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Festival da Cerveja, do Castelo para a baixa da Cidade

Exposição “Festival da Cerveja, do Castelo para a baixa da cidade”

 Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de julho, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “Festival da Cerveja, do Castelo para a baixa da cidade ”. A exposição é acompanhada de imagens e documentos.

O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral está disponível aqui: Expo_DM_Julho_2018

 

Festival da Cerveja, do Castelo para a baixa da Cidade

 

O Festival da Cerveja teve a sua primeira edição em 1978, organizado pela Região de Turismo do Algarve. Três anos mais tarde essa responsabilidade passou para o Silves Futebol Clube, em colaboração com a Câmara Municipal de Silves e RTA.

Realizado no magnífico cenário do Castelo de Silves, constituiu um importante cartão-de-visita da cidade e desde o primeiro momento da sua concretização foi um tremendo êxito, superando as expectativas mais otimistas dos seus organizadores.

Ao longo das primeiras quinze edições do Festival, cerca de 700 mil pessoas visitaram o recinto e foram consumidos, aproximadamente, 700 mil litros de cerveja, 33 mil frangos assados, 18 mil quilos de batata frita e 105 mil carcaças.

Porém, a realização do evento no castelo e a eventual degradação provocada no mesmo, começou a colocar em causa a sua concretização. A 16ª edição ficou marcada pela polémica sobre a utilização do Castelo, Monumento Nacional, como palco desta iniciativa.

A Associação de Estudos e Defesa do Património Histórico-Cultural de Silves (AEDPHC) fez uma forte oposição e “não só contesta a realização de tal evento dentro daquele monumento nacional como ainda as construções que ali têm sido feitas e o desleixo a que o mesmo tem sido votado”, alegando que as zonas ajardinadas tinham sido destruídas e abandonadas e que o perímetro das escavações arqueológicas encontrava-se descurado.

As referidas construções, um terreiro em cimento para pista de dança, um palco e uma cabine de som, foram demolidas, após a realização do último certame, por decisão maioritária da Assembleia Municipal e do IPPAR.

Apesar da polémica, o XVI Festival da Cerveja realizou-se no Castelo, de 16 a 25 de julho de 1993, e teve o sucesso dos anos anteriores.

No ano seguinte vêm de novo à liça as críticas da Associação, cuja presidente, Ana Maria Mira, sustentava que o festival “não é compatível com a dignidade do monumento” e a oposição do diretor regional de Faro do IPPAR, Raul Lima.

Todavia, o XVII Festival da Cerveja voltou a realizar-se e de 22 a 31 de julho de 1994, passaram pelo espaço cerca de cinquenta mil pessoas.

Em abril de 1995, a Câmara de Silves, sob a presidência de José Viola, aprovou, por maioria, a realização do Festival no Castelo. Contudo, o presidente só conseguiu a autorização, concedida pelo IPPAR e pela Direção Geral do Património do Estado (DGP), nove dias antes da sua realização, e depois de se ter reunido com o subsecretário de Estado da Cultura, comprometendo-se a “pugnar pela dignidade do monumento”. O XVIII Festival da Cerveja realizou-se no Castelo, de 26 de julho a 6 de agosto de 1995. As receitas, como habitualmente, reverteram para o Silves FC, cuja equipa de futebol sénior participava nessa época no Nacional da 2.ª Divisão B.

Para preparar a edição de 1996 foi realizado um encontro entre o presidente José Viola, o diretor-geral do Património do Estado e Dimas Monteiro, presidente do Silves FC, tendo sido explicado que a insistência dos promotores em utilizar aquele espaço devia-se à “inexistência de momento de alternativas”. Contudo, José Viola adiantou “que a autarquia admite, a curto/médio prazo, transferir o tradicional certame para a “baixa” da cidade, logo que o projecto previsto para o rio Arade for implantado”,  e como segunda alternativa “apontou um espaço a norte do castelo, cuja disponibilidade está dependente da conclusão dos estudos de ordenamento e construção de um jardim botânico no local”.

Face ao exposto, o responsável da DGP garantiu que  “não via qualquer inconveniente”. Assim, o festival e segundo Dimas Monteiro, “foi realizado um investimento de perto de 40 mil contos, especialmente na animação, prevendo-se que as receitas permitam ao clube silvense arrecadar cerca de 20 mil contos”. A 19ª edição do Festival da Cerveja decorreu de 19 a 28 de julho de 1996, contou com a participação de onze marcas de cerveja, entre as quais duas estrangeiras

Para esta edição “cerca de 60 mil litros de cerveja foram destinados (…), os quais deverão ser consumidos por igual número de visitantes”. O certame contou com a participação de ranchos folclóricos da região e bandas de música ligeira e rock, além de artistas nacionais como Nuno da Câmara Pereira, José Alberto Reis, José e Ana Malhoa, Os Sitiados, Roberto Leal, Quim Barreiros, Ágata, Rodrigo e Carlos do Carmo, Fernando Pereira e ainda o Duo Ele e Ela.

A realização da 20ª edição desencadeou, à semelhança de anos anteriores, muita polémica entre a autarquia e a Direção Geral do Património. Mas a autarquia, delibera “por unanimidade fazer o Festival da Cerveja no interior do Castelo no ano de 1997, por não existir alternativa credível, que dignifique o evento”.

O Governo, através do Ministério da Cultura, chegou a proibir a sua realização. Contudo o presidente da edilidade não baixou os braços e com os esforços do Silves FC, bem como a reação firme da população, conseguiram obter a tão desejada autorização, levando o Ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, a reconsiderar a sua decisão de não autorizar o Festival da Cerveja e, “permitindo a sua realização, pelo menos por mais este ano” .

Assim, de 16 a 27 de julho de 1997, realizou-se o XX Festival da Cerveja. Quinze marcas de cerveja, nacionais e estrangeiras, petiscos e um programa de animação vastíssimo foram os ingredientes de mais um certame que recebeu entre 35 e 40 mil pessoas.

Uma das grandes atrações “extraprograma” do certame foi “a abertura ao público, no castelo, de uma cisterna árabe com mais de mil anos. Denominada “Algibe” . Segundo José Viola “a abertura ao público da cisterna que se encontra no interior do monumento, é um exemplo (…) que a realização do Festival da Cerveja em nada colide com a dignidade do Castelo de Silves” .

 

Ao longo das 20 edições o certame recebeu “a visita de cerca de um milhão de pessoas que consumiram 50 mil frangos assados, um milhão de litros de cerveja, vinte e cinco quilos de batatas fritas e trinta mil carcaças” .

 

Em 1998, o XXI Festival da Cerveja voltou a realizar-se no Castelo,  após a presidente da Câmara, agora Isabel Soares, ter garantido que “o Festival da Cerveja de 1999 já não se realizará no Castelo” e tendo o IPPAR dado autorização “a título excepcional e pela última vez”  com a condição que se realizasse com a designação de “Festival no Castelo”, o que já estava assente pela edilidade e pelo Silves FC. Mas com a notícia “de que se faria o festival da Cerveja no Castelo de S. Jorge em Lisboa, e que fora autorizado pelo IPPAR”, o executivo considerou não haver justificação para que o certame silvense sofresse uma alteração de nome, mantendo a tradicional designação.

A 21ª edição realizou-se de 17 a 26 de julho de 1998 e para além de representantes de marcas cervejeiras, marcaram presença artesãos do Algarve e Alentejo a trabalhar ao vivo, teatro de rua e um cenário decorado mais à época medieval.

 

Na Fábrica do Inglês

Depois de duas décadas no Castelo de Silves, o XXII Festival da Cerveja transferiu-se para o espaço da Fábrica do Inglês, que abrira portas um mês atrás, e decorreu de 16 a 25 de julho de 1999, com a presença de vinte marcas de cerveja, algumas da Bélgica, da Alemanha e do México.

O Silves FC acedeu de bom grado às mudanças e como referiu João Jóia, presidente do clube: “trouxe benefícios. As receitas mostraram isso, tendo sido todos os dias, em média superiores ao ano passado”. Esta edição bateu os recordes de bilheteira, chegando a ter cerca de 40 mil visitantes.

