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Conhecer a dimensão e as características do bullying nas escolas do Concelho de Silves

É junto dos alunos dos 8º e 9º anos que é maior o fenómeno do bullying no Concelho de Silves. As raparigas praticam mais bullying emocional e os rapazes físico.

Os valores mais elevados, para todos os tipos de comportamentos de bullying, são observados de forma consistente na E. B. 2,3 João de Deus e os mais baixos na E. B. 2,3 Dr. Garcia Domingues.
E mais de 10% dos alunos tem comportamentos agressivos.

Estas são apenas algumas das conclusões do Diagnóstico Participativo das Violências nas Escolas do Concelho de Silves, que foi apresentado na Biblioteca Municipal de Silves, no passado dia 30 de maio.

Este estudo foi promovido pela Câmara Municipal de Silves, em colaboração com o Instituto Piaget, Agrupamentos de Escolas de Silves e Silves Sul e CPCJ. Foi feito com base num questionário destinado a todos os jovens em contexto escolar, entre o 5º e o 9º ano, que foi respondido, entre os dias 9 e 19 de janeiro de 2017, num só momento, em ambiente de sala de aula e de forma coletiva. Foram validados 1206 inquéritos de alunos das escolas E. B. 2,3 Dr. Garcia Domingues, (Silves), João de Deus (Messines), do Algoz e Dr. António da Costa Contreiras (Armação de Pêra). Quanto aos inquiridos 49,8% são do sexo feminino, 47,8% do sexo masculino e 2,5% não responderam. A idade enquadra-se entre os 9 e os 18 anos.

O objetivo deste estudo consistiu em procurar conhecer este problema que afeta a vida de tantos jovens, no sentido de construir e desenvolver ferramentas de intervenção de acordo com a realidade que se vive no concelho.
O estudo analisa também os diferentes comportamentos de bullying, (agressão, observação, vitimação), bem como as características dos alunos (género, nível de escolaridade, faixa etária), com vista a colmatar estes comportamentos.

Assim, segundo o referido documento, ao analisar os comportamentos de bullying, verifica-se que, independentemente das variáveis envolvidas, predominam os comportamentos de observação, com uma diferença estatisticamente significativa, seguidos dos comportamentos de vitimação e de agressão.
Estes resultados “permitem concluir que, por um lado, os alunos que apresentam comportamentos de observação, podem e devem assumir um papel interventivo preponderante junto dos seus pares; por outro lado, a disparidade entre os comportamentos de agressão e de vitimação podem significar a dificuldade, por parte de alguns alunos, em assumir os seus comportamentos, nomeadamente os agressores.”

No que se refere à agressão, “é notória a predominância da violência psicológica, em detrimento da física e verbal, sendo esta última apontada como o principal comportamento de vitimação.”
Estatisticamente, existem ligeiras diferenças de género nos comportamentos de bullying; “No que concerne aos comportamentos de agressão, estes ocorrem maioritariamente por parte dos rapazes, sejam eles físicos, verbais ou psicológicos, surgindo os dois últimos como os principais comportamentos de vitimação sentidos pelas raparigas, o que nos indica que o género masculino impera em todos os comportamentos agressivos, enquanto os de vitimação incidem maioritariamente sobre as raparigas, com exceção do comportamento de vitimação física.
Estes resultados conduzem ainda à perceção de que os rapazes recorrem, normalmente, a um tipo de bullying físico, enquanto as raparigas praticam um tipo de bullying mais relacional/emocional.

Quanto ao tipo de comportamento predominante neste estudo, o de observação, não foram encontradas diferenças em função do género, devendo a intervenção a este nível, ser direcionada, de igual forma, a rapazes e raparigas.”

O estudo analisa também os dados tendo em conta o ano de escolaridade, concluindo que “os comportamentos de vitimação, atingem picos nos 5º e 9º anos”, menos preponderantes nos alunos do 7º ano. A par disto, “os comportamentos de agressão física apresentam-se idênticos ao longo de todos os anos de escolaridade”.
Assim, conclui que “é necessário um maior foco de intervenção junto dos alunos do 5º ano”, já que “os comportamentos de agressão e observação registam um aumento em função da progressão no ano de escolaridade”.
“No seguimento da conclusão anterior, a mesma é corroborada pela idade dos alunos, já que os comportamentos, quer de agressão, quer de vitimação, aumentam nos 5º e 6º anos, mantêm-se no 7º e apresentam picos nos 8º e 9º anos de escolaridade, sendo os mais envolvidos os alunos até aos 11 anos e a partir dos 14; há uma quebra considerável nos alunos que se encontram na faixa etária entre os 12 e 13 anos, principalmente ao nível dos comportamentos de vitimação, devendo estes ser trabalhados como mediadores do bullying junto dos seus pares, já que a grande maioria dos alunos assume o “papel” de observador, como já foi referido, acabando por ter uma importância preponderante neste tipo de comportamentos, tendo em conta a sua capacidade de influência sobre os seus pares”.

No que respeita à observação recolhida nas diferentes escolas, “não foram encontradas diferenças significativas no Agrupamento de Escolas Silves Sul; já no que ao Agrupamento de Escolas de Silves diz respeito, os comportamentos de agressão revelam-se idênticos em todos os estabelecimentos de ensino, ao contrário dos comportamentos de observação e vitimação, que apresentam valores extremos entre a E.B. 2,3 João de Deus e a E.B. 2, 3 Garcia Domingues, pertencentes ao mesmo agrupamento de escolas, surgindo a primeira com os maiores índices de comportamentos de observação e vitimação.”

Os resultados obtidos, conclui este estudo, “permitem considerar que o bullying, nas suas formas física, verbal ou psicológica, está implícito na esfera relacional dos alunos, acompanhando-os ao longo de todo o seu percurso escolar, o que afeta, inevitavelmente, a qualidade das suas relações com os pares e com a escola, pelo que urge intervir nesta problemática, muitas vezes, silenciosa.
Logo, surge claro que o principal campo de atuação de uma dada comunidade, no que ao bullying ou maus tratos entre pares diz respeito, é a Escola, competindo a toda a comunidade, sobretudo município e CPCJ, dar o apoio que se mostre necessário para prevenir este tipo de comportamentos.

Neste sentido, o projeto de intervenção será delineado a partir do presente estudo/diagnóstico, tendo em conta os resultados obtidos, bem como a análise das melhores estratégias a adotar em função das características e realidade de cada estabelecimento de ensino.”

Para aceder ao documento, clique aqui: Diagnóstico de Bullying Escolas Concelho de Silves

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