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Ao Bairro Vermelho-Enxerim, O meu pedido de desculpas

Acordei hoje como sentimento que devo um pedido de desculpa internacional.
Em primeiro lugar, devo um pedido de desculpa internacional por nunca não ter usado o meu dever de cidadania, e não ter organizado um grupo de voluntariado para limpar todos os anos que separam estas duas fotos, os pastos que teimem em nascer e crescer, num terreno baldio, deste bairro auto construtivo.

Em segundo lugar, devo um pedido de desculpas ao actual e Ex Presidente da República Portuguesa, ao actual e Ex Primeiro-Ministro da mesma república, aos Ministros e Ex – Ministros da Administração Interna e do Ambiente e aos Secretários e Ex – Secretários de Estado dos Ministros dos pelouros referidos acima.
E ainda, em modo de cumprir as hierarquias da regionalização nunca estabelecida para esta nossa república, sinto também que devo um enorme pedido de desculpa aos antigos Governadores Civis, aos atuais e Ex- Presidentes da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal do concelho onde o Bairro Vermelho do Enxerim se situa. Assim como sinto a obrigação tácita de dirigir o meu pedido de desculpas também aos actuais e Ex- Vereadores Permanentes e não Permanentes dos diversos pelouros deste concelho. Sinto ainda que não me posso esquecer de alargar este meu sincero pedido de desculpa ao Presidente e Ex Presidentes da Junta de Freguesia de Silves, sinceramente Exmos Senhores e Exmas Senhoras, peço desculpa por todos estes anos não vos ter massacrado com cartas a expor este assunto e com as fotos dos pastos que aqui crescem todos os anos, sujeitos a altas temperaturas.

Em terceiro lugar, devo o meu maior e mais sentido pedido de desculpa, aos moradores do Bairro Vermelho, falhei com todos aqueles que me olharam e me cuidaram na infância, que perderam minutos do seu tempo a ver se não eu caía do baloiço, e que me socorreram sempre nas minhas quedas no parque infantil, sim, porque neste lugar que vos falo, existiu há mais de trinta anos um parque infantil.
E é a todos estes seres humanos que eu devo o maior pedido de desculpa, porque os deixei vulneráveis ao fogo que teima em aparecer por ali todos os verões. Sinto-me culpada porque descuidei o bem essencial da amizade e da solidariedade e porque me calei à espera que alguém se queixasse e à espera que o tempo resolvesse esta causa, sinto-me culpada porque os coloquei em perigo.

Por último devo um enorme e ainda maior pedido de desculpa ao meu tio por, após a sua morte, nunca ter interiorizado a sua luta e por não ter continuado a enviar cartas e solicitar que este problema fosse resolvido. No fundo, tenho de assumir o egoísmo que teima em não aceitar os problemas dos outros como nossos. Mais uma vez falhei.
Espero não mais vir a pedir desculpa por esta causa, e espero também um dia ver cumprir um sonho: que os pastos sejam substituídos por centro comunitário ao serviço das necessidades dos habitam o lugar do Enxerim (Silves).

A todos os leitores o meu pedido de desculpa.

 

Texto e Fotos: Hélia Coelho

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