O XXIII Festival da Cerveja viu a sua data antecipada para 16 a 25 de junho de 2000, fazendo-se na Fábrica do Inglês. Foi preparado um vasto programa, com a animação de rua, ranchos folclóricos, assim como atuação de artistas de música ligeira nacional e pelo “Show Aquavision”, um espetáculo multimédia de raios laser.

A edição do XXIV Festival da Cerveja, decorreu de 29 de junho a 8 de julho de 2001, tendo sido consumidos 16 mil litros de cerveja.

O XXV Festival da Cerveja decorreu entre os dias 28 de junho e 7 de julho de 2002. A animação foi uma constante, com concertos de artistas de renome: Nuno Guerreiro, Rui Veloso, Netinho, Anjos, Canta Bahia, Quim Barreiros, Iris, João Pedro Pais, Santos e Pecadores e Dulce Pontes. Por 10 euros cada pessoa tinha direito a duas senhas de cerveja e uma caneca como lembrança comemorativa das bodas de prata do festival. Foram consumidos mais de 20 mil litros de cerveja.

Entre 4 e 13 de julho de 2003, realizou-se o XXVI Festival da Cerveja, na Fábrica do Inglês, com “um dos melhores cartazes de sempre”, com Fáfá de Belém, Xutos & Pontapés, Emanuel, Quinta do Bill, Romana, Delfins, Toy, GNR e Daniela Mercury. O recinto recebeu cerca de 41 mil pessoas.

Mariza, Marco Paulo, David Fonseca, Filipe Santos, Mané, Xutos & Pontapés, Tony Carreira, Luka, Anjos e Ivete Sangalo foram as cabeças de cartaz do XXVII Festival da Cerveja, que decorreu de 9 a 18 de julho de 2004, na Fábrica do Inglês.

O XXVIII Festival da Cerveja realizou-se de 6 a 10 de julho de 2005. O recinto esteve ocupado com stands das 35 marcas de cervejas nacionais e estrangeiras.

 

Na Zona Ribeirinha

Depois de sete anos na Fábrica do Inglês, a 29ª edição do Festival da Cerveja, transferiu-se para a Zona Ribeirinha do Rio Arade, junto à Fissul, de 26 a 30 julho de 2006.

Em 2007, quando se deveria realizar a 30.ª edição do Festival da Cerveja, aquele que era um dos mais antigos certames do Algarve acabou por não se realizar por motivos da crise diretiva que o Silves FC atravessava. Em junho o presidente cessante do Silves FC, João Encarnação, refere “vamos ver se ainda é possível encontrar uma solução, optando, talvez, por um certame mais modesto”  e a presidente Isabel Soares fala na possibilidade de adiar para Setembro, “a fim de Silves não perder um dos seus principais cartazes”.

Mas foi o que aconteceu.

 

Beer Fest

Após um interregno de dez anos, em 2017, o Silves Futebol Clube, com o apoio do município de Silves, apostaram em recuperar o certame, agora com um novo nome e imagem – “Beer Fest” que, tal como o antigo festival, foi uma iniciativa dedicada à cerveja artesanal.

Segundo Tiago Leal, presidente do Silves F.C., “o Festival ressurge agora em moldes modernos, depois de mudarmos todo o seu conceito: não se paga entrada, pelo que as pessoas podem circular livremente pelo recinto, apreciando os espetáculos”  e tem como principal objetivos “reerguer um evento que era símbolo da cidade e até do Algarve (…) um festival que é importante para gerar receitas para o clube, mas também para dinamizar a economia da cidade” .

A segunda edição do “Beer Fest” está no presente ano de 2018 agendada para os dias 12 a 15 de julho.

O Festival da Cerveja foi o primeiro evento deste género a ser feito no Algarve, só mais tarde, apareceram outros certames prestigiantes para a região. A sua importância para a cidade de Silves foi determinante, trazendo aos palcos do Castelo, da Fábrica do Inglês e da Zona Ribeirinha inúmeros artistas de renome, nacional e internacional. Para além disso constituiu o principal suporte financeiro para que o Silves Futebol Clube pudesse desenvolver a sua atividade desportiva e proporcionar condições para que jovens pudessem praticar desporto dentro deste concelho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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