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18 Anos/ 200 Edições

Em Abril do ano 2000, o Terra Ruiva colocou na rua a sua primeira edição, numa festa realizada no bar do Racal Clube, em Silves. Em Abril de 2018 comemoramos o 18º aniversário e, numa coincidência feliz, chegamos à 200ª edição.

É difícil descrever o que estes números representam em termos de trabalho, esforço, dedicação, resiliência. Também não é fácil enumerar as falhas, os fracassos, as debilidades, as grandes e pequenas derrotas.

Ainda assim, em abril de 2018, comemoramos o 18º aniversário, na 200ª edição e entregamos aos nossos leitores um jornal com recursos humanos e financeiros modestos, cingido ao contexto em que se insere – o Concelho de Silves – mas, ao mesmo tempo, um jornal feito com honestidade, profissionalismo e competência. Um jornal suportado pelo trabalho voluntário, repita-se, voluntário de um grupo de colaboradores que nunca nos faltou, oferecendo o seu esforço e saber à comunidade, em edições suportadas pelo contributo de pequenas empresas e comércio local, bem como de algumas autarquias e entidades.

Olhando para trás, recuando ao ano 2000, quando anunciávamos a chegada das obras da auto-estrada a S. Bartolomeu de Messines, a construção de uma passagem aérea em Tunes, o nascimento de uma Banda Filarmónica em Alcantarilha, o início das obras da Sociedade de Recreio de S. Marcos da Serra, e que fora lançada a 1ª pedra do pavilhão da EB 2,3 Garcia Domingues, a alguns quilómetros da praia de Armação de Pêra que estava sem bandeira azul, enquanto se fazia um alerta para a situação de degradação da Ermida da Srªa do Pilar, no Algoz… parece que quase foi ontem… parece que foi há muito, muito tempo.
Entretanto, muitos acontecimentos e processos se foram sucedendo… Assistimos ao encerramento das escolas primárias e à constituição dos mega-agrupamentos. Escolas, farmácias, estações dos CTT, bombeiros, transportes públicos foram ficando cada vez mais longe das populações. Ao mesmo tempo que cá chegava a Auto-Estrada do Sul e a Via do Infante…
Três presidentes de Câmara passaram, Isabel Soares, Rogério Pinto e Rosa Palma, (ainda em funções), enquanto as freguesias do concelho se reduziam a seis, contra a vontade das mesmas.

Assistimos a inaugurações e a muitas obras que não se concluíram e falamos de projetos que não passaram do anúncio, como o desassoreamento do Rio Arade e a construção de um novo estabelecimento prisional em Messines. Mas vimos surgir novas escolas, mercados municipais, centros de saúde, o palácio da Justiça, o quartel da GNR em Armação, o museu do Traje em Messines. Armação mudou a sua frente de mar, Silves ganhou o Polis e a cidade expandiu-se e requalifica-se agora em várias obras, com destaque para as do Centro Histórico. Fala-se agora em Silves 2020.
Vimos nascer o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico e a Barragem de Odelouca. A laranja foi a rainha, deixou de o ser e voltou em força, com marca própria, a par da nova realidade que são os Vinhos de Silves.

Três cidadãos do concelho: Vítor Neto, Francisco Vargas Mogo e Isabel Soares foram agraciados por presidentes da República e muitos outros se destacaram no campo das letras, música, teatro, arte, arquitetura e principalmente desporto. André Boto ganhou o título de Melhor Fotógrafo Europeu, Rui Briceno foi campeão mundial de Muay Thai, Rodolfo Pires ganhou a medalha de prata em vela, nos Jogos Olímpicos da Juventude, Bruno Alves foi por duas vezes campeão mundial de ornitologia, Francisco Labisa afirma-se como um grande talento. A natação de Silves ganhou pela primeira vez uma medalha, com Catarina Sequeira.

O Teatro Mascarenhas Gregório foi recuperado e ao fim de uns anos reaberto. O Grupo de Teatro Penedo Grande comemorou 30 anos de constante atividade e nós participamos nessa festa.
Assistimos ao encerramento de associações de longa idade, como o Clube de Recreio de Tunes, mas muitas outras se constituíram e continuam a trabalhar.
Estivemos na 1ª Feira Medieval de Silves, evento que continua a crescer, na 1ª Semana Gastronómica de Messines, na 1ª Passagem de Ano em Armação de Pêra, na 1ª Via Sacra de Pêra e lamentamos a falência da Fábrica do Inglês, o encerramento do Museu da Cortiça, e a degradação de tanto património.

Participamos em várias lutas: pela saúde, em vários locais do concelho; pelo encerramento e contra o encerramento de passagens de nível, em várias freguesias; com os trabalhadores da Alisuper e do Intermarché de Messines; pela construção e arranjo de estradas; pela construção da rotunda de Messines e de Pêra; pela abertura do Piaget de Silves; contra as alterações de trânsito em Messines; contra as linhas de alta tensão em Vale Fuzeiros; pela reposição dos comboios em S. Marcos da Serra.
Dissemos em 2006 que a Câmara de Silves estava tecnicamente falida e poucos meses mais tarde as Finanças vieram dar o pontapé de saída para a descoberta de uma série de graves irregularidades e assim começamos a falar (e até hoje) do “caso Viga d’Ouro”.
Ao longo do nosso percurso, assistimos ao nascimento e extinção do jornal “O Grés”, à transformação da Rádio Racal em Algarve FM e ao seu posterior encerramento, bem como do jornal “Voz de Silves”.

Resistimos, crescemos. Passamos do papel também para a internet com um site próprio e aderimos às redes sociais, com uma página no Facebook, seguida por milhares de leitores. Literalmente: estamos um pouco por todo o mundo.
O que somos hoje é a medida das nossas possibilidades. O que desejamos é continuar a trabalhar e ir ao encontro, cada vez mais, das necessidades e expetativas dos nossos leitores, colaboradores, anunciantes.

O mundo que nos rodeia tem-se alargado e expandido de uma forma que era impensável há uns anos. Começamos a trabalhar numa altura em que os colaboradores entregavam os seus textos em papel ou numa disquete. A maquete do jornal seguia, por autocarro, em disquete de grande formato, até ao local de impressão. Não havia internet. Nem Google para as pesquisas… Imprimíamos as fotos na loja do Amílcar Ventura e tínhamos dossiers para guardar os materiais de arquivo. A maior parte das pessoas não tinha telemóvel e esse foi um processo muito gradual até à massificação. Não sonhávamos com a existência das redes sociais e quanto seríamos ao mesmo tempo donos e escravos dessa grande teia.

Neste intricado mundo social que cresceu além da nossa compreensão, a questão da sobrevivência dos meios de comunicação social, em particular da imprensa, coloca-se como o maior desafio que os mesmos enfrentam.

No entanto, este perigoso desafio apresenta-se também como uma possibilidade – porque nunca foi tão grande a necessidade da informação de proximidade.

Que fale da nossa terra. Que fale de nós. De nós todos, do que fazemos e do que somos. Que conte a nossa história e que dê a conhecer as possíveis rotas do futuro. Que faça uma informação sem medo, que procure a isenção, a verdade e a correção.

Estas têm sido as coordenadas do nosso percurso e continuarão a sê-lo. Somos o Terra Ruiva – Jornal do Concelho de Silves, jornal propositadamente nascido no mês da revolução e da liberdade, e em abril de 2018 cumprimos o nosso 18º aniversário, e por uma feliz coincidência editamos a nossa edição nº 200.

A todos os que nos ajudaram a chegar até aqui, o nosso Muito Obrigado.

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