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Museu Rural da Quinta dos Avós, no Algoz – Um património que se revela

Conhecida pelos seus famosos doces e mais recentemente por ser o local de origem da cerveja artesanal “Marafada”, a Quinta dos Avós, casa de chá no Algoz, tem também um Museu Rural, nascido da dedicação do seu proprietário.
Além dos vários tesouros que fazem parte do seu espólio, neste Museu apresentam-se também exposições. No dia da reportagem encontravam-se expostos vários trabalhos do pintor Passos Silva, um artista do Algoz. Agora, há uma exposição de presépios.

Percorre-se o caminho até à entrada do Museu, e entra-se num mundo de há décadas atrás. Salta à vista a coleção de carros de tração animal. O carro de capoeira (com a capota de pano), um dos mais vistos no Algarve e Alentejo; o carro que os almocreves usavam para o transporte de água; a aranha, um carro com grande agilidade; a charrete típica dos casamentos e festividades; uma das carrinhas usadas no transporte dos turistas para a Praia da Rocha, ou das pessoas entre a Estação de Silves e a cidade. Estes, entre outros, são testemunhas de um passado que se estende até aos recantos deste Museu, onde se encontram diferentes trajes, objetos variados e uma autêntica mercearia, com produtos há muito saídos de circulação… Nas paredes, pessoas de outro tempo recordam-nos, quiçá, os nossos antepassados…

Alguns dos carros da coleção do Museu

É um mundo, diríamos, este Museu Rural. Um mundo que fica vivo na presença do seu fundador, José Gonçalves que, desde que em 2001 se reformou de funcionário dos correios, dedica o seu tempo à Quinta e ao Museu. Faz uma visita guiada, conta a história de cada objeto, muitos dos quais foram restaurados por si e pelos seus filhos, Nuno e André… Hoje, aos 72 anos, diz que passa os dias ocupado e confessa um gosto muito especial pelo seu museu, “uma paixão” e pela cultura, que “sem ela nós não somos é nada”…
Essa “paixão” tem sido o motor deste Museu que é totalmente financiado pelos seus proprietários que não recebem qualquer apoio de entidades, nem o solicitaram, apesar do grande investimento que aqui têm feito, sobretudo na aquisição e restauro dos carros. Se os apoios vierem, por reconhecimento ao valor deste trabalho e do Museu, serão certamente bem-vindos, mas não será José Gonçalves que os irá pedir.

José Gonçalves, com o seu caderno de citações,trava-línguas e outros

“Quem se contenta com a sorte, é feliz até à morte”, é uma das suas citações, entre as muitas que vai dizendo ao longo da visita, bem como trava-línguas e poemas de António Aleixo.
Mas admite que gostaria que o poder local e regional olhasse mais para este Algarve, para este que se situa “da EN 125 para cá”. Para este Algarve que se relembra nos arados, nos cântaros de água que as mulheres carregavam, nos candeeiros a petróleo…
Para quem desejar conhecer este espaço, o Museu Rural da Quinta dos Avós fica junto ao Algoz, na A22, e está aberto das 14h às 19h, de inverno, ou até às 20h, de verão, encerrando às segundas e terças feiras. A entrada é gratuita.
O proprietário José Gonçalves acompanha os forasteiros e os visitantes terão a sorte de o ouvir contar histórias e de sentir a satisfação que coloca na exposição do seu trabalho. “Mais vale um bom nome do que muitas riquezas”, diz-nos. E partilha o seu segredo: “Nunca procuro o dinheiro, mas sim a felicidade”.

 

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