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José Vitoriano homenageado na sua terra natal

Um homem afável a quem os 17 anos de prisão não derrubaram nem fizeram perder o sentido da humanidade, uma mente inteligente e um coração dedicado, sereno e lutador persistente contra o fascismo e mais tarde por uma sociedade melhor, mais democrática e justa.

Assim foi descrito José Vitoriano, homenageado com um busto em Silves, sua terra natal, por iniciativa da Câmara Municipal de Silves. Na inauguração do busto, colocado no Largo das Pimenteiras, perto da Sé de Silves, estiveram presentes familiares e amigos do homenageado, além do Executivo Permanente da Câmara Municipal de Silves e dos presidentes das Juntas de Freguesia de Silves e de Messines. Juntaram-se ainda outras pessoas que assim se associaram à homenagem que ocorreu quando se comemora o centenário do nascimento de José Vitoriano.

José Vitoriano foi operário corticeiro, membro destacado do Partido Comunista Português, presidente do Sindicato Nacional dos Corticeiros, resistente antifascista, dirigente da Sociedade Filarmónica Silvense, do Silves Futebol Clube e da Cooperativa “A Compensadora”. Foi deputado e Vice-Presidente da Assembleia da República, tendo sido distinguido com a Comenda da Ordem da Liberdade.

A cerimónia teve início com a atuação da Banda da Sociedade Filarmónica Silvense e com a leitura da mensagem enviada pelo presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que destacou a figura do “grande parlamentar e antifascista”, um homem de “lealdade” e “convicções” e congratulou-se com esta homenagem à “memória de um democrata condecorado com a Ordem da Liberdade”.
Prosseguiu com a intervenção da presidente da Câmara Municipal, Rosa Palma, que apresentou os factos mais significativos da vida de José Vitoriano “um homem de coragem e de carácter”.
“Com esta homenagem, queremos sublinhar que o Povo de Silves não esquece que foi também graças a homens com a dimensão de José Vitoriano que se lutou e derrubou o fascismo, que se avançou no sentido da liberdade e da democracia alcançada com o 25 de Abril. É, por isso, orgulho e uma honra poder inaugurar este busto, cem anos depois do seu nascimento, no centro da cidade que o viu nascer, como exemplo da memória que queremos preservar, seja no presente, seja para as futuras gerações”, afirmou Rosa Palma.
“Nesta praça ficará para sempre este monumento que testemunha a vida de José Vitoriano. Mas a melhor homenagem que quer a Câmara Municipal, quer a população de Silves lhe poderá prestar é a de continuar a intervir e a lutar por um Portugal com futuro”, considerou.

Intervieram ainda Vasco Cardoso, dirigente do PCP, que destacou o papel de José Vitoriano na luta contra o fascismo e pela democracia e também na organização do PCP, de que foi militante e dirigente, uma causa a que entregou a sua vida. Já António Goulart, dirigente da CGTP e da União dos Sindicatos do Algarve falou de José Vitoriano enquanto sindicalista na década de 40 do século passado, um “homem comprometido com os direitos dos trabalhadores”, num tempo em que isso significava o risco de prisão, tortura e até morte”.
Tomou ainda a palavra a historiadora Maria João Raminhos Duarte, autora da biografia de José Vitoriano que fez questão de estar presente para prestar “homenagem ao homem e ao cidadão”. Falou das muitas vezes em que se dirigiu a José Vitoriano que “a todos atendia da mesma maneira, dava a mesma atenção” e que era possuidor de uma excelente memória, muito viva e exata, o que fez dele, disse, “a melhor pessoa que entrevistei”.

Rosa Palma e Carlos Vitoriano descerraram o busto de José Vitoriano

O filho de José Vitoriano, Carlos Vitoriano, teve a última intervenção, começando por agradecer à Câmara Municipal de Silves a homenagem e à população a sua presença. Lembrou a primeira vez que seu pai foi preso pela PIDE, há 70 anos atrás, num aniversário que se assinalaria no dia 30 de junho. Morava a família numa casa na Rua Porta de Loulé, “aqui mesmo ao lado, quando a PIDE apareceu e o levou”, para Lisboa, para a sede na Rua António Maria Cardoso. “Eu tinha cinco meses”, disse. Aos 8 meses fez a primeira visita ao pai, “levado ao colo da minha mãe” e a partir dos 4, 5 anos começou a visitar as prisões do fascismo, Caxias, Peniche… em visitas que decorriam “no parlatório, onde não havia qualquer contacto físico entre o preso e o familiar”.
No verão de 1971, uma breve pausa foi-lhes concedida, e pai e filho passaram algum tempo juntos, mas só depois do 25 de abril de 1974 lhes foi possível manter contacto regular. Era um pai ausente, mas atento sempre que lhe foi possível, disse Carlos Vitoriano, “sempre um grande amigo, uma pessoa de uma humildade extrema, muito sereno e muito afável”.

A cerimónia foi encerrada com o descerramento do busto de José Vitoriano, um trabalho da autoria do escultor Nelson Santos.

 

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