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Madrid e outras paragens

Iniciei uma crónica sobre a minha ida a Madrid, no passado mês de julho, a um congresso em educação matemática. Refletia sobre as diferenças entre as viagens de autocarro, de comboio ou de avião, como um rasgo entre duas localidades, e as viagens de metro, círculo fechado numa teia de aranha. A azáfama das partidas (e das chegadas), por exemplo num terminal rodoviário ou num aeroporto, diferenciam-se da apatia dos passageiros do metro da cidade. Esta reflexão sobre a natureza dos caminhos (que se fazem caminhando, como nos diz o poeta castelhano Antonio Machado) constituía a crónica já quase completa sobre a minha viagem de autocarro até Lisboa, de avião até Madrid, de táxi até ao Hostal e de metro na cidade. Tinha ainda planeado falar sobre os circuitos turísticos, das Puertas del Sol, da Plaza Mayor, das filas para visitar o Palacio de Oriente, o rodopio de rostos nas selfies (autorretratos em português) junto ao D. Quixote e ao inseparável Sancho Pança na Plaza de España, da vivacidade da Gran Via e, de novo, das filas que serpenteiam os jardins do Museo Nacional del Prado. A Plaza Mayor estava reduzida na sua amplitude por uns andaimes numa das fachadas e por um palco para as festividades estivais, para os turistas, com as máquinas fotográficas em prontidão, é um desastre a sucessiva manutenção dos monumentos históricos das cidades (são os andaimes e os panos nas fachadas). A crónica estava quase completa, apenas uma leitura e o fechar com aquela ideia, traduzida numa frase, para rematar a escritura, desta vez sobre as eleições autárquicas. Acontece que, hoje, descobri que nas limpezas informáticas (organização de ficheiros), o ficheiro madrid tinha desaparecido sem deixar qualquer rasto.
Não desesperei, apenas percebi que tinha a possibilidade de vos falar sobre outros temas relacionados com o estio silvense, como o festival da cerveja e a feira medieval. O Festival da Cerveja (Beer Fest para consumo internacional) realizou-se, após um significativo interregno, numa praça plana, com vista para a igreja e o castelo de Silves. Uma aposta ganha, com a presença essencial da cidade e da multiplicidade das suas gentes. No evento estiveram todos os protagonistas autárquicos que eu conheço (CDU, PSD e PS, pela ordem de interação comigo), num desmando de simpatia, próprio da época eleitoral.

Tenho um feeling (sentimento) que tudo ficará como está, nada mudará com revelador significado político. Naturalmente que, atendendo aos resultados que antevejo, existirá sempre uma noite das facas longas ou dos longos punhais (Nacht der langen Messer, em alemão). Não conjeturo assassinatos, mas significativas querelas políticas.

Só falta a Feira Medieval de Silves, como tenho alertado mais feira (neste ano com predomínio dos comes e bebes) do que festa, algo não está a funcionar na animação de rua, contrapartida cultural para a generalidade dos visitantes, a começar pelo passo de corrida do cortejo que antecipa os horários das animações programadas. Num dos dias, um casal de turistas chegou à escadaria da Sé, pelas dezanove horas, como consta no programa, para assistir à representação (muito igual de dia para dia) do acontecimento histórico, mas o evento já tinha terminado. Bem sei que o acontecimento não se chama Festa Medieval de Silves.

Fechado numa sala, imagino portas nas janelas e adivinho novas formas de voar (a tal frase, sobre o construir de novo).

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