Home / Sociedade / Ambiente & Ciência / ETAR de Messines suspeita de fazer descargas para o Ribeiro Meirinho

ETAR de Messines suspeita de fazer descargas para o Ribeiro Meirinho

O Ribeiro Meirinho que atravessa a freguesia de S. Bartolomeu de Messines proporciona uma visão agradável, com água a correr em abundância e margens repletas de verde.

Ribeiro Meirinho, depois da ETAR, por baixo do IC1

Damos pela sua entrada nas “traseiras” de Messines, na zona precisamente chamada de Ribeiro Meirinho, vamos encontrá-lo a correr perto da ETAR, continua junto ao IC1, (no sentido de Albufeira), onde encontramos a placa que assinala o ribeiro que corre lá bastante em baixo e passa por baixo da estrada, antes de se perder nos laranjais do outro lado.

É um cenário bastante idílico em grande parte do percurso, sobretudo num dia como o da reportagem: brilha o sol depois de semanas chuvosas. Há passarinhos a cantar e até encontramos um numeroso grupo de cágados, uns a descerem na corrente, outros a aquecerem-se nas pedras ao sol.
Verdadeiramente mau é o motivo que me leva a fazer esse percurso. Dois jovens da Fundação Vida e Saúde entraram em contacto com o Terra Ruiva para nos dar conta de uma situação. Afirmam os mesmos que a ETAR de S. Bartolomeu de Messines, localmente conhecida como “as piscinas de Messines”, está a fazer descargas para o ribeiro. Descargas que consideram ilegais e poluentes. Mostram fotografias que afirmam terem sido tiradas em dois pontos diferentes: antes e depois do ribeiro passar junto à ETAR. Nas fotos, é evidente a diferença entre os dois percursos de água.
“É preciso denunciar esta situação” diz Daniel Pancadas, que afirma também já ter dado conhecimento do problema à entidade responsável pela ETAR, a empresa Águas do Algarve, e que a mesma não terá tomado as providências necessárias.

Esgoto no ribeiro

É munida das referidas fotos e informações, e de uma pequena publicação que a Fundação editou sobre o assunto, que procuro o ponto em que o Ribeiro Meirinho se encontra com a ETAR.
O caminho é acessível, percorre-se a pé algumas dezenas de metros do terreno agrícola junto à ETAR. Na zona mais recuada, a vedação é cortada por um portão que se abre à frente de um acesso, com uns degraus com troncos. Ouve-se a água a correr e as silvas e canas indicam a presença do ribeiro. É ao descer que o cenário se torna menos idílico. Os degraus terminam numa tampa de esgoto aberta que dá diretamente para o ribeiro, num espaço que forma um recanto, com a água parada. Dois ou três metros mais à frente, corre o caudal que irá arrastar o que sair do esgoto.

O esgoto abre diretamente para o ribeiro, e tem o mecanismo avariado. Na foto é bem visível o manípulo vermelho. 

Cheira mal neste recanto, o solo e algumas zonas fora de água estão cobertos de uma espécie de lama preta, há detritos, papéis de pensos higiénicos, há farrapos pendurados nas silvas, a uma altura que sugere que a água já esteve mais alta.
O esgoto tem um mecanismo que deveria abrir ou fechar a saída, mas parece avariado, abre-se ainda mais quando é mexido e deixa sair “coisas” que é preferível não tentar identificar…

A lama preta em vários locais junto ao esgoto
Fora da ETAR, no terreno ao lado, duas tampas de esgoto bem visíveis

 

 

 

Sobe-se de volta os degraus, há duas tampas de esgoto da Águas do Algarve no meio da erva, uma delas está aberta e oferece um cenário negro e pouco amigo do olfacto, quando se espreita…
Penso no Ribeiro Meirinho que corre lá à frente, em direção aos laranjais. Nessa zona a água não parece suja ou mal cheirosa. Mas também tenho em atenção que tem estado a chover bastante nos dias anteriores. Torna-se complicado avaliar a situação, tanto mais que o acesso à água é extremamente difícil dada a quantidade e densidade da vegetação à volta.
De regresso à entrada da ETAR de S. Bartolomeu de Messines apenas uma evidência: algo se passa realmente e é necessário esclarecer o assunto.

 

Questões à Águas do Algarve
O Terra Ruiva tentou obter esclarecimentos sobre esta situação, pelo que contactou a Águas do Algarve, solicitando que, antes do fecho da nossa edição, fossem respondidas as seguintes questões:

A Águas do Algarve tem conhecimento de denúncias/reclamações que tenham sido feitas neste sentido?
– Existem descargas controladas ou não controladas para o Ribeiro Meirinho? Em caso afirmativo, quando acontecem as mesmas?
– Existe alguma deficiência no funcionamento da ETAR de S. Bartolomeu de Messines?

Até ao fecho da edição em papel tivemos apenas a resposta, por parte da responsável de comunicação, de que iria averiguar.

Posteriormente, chegou-nos a seguinte resposta: 

«Após verificação junto dos vários responsáveis da Águas do Algarve, e consequente análise atenta das questões que nos são colocadas sobre a ETAR de Messines, informamos que não temos conhecimento de quaisquer situações do tipo das referidas, designadamente descargas, controladas ou não, a partir da ETAR, a qual apresenta condições normais de funcionamento.

As únicas reclamações que nos chegaram, e embora não sejam recentes, nem frequentes, prendem-se com a emissão de odores que, em parcos períodos do ano, se fazem sentir.»

Veja Também

PS e PCP pressionam para que Messines receba o novo estabelecimento prisional do Algarve

Deputados do PS e do PCP recomendaram ao Governo que decida favoravelmente à construção do …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *