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Dr. Carlos Alberto Lucas da Lança Falcão – o presidente Falcão

Dr. Carlos Alberto Lucas da Lança Falcão – o presidente Falcão

Nasceu em Coimbra a 04/11/1919, filho de pai odemirense, José Maria Lança Falcão e de mãe coimbrã, Maria Guilhermina Lucas, aquele que viria a ocupar um dos mais profícuos mandatos à frente dos destinos da Câmara Municipal de Silves, durante o Estado Novo. Um quinquénio, entre 1955 e 1960, marcado pela concretização/conclusão de várias obras estruturantes na cidade e no concelho.

O presidente Lança Falcão

A sua relação com Silves foi, no entanto, casual. Tal como o pai, licenciou-se em Direito, curso que concluiu em 1942, vindo a tornar-se posteriormente conservador do registo predial. O progenitor, com a mesma profissão, percorrera várias conservatórias no Alentejo, ao que transitara para Silves e é juntamente com ele, bem como com o Dr. Mário Ramires e o Dr. Teodoro de Sousa, que o jovem Carlos Alberto vai mais tarde estagiar. Nas suas estadias na cidade viria a travar conhecimento com a Dr.ª Maria João Serpa, portimonense, professora de românicas na Escola Comercial e Industrial, com a qual veio a contrair matrimónio e a constituir descendência (4 filhos, 8 netos e 11 bisnetos). Colocado em Tavira, transita por concurso para Silves, para o lugar do pai, entretanto regressado ao Alentejo.

A edilidade vinha a ser presidida desde 1951 por um silvense, o Dr. Luís Gordinho Moreira, que em maio de 1955 foi nomeado para idêntico cargo em Faro.

É nesta sequência que a 14/07/1955 o Dr. Lança Falcão é empossado, no Governo Civil, para presidente da Câmara de Silves. Uma função em que não foi pioneiro na família, dado que o bisavô havia sido, durante a Monarquia Constitucional, presidente na Câmara de Odemira.

Um mês após tomar posse, a 7 de agosto, participa na inauguração da luz elétrica em S. Marcos da Serra, para 8 dias depois assistir ao lançamento da 1ª pedra da igreja de Armação de Pêra. Mas foi no ano seguinte, com a conclusão de uma obra há muito sonhada, a barragem do Arade e o perímetro de rega a ela associado, inaugurada pelo ministro da Presidência, Marcello Caetano, ou em julho de 1959, com a inauguração do novo edifício daquela que é hoje a Escola Secundária de Silves, pelo ministro das Obras Públicas, Arantes e Oliveira e Subsecretário de Estado da Educação, Baltazar Rebelo de Sousa, os momentos altos da sua presidência. Quer a barragem do Arade, quer a escola vieram a constituir infraestruturas fundamentais, até aos nossos dias, no desenvolvimento do concelho e do barlavento algarvio.

Lança Falcão na inauguração da que é hoje a Escola Secundária de Silves

Em julho de 1959 foram também inaugurados o novo edifício do Hospital, a creche e o bairro para pobres Dr. Francisco Vieira. Já em 1960 foram lançados os concursos para abastecimento de água a Pêra, Alcantarilha, Algoz e Tunes, bem como concluída a nova Escola Primária de S. B. de Messines.

Mas o seu nome ficou também associado à abertura da 1ª e 2ª fase do mercado municipal de Silves (junho de 1957), à inauguração do Casino de Armação de Pêra (julho de 1958), ao início de construção do cinema de Silves (novembro de 1957), ou mesmo às visitas presidenciais, de Craveiro Lopes, à barragem (maio de 1957) ou de Américo Tomás, a Silves (maio de 1959).

Mas se estas eram visitas e manifestações programadas, o presidente Falcão foi alvo de uma homenagem de agradecimento espontânea, promovida por várias centenas de silvenses a 02/05/1959, quando por diligências suas evitou que fossem plantados 40 ha de arroz nas imediações da cidade. Em resultado foi recebido em apoteose junto à ponte “romana”, atravessando as ruas a pé até à Câmara, quando regressava da viagem de comboio a Lisboa, aonde se deslocara para o efeito.

Durante o seu mandato foi fundado o Grupo de Amigos de Silves (julho de 1958), que desenvolveria uma ampla dinâmica cultural nos anos seguintes, bem como tiveram lugar as comemorações dos 770 anos da conquista de Silves aos mouros, ou ainda as comemorações Henriquinas. No campo da oposição ficou assinalado pelas eleições presidenciais de 1958, com a passagem do general Humberto Delgado por Silves e posterior vitória em S. Marcos da Serra.
O Dr. Lança Falcão ocupou o cargo da presidência da autarquia até 14/06/1960, data em que foi substituído pelo Dr. João Bernardino Meneres Sampaio Pimentel.

Permaneceria em Silves até meados daquela década, após o que se fixou em Lisboa, na sequência da sua promoção a inspetor do Instituto dos Registos e Notariado, passando a viajar nessa condição por todo o país. Ao Algarve e a Silves em particular regressava todos os anos, para usufruir da casa de férias que detinha em Armação de Pêra.
O Dr. Carlos Alberto Lucas Lança Falcão, cujo período em que presidiu aos destinos da edilidade silvense foi um dos mais marcantes do Estado Novo, pela concretização de obras estruturantes, faleceu em Lisboa a 19/10/2003.

 

Nota: Fotografias e conteúdos biográficos cedidos pelas filhas Maria Manuela Falcão da Silva e Maria Cecília Falcão Fonseca Dias, a quem reconhecidamente agradecemos.

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