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Lagoa das Garças, obras de 60 milhões devem começar depois do verão

Em abril, foi divulgada a notícia de que o antigo Aldeamento Lagoa das Garças, em Armação de Pêra, que se encontrava suspenso há vários anos, fora adquirido e que está em marcha a construção de um novo projeto orçado em 60 milhões de euros.
A empresa promotora chamou-lhe “Bayline” (linha da baía) e encontra-se a promovê-lo, sublinhando que “ é porventura o único projeto no Algarve com semelhante localização literalmente posicionado em cima da praia e com magníficas vistas.”

Na sequência dessa informação, o Terra Ruiva contactou a Câmara Municipal de Silves solicitando alguns esclarecimentos sobre este novo empreendimento turístico.
O vereador Maxime Sousa Bispo esclareceu que a autorização para a construção do empreendimento da Lagoa das Garças foi concedida pela Câmara Municipal de Silves em 2008, ainda na presidência de Isabel Soares.
“Na altura, a Câmara aprovou e herdamos este ónus”, adiantou o vereador que afirmou ter “outra ideia e perspetiva” de ocupação para aquele espaço, “diferente da política do betão que a Câmara tinha”. No entanto, esclareceu que atualmente a autarquia não pode opor-se ao que já está aprovado, a não ser que tivesse “uma outra capacidade financeira que lhe permitisse expropriar e pagar indemnizações”.

Lagoa das Garças, junto à Praia dos Pescadores, parado há vários anos

O vereador Maxime Sousa Bispo confirmou que já se realizou uma “reunião de apresentação do projeto em termos gerais” na qual foram discutidas algumas exigências do Município nomeadamente para que os promotores fizessem algum investimento em espaços públicos. “Falou-se em colaborarem na execução do espaço verde urbano, na requalificação dos apoios de pesca dos pescadores, na execução do parque de estacionamento explorado pelo Os Armacenenses, mas de uma forma embrionária, ainda não há nada escrito”, disse.
O Município fez também questão que fossem feitas alterações ao projeto inicial, com o objetivo de levar os promotores a criar infraestruturas próprias, de raiz, na parte das águas e esgotos, que fossem de encontro ao Plano Geral de Drenagem de Águas Pluviais de Armação de Pêra que está a ser desenvolvido.

O vereador da Câmara Municipal disse que ainda não conhece o projeto ao pormenor, mas que a nível de qualidade “não tem nada a ver com o que tem sido feito em Armação de Pêra”, e que da parte dos promotores houve o cuidado de reduzir o número de fogos, ainda que não seja uma redução muito significativa, e que há a preocupação de apresentar um empreendimento de grande qualidade.

Quanto ao promotor, foi divulgado que o principal investidor é o francês Claude Berna, nome que se encontra na lista dos homens mais ricos de França. Recentemente, adquiriu um empreendimento que também se encontrava parado, há mais de 10 anos, na Senhora da Rocha, em Lagoa, tendo aí já iniciado as obras de recuperação. Já mais recentemente foi anunciado que se prepara para adquirir a Herdade da Comporta.
Relativamente às obras em Armação de Pêra, no site da empresa diz-se que as mesmas irão ter início em junho, mas o vereador Maxime Sousa Bispo adianta que o projeto ainda não deu entrada na Câmara e que o que está previsto é que comecem no final do verão, depois de terminada a época balnear.

“Bayline”

O novo projeto

Assim, junto à Ribeira de Alcantarilha, a cerca de 30 metros da Praia dos Pescadores, em Armação de Pêra, vai ser construído um empreendimento com seis edifícios, de cinco a seis pisos e um total de 255 apartamentos de tipologias T1 a T3, com preços entre os 3.750€ e os 6.500€ por metro quadrado, segundo disse ao jornal Expresso, um dos responsáveis da empresa Vanguard Properties.

O empreendimento inclui piscinas, campos de jogos, ginásio, spa, estacionamento privativo e armazéns individuais.
Antes de ser “Bayline” este empreendimento chamava-se Aldeamento Lagoa das Garças e previa a construção dos mesmos seis edifícios, com cinco a seis pisos, mas com 296 apartamentos, em vez dos 255 atuais.

O promotor era a empresa Almagarça que começou a desenvolver o projeto em 2008, tendo feito as fundações para quatro dos edifícios e colocado ainda algumas lajes do primeiro andar. Mas o projeto ficou completamente parado, o que levou algumas pessoas que já tinham comprado apartamentos, ainda em planta, tentassem reaver o seu dinheiro, em tribunal.
A Vanguard Properties conseguiu chegar a acordo com os anteriores proprietários do aldeamento e dos apartamentos já adquiridos, que terão recebido o dinheiro que tinham adiantado, pelo que estão reunidas as condições para avançar com as obras do empreendimento que está a ser desenvolvido pelo arquiteto Miguel Saraiva, do conceituado ateliê Saraiva & Associados, que conta com delegações em 13 países do mundo.

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