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Vermelho, Vermelhusco, Vermelhão

Tudo é garantido
Após a rosa vermelhar

Fafá de Belém

De como Rosa Palma quebrou o enguiço da CDU, da influência de Isabel Soares que se esfumou, da crise no PS de Matos a Matos, da irrelevância dos ilustres desconhecidos [com os dados relativos às eleições para a Câmara Municipal de Silves], da improbabilidade da Assembleia Municipal e da vontade dos fregueses.

Há cerca de dois anos, um jovem adulto questionava-me sobre a possibilidade de alternativa política à CDU, manifestei a reduzida probabilidade de alguém perder, após um primeiro mandato autárquico. Contra-argumentaram-me que a CDU nunca tinha conseguido dois mandatos seguidos. Está quebrado o enguiço, a CDU repetiu a vitória, bastante folgada, abrangendo todo o concelho em termos geográficos, certamente merecida (acredito sempre nos eleitores), conjugada com a falta de comparência das oposições. Na manhã do próprio dia das eleições, diziam-me que a presidente Rosa Palma estava mais segura e madura no exercício do cargo. Estes resultados são uma vitória expressiva da equipa que tem comandado os destinos da autarquia silvense, notoriamente o melhor resultado de sempre da CDU (e de qualquer um dos outros partidos, em termos autárquicos), mesmo num contexto relativamente desfavorável desta força política a nível nacional.

A fantasia política do desenvolvimento económico (com Alisuper e Fábrica do Inglês) e social (com infraestruturas de lazer e escolares) esfumou-se com o desaire económico e com o caso de polícia Viga d’ Oiro, há quatro anos, e aprofundou-se nestas eleições. Para o PSD, existe o antes de Isabel Soares, quase sempre a terceira força política do concelho, o durante, governando com prepotência nas maiorias absolutas (sou testemunha de tal experiência), e o após, de novo na oposição. Nestas eleições, o pior resultado em Silves, com exceção do ano de 1976, acompanhando o desaire nacional, o seu empenho, como mandatária, e a presença do seu filho, José Pedro Soares, não foi suficiente para evitar uma pesada derrota e a experiência de vir a ser oposição num contexto de maioria absoluta de outra força política.

O PS continua arredado do poder, com este mandato serão 28 anos, curiosamente de Francisco Matos a Fátima Matos. Em contraciclo com o vitorioso PS, Fátima Matos tem o pior resultado de sempre, um descalabro eleitoral quase total (aguentaram a única freguesia socialista por 46 votos num universo de 1893 votantes). Não foi suficiente uma campanha repleta de meios financeiros, no próprio dia das eleições (ou na noite anterior) distribuíram postais, apelando ao voto, na minha perspetiva um ato ilegal que nenhuma influência teve, apenas mostrou total desespero nas hostes socialistas.

As personagens desconhecidas, pelo menos para mim, do BE e do CDS-PP.PPM, desempenharam um papel estatístico, bem longe de um verdadeiro sentir da população silvense. O BE perdeu quase metade dos votos em relação às eleições de 2013 e de 2009. Os votos do CDS-PP.PPM igualaram os nulos, mas acho que não foram ao engano. Qualquer um destes dois partidos ficou abaixo dos votos brancos.

Nos mandatos eleitos, a CDU ganhou a maioria dos assentos na Assembleia Municipal, mas com a inclusão dos presidentes de Junta, a CDU fica em minoria por um mandato, 13 membros da CDU contra 14 de todos os restantes partidos (PSD, PS e BE, que conseguiu segurar o seu lugar na AM, apesar de ter perdido mais de um terço dos votos de 2013). Quem irá apoiar a CDU na Assembleia Municipal para constituir a maioria dos votos? Alguém está verdadeiramente preocupado com o desempenho da Assembleia Municipal de Silves? No pequeno parlamento silvense, acho que vão ficar cadeira vazias na ala direita e deputados de pé na ala esquerda, bom trabalho e boa presidência ao Vítor Rodrigues, o meu explicador de francês, quando eu tinha 15 anos, no 9.º ano de escolaridade.

Os fregueses de São Marcos da Serra, de São Bartolomeu de Messines, de Silves e de Armação, elegeram o seu presidente com a maioria absoluta dos votos e dos mandatos. Algoz-Tunes com a maioria absoluta dos mandatos, sem a maioria dos votos. A única freguesia socialista aguentou-se por pouco, sem maiorias absolutas em votos ou mandatos. Quem irá governar Alcantarilha-Pêra? Surpresas, ou talvez não, a dimensão dos resultadas da CDU em São Bartolomeu de Messines e em Silves e do PSD em São Marcos da Serra, os votos na CDU em Alcantarilha-Pêra e em Armação de Pêra. No polo oposto, os míseros resultados do PS em São Marcos da Serra (antigo bastião).

Uma última palavra para a presidente eleita, mestre Rosa Palma, como lhe disse, não me interessam projetos, estou disponível para conhecer e vivenciar obras concretizadas, particularmente na minha cidade de Silves.

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