Home / Memórias / Memórias: Depois do tornado de 16 de novembro de 2012

Memórias: Depois do tornado de 16 de novembro de 2012

Memórias: Nesta secção recuperamos o texto publicado na edição nº 138,  sobre o tornado que atingiu a cidade de Silves no dia 16 de novembro de 2012, deixando atrás de si um rasto de destruição. E de como, no dia 18 de novembro, uma grande ação de voluntariado juntou centenas de pessoas para limparem a cidade.

«O dia 16 de novembro ficará decerto na história da cidade de Silves e de todo o concelho, pois o tornado que varreu esta cidade chegou bem longe, serra adentro até à freguesia de S. Marcos da Serra onde também causou muitos prejuízos.
Não eram ainda duas horas da tarde quando aquilo que os especialistas descrevem como um “fenómeno meteorológico extremo” veio do mar, da zona de Carvoeiro, até Silves, deixando atrás de si um rasto de destruição e em poucos minutos deixou a cidade num estado caótico e treze feridos, dois deles com gravidade, além de muitas pessoas afetadas psicologicamente e que tiveram de receber auxílio.


A circulação dos comboios teve de ser interrompida em S. Marcos da Serra e quase cinco mil pessoas ficaram largas horas sem eletricidade.
As imagens da destruição todos as vimos de imediato na televisão, as autocaravanas de rodas para o ar, as viaturas destruídas, árvores de grande porte arrancadas pela raiz, casas e estabelecimentos comerciais sem janelas, com vidros e estruturas partidas, sem telhados. Mais complicada é a situação dos estragos nos edifícios públicos, pela sua dimensão e pelo custo da sua reparação: o estádio e pavilhão do Silves Futebol Clube ficaram destruídos, as piscinas municipais sem telhado estão inoperacionais por tempo indeterminado, voou também o telhado do edifício da Câmara Municipal causando danos muito graves em todo o interior, sobretudo nos gabinetes de trabalho da autarquia e o infantário da Santa Casa da Misericórdia teve de ser encerrado.
Uma nota positiva vai para os serviços de proteção civil que acionaram de imediato todos os meios disponíveis sendo de realçar a ajuda vinda de vários organismos, que prestaram um grande auxílio aos bombeiros e autoridades do concelho que também acorreram para Silves.
Outra nota muito positiva foi ver a forma como toda a cidade ( e não só) se mobilizou em ajuda mútua, nomeadamente na ação de limpeza que a Câmara Municipal realizou no dia 18 e que contou com a participação de centenas de voluntários.
No dia seguinte ao tornado, Silves e de Lagoa receberam a visita do ministro da Administração Interna e do secretário de Estado da Administração Local que garantiram o apoio do governo, para a reconstrução destes concelhos. No caso de Silves, o presidente da câmara, Rogério Pinto, afirmou muito claramente que a autarquia não é capaz, pelos seus próprios meios, de reerguer as estruturas danificadas, não escondendo a sua emoção e tristeza ao ver destruído o fruto do trabalho de muitos anos.
Agora, depois de concluído o balanço definitivo dos prejuízos de particulares e entidades públicas, será altura de pensar na forma de voltar a construir. O que, na altura em que estas linhas são escritas, permanece ainda uma incerteza.
Para a memória, ficam as fotos da nossa colaboradora, Maria Lúcia Santos.»

Veja Também

Memórias: Messines e a Revolução Republicana em 1910

Memórias: Na secção Memórias recuperamos os textos de José Manuel Vargas publicados nas edições 114 …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *