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A China à boleia do poderoso Xi

O 19º Congresso do Partido Comunista da China (PCC) foi um evento muito importante no império do meio, mas foi provavelmente tão importante nos países ocidentais. Xi Jinping, o Presidente chinês, reforçou o seu poder como um dos líderes mais importantes desde Deng Xiaoping e até de Mao Tsetung.
Os seus ensinamentos foram elevados a doutrina oficial do PCC, o que significa que elevar a China no palco mundial (o que antes era chamado de peacefull rise) vai ser não uma sugestão, mas uma obrigação dentro do Governo chinês e dos seus objetivos. O Washington Post faz referência ao Presidente americano, Donald Trump, a mencionar Xi Jinping como “o líder mais poderoso do mundo”, o que é um facto de certa forma, ironicamente, ligado a Trump, pela retirada dos EUA em várias frentes, resultando num vácuo de poder, ocupado pela cada vez mais influente China.

Este acontecimento ficou bem sublinhado no Fórum de Davos, quando Xi se posicionou como defensor da globalização e abertura económica, enquanto o Partido Republicano e Trump se começavam a fechar em discursos protecionistas. Ligado a este “pensamento de Xi” irá estar sempre a estratégia do OBOR (One Belt, One Road), a nova Rota da Seda, uma estratégia de diplomacia de charme em vários países mundiais, com contrapartidas de grandes investimentos chineses em infraestruturas como portos, ferrovias e centrais de energia, como forma de aumentar a presença chinesa no mundo. Esta iniciativa do Presidente chinês, que significa muitas centenas de biliões de euros de investimento em países estrangeiros, mostra um tipo de liderança que não víamos deste o Plano Marshall do pós-guerra, implementado pelos EUA na reconstrução da Europa ocidental, sob a alçada do Presidente Truman e que permitiu o alavancar da liderança mundial dos EUA. De mãos dadas com a projeção económica chinesa vêm a projeção militar, também ambicionada por Xi, estabelecendo a primeira base militar chinesa no estrangeiro, em Djibouti, fruto do forte investimento em África, que começa mesmo a transformar estruturalmente os países, como é o caso do Djibouti. A capacidade militar exterior e a alternativa à NATO foi demonstrada com os últimos exercícios em conjunto com a Rússia no Mar Báltico. Apesar de considerar a Rússia um aliado, Xi Jinping movimenta-se de forma muito diferente de Vladimir Putin, não procurando o confronto direto, mas antes, compreender e procurar consensos entre as partes, algo muito próprio da cultura chinesa e que está ligada a este peacefull rise, ou ascensão pacífica.

A concentração de poder de Xi Jinping é algo de interesse para países como Portugal, cuja economia está recheada de empresas controladas pelo Estado chinês, como é o caso da CTG na EDP ou State Grid na REN.

Este “novo normal” da China terá de ser analisado em toda a sua vertente, não apenas externa, como interna, e a política doméstica da China ainda é dirigida com um pulso firme, onde a participação política livre é cada vez mais restringida, numa sociedade cada vez mais controlada pelos sistemas de vigilância estatais. Os casos de abusos de direitos humanos aumentaram sob a liderança de Xi Jinping, com poucas queixas dos restantes líderes mundiais, o que mostra a crescente influência daquela que será a economia dominante dentro de pouco tempo, apesar do sistema económico cada vez mais controlado em termos de diretivas e permissivas.

Nesta dualidade, o ocidente terá de saber dançar, tal como Portugal, que apesar de normalmente ter posições em concordância com os seus parceiros europeus, terá de ter uma postura mais ativa na relação bilateral com a China, principalmente na gestão do investimento proveniente da China, não esquecendo que os sectores energético, banca e dos seguros estão em grande parte em mãos chinesas.

A nosso favor temos uma história de 500 anos com os chineses e o seu respeito, que ainda nos veem como uma antiga potência marítima com uma grande influência nos países de língua portuguesa, um mercado muito apetecível.

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