaginar o sacrifício e o esforço que terá sido necessário fazer para conseguir salvar todas as habitações.

Nalguns casos, na encosta da Cumeada e ao redor, bem como na encosta em frente, junto ao Corgo, afetado quando as chamas galgaram a Estrada Nacional 124, o fogo ainda lambeu os muros do quintal, parando junto às portas das habitações. No local, há ainda árvores e vegetação fumegante e mantêm-se na zona equipas de bombeiros e de sapadores florestais.

Mais ao fundo, em plena serra, ainda era visível uma coluna de fumo, embora não muito forte. De resto, esta coluna era a única visível, em toda a extensão do perímetro entre São Bartolomeu de Messines e Silves.

Evitar os reacendimentos é agora a principal missão das forças colocadas no terreno. Ao percorrer a EN 124, que foi reaberta hoje de manhã, encontramos diversas viaturas de bombeiros, ambulâncias do INEM, carros da GNR…  Algumas equipas estão de prevenção, em locais considerados estratégicos. Segundo a comandante Patrícia Gaspar, desde as 10h da manhã estão no ar dois meios aéreos, fazendo a vigilância ao perímetro do incêndio, sendo um deles um avião com equipamento para fazer vídeos.  No terreno, além dos bombeiros e sapadores, estão também pelotões das Forças Armadas.

Toda esta normalidade está também a permitir o regresso a casa às pessoas que passaram a noite no Pavilhão da EB 2,3 João de Deus, em Messines, e na EB 2,3 Garcia Domingues, em Silves. 

No entanto, existe agora uma grande precaução ao se falar em normalidade, ou situação controlada. Porque as temperaturas que hoje de manhã eram relativamente baixas estão de novo a subir e porque o vento se mantém forte. E também porque ontem de manhã a situação também se encontrava calma e aparentemente controlada e isso tudo mudou muito rapidamente e  em poucas horas as populações de Enxerim, Pinheiro, Garrado, Pedreira, Barragem, Cumeada, Corgo, Barragem do Arade, Vale Fuzeiros e Amorosa viram o fogo chegar à porta. E, em muitos casos, destruir uma vida de trabalho, pois embora as habitações tenham sido salvas, houve muitas pessoas que perderam todos os outros haveres e o meio de subsistência. Mas este é um balanço que terá de ser feito depois… bem como a avaliação da chuva de críticas que se tem ouvido em relação a quem tem dado as ordens de combate ao fogo…

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