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Reinventar o quotidiano: Malh’Ó Mania ( em S. Marcos da Serra)

No mês de agosto, na edição especial de verão, fizemos um roteiro com sugestões de atividades que podem ser realizadas no nosso concelho. Na rubrica “Reinventar o Quotidiano”, publicamos mais esta sugestão de Etelvina Guerreiro.

 

Malh’Ó Mania (um tributo à iniciativa das Utentes do Pólo de Educação Ao Longo da Vida – S. Marcos da Serra) – Um testemunho de reformado: Em período de férias, como a maioria dos portugueses nesta época do ano, e (finalmente) reformado, numa manhã a prometer as temperaturas abrasadores do fim do mês de julho, resolvi encavalitar-me na minha velha Z3 e arriscar-me a conhecer aqueles povoados esquecidos na serra do interior algarvio.

Após hora e meia de viagem, passei por um restaurante à beira da estrada, onde parei para petiscar umas iguarias locais. De seguida, embrenhei-me na estrada que conduz a um meio habitacional, cujas estradas quase parecem ameaçadas pelas ervas daninhas e outras plantas rastejantes, como nos contos de fadas. Até a estação de caminho-de-ferro se encontra desativada!…

Deixei-me então guiar pelas vozes dos antepassados e fui dar a um adro de igreja. Ali junto situa-se a Junta de Freguesia, o que me parecia ser o único Posto capaz de me dar alguma informação sobre onde me encontrava – tentativa inútil porque nada existe impresso. Não me dei por vencido e, com todo o tempo do Mundo, procurando desfrutá-lo da melhor maneira possível sob uma bela sombra a proteger a mesa de esplanada vazia de gente, sentei-me e observei então aquelas árvores que me circundavam.

Por uns instantes apercebi-me que nunca antes tinha visto coisa igual, talvez por não ter contemplado devidamente em tempos idos o que me rodeava, mas o croché que alguém utilizara para vestir todas aquelas 12 árvores, destacando-as e como que as resguardando das intempéries do Tempo, de 4 espécies diferentes, suscitaram-me curiosidade em conhecê-las melhor, a sua razão de ser, o que poderiam transmitir se falassem, … e então pus-me a conversar com um velhote que ali se aquietara junto de mim, num banco de jardim, eu a procurar conhecer as “estórias” daquela gente e ele a mim. Fiquei com a sensação que o Tempo tinha acelerado o passo sem me dar conta, ao olhar para os ponteiros do relógio e tive que regressar para junto da minha gente, em jeito apressado.

Em resumo: aquelas árvores têm “malha para mangas” e muito mais para “vestir”. Pelo que soube entretanto, é a iniciativa que na Freguesia se tem mantido patente ao público, por mais tempo e sem fim à vista. Quero lá voltar em breve, com mais tempo.

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