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O caminho da cidade de Silves

A rentrée deste ano é especial. Depois das férias, do descanso à beira-mar e das noites de festa, o regresso ao trabalho é pautado por uma diferença: as eleições autárquicas. Acaba uma silly season e começa outra. Em breve começarão as conversas e as divagações pelas cidades e vilas de Portugal. Erguem-se cartazes com fotografias enormes com slogans apelativos (e diga-se de passagem, alguns bem hilariantes). Acredito que, a cada quatro anos, a expressão mais ouvida entre os habitantes deste Portugal em frenesim eleitoral autárquico seja “Olha, este meteu-se na política!”.

E no entanto, esta silly season não deveria ser muito silly. São assuntos sérios os que se devem discutir. Dever-se-ão discutir ideias e projetos para os territórios. Bem sei que a discussão nestas alturas muitas vezes roça numa parafernália de insultos e num desvario de ideias megalómanas, em prol dos votos. É o dever de cada um dos munícipes votar em sua plena consciência e tomar a decisão que achar mais correta.

O agradável desta época é que as pessoas estão dispostas a discutir políticas e modelos de desenvolvimento.
O caso particular do concelho de Silves é interessante; um concelho no meio do Algarve, rural e agrícola, com uma pequena faixa de alguns quilómetros de praia, fortemente urbanizada e turística. Silves pode gabar-se de ter uma particularidade única no Algarve: o seu território encompassa uma panóplia de características diferentes e divergentes. O “Sol e Praia” de Armação de Pêra destoam do ambiente histórico de Silves ou da ruralidade de S. Bartolomeu de Messines ou de São Marcos da Serra. A pluralidade do concelho de Silves poderá ser uma vantagem para reduzir a sazonalidade, numa região obstinada com a especialização num turismo baseado na praia.

Acredito que a cidade de Silves tenha especial apetência para ser uma roda importante nesta redução da sazonalidade: as ruas da cidade são caracteristicamente medievais e a presença do Castelo atribui-lhe uma atmosfera digna e antiga, a qual está perfeitamente adequada para o posicionamento da cidade enquanto urbe de cultura. Silves poderá olhar para a cidade de Óbidos como exemplo; uma pequena cidade medieval que se especializou na cultura e nas artes, virando-se para as novas tecnologias de criação, para a literatura e para a arqueologia. Com um tratamento delicado e bem posicionado, Silves tem o potencial de ser uma capital do turismo cultural no Algarve.

Esse é o caminho que penso que deve ser traçado para a cidade de Silves. Depois de quatro anos em que houve uma vigorosa e rigorosa consolidação das contas públicas no concelho, a oportunidade surge num momento em que o turismo cultural está em alta nas cidades do Porto e Lisboa. Silves, a cidade e o concelho, têm de aproveitar a onda; independentemente do resultado das eleições.

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Mathilde

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Um Comentário

  1. Muito bem, gostei deste artigo!
    Um artigo que espelha o que são as eleições autárquicas deste país e retrata na perfeição o actual concelho de Silves.

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