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Villa romana da Corte revela os seus segredos

Entre 2009 e 2014 decorreram as escavações da villa romana da Corte, descoberta na freguesia de São Bartolomeu de Messines.
Agora, uma exposição no Museu Municipal de Arqueologia de Silves revela como era essa villa, quem lá habitava e como viviam essas pessoas. Para completar o puzzle falta decifrar a inscrição de placa de mármore encontrada, que atrai a curiosidade internacional.

A Villa Romana da Corte é o primeiro complexo edificado do período romano localizado no barrocal algarvio e a estrutura mais relevante da época romana até hoje escavada no Algarve. Foi encontrada, em 2005, pelo técnico da Câmara Municipal de Silves, Jorge Correia, e escavada por uma equipa da Universidade de Jena (Alemanha), em colaboração com a autarquia de Silves (que suportou grande parte das despesas) e a Direção-Geral do Património Cultural.

As escavações da villa

A ocupação mais antiga da villa é situada na 1ª metade do século I, tendo sido reestruturada em resultado de um terramoto, por volta de 300 d.C. e abandonada na transição da Alta Idade Média para o domínio islâmico.
Nesta villa viviam pessoas da classe média superior, com um estatuto elevado e evidente prosperidade, como o testemunham os achados de objetos importados da Grécia e do Sul da Itália. De grandes dimensões, a villa, além da zona de compartimentos individuais, possuía terraço e uma zona de banhos, alimentada por um tanque ligado a uma fonte de abastecimento. Os restos de estuques e de pavimentos em mármore e mosaicos são outros sinais da abastança dos proprietários. Tinha ainda uma parte rústica, com lagar, forno, tear e estábulos.
Materiais ligados à produção de têxteis levam a crer que essa era uma das atividades desenvolvidas na villa.

Na exposição vêem-se muitos objetos ligados ao quotidiano dos habitantes da villa, mas também outros, descobertos durante as escavações e que atestam a presença humana em épocas muito recuadas, nomeadamente machados de 3.600 a.C, objetos de bronze dos séculos 2/3 e outros da Idade do Ferro.

Mais difícil é a catalogação da placa de mármore de grande qualidade, que ali foi encontrada em 2011 e que provocou grande curiosidade, até a nível internacional. Trata-se de uma lápide funerária, de uma data não posterior a 390 a.C. Contém uma inscrição de difícil decifração, possivelmente em hebraico. Inicialmente foi divulgado que tinha escrito o nome “Yehiel”. Uma das hipóteses que se apresenta é a inscrição ser a frase “O judeu é abençoado”, mas levantam-se outras possibilidades.
Apesar deste mistério, a descoberta desta placa é enorme pois trata-se do mais antigo achado arqueológico judaico descoberto na Península Ibérica. Desperta também curiosidade o facto desta placa de mármore ter sido encontrada num contexto muito invulgar, junto a uma villa romana.

De referir que esta exposição, com o título “Villa Romana da Corte: Dinâmica de ocupação e quotidiano de uma população rural”, foi inaugurada no dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, e permanecerá na Sala de Exposições do Museu Municipal de Arqueologia de Silves até ao dia 10 de janeiro de 2019. A entrada é gratuita para residentes no concelho.

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