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Armação de Pêra, um olhar pela sua história na década de 70 e 80

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de julho, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “Armação de Pêra, um olhar pela sua história na década de 70 e 80”.
A exposição é acompanhada de imagens e documentos.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral, com documentos e fotos,  está disponível aqui: Expo_DM_Julho_2017

Armação de Pera, um olhar pela sua história na década de 70 e 80

A urgência imobiliária que se fez sentir na segunda metade do século XX, principalmente a partir dos anos 70, resultante da construção do aeroporto de Faro e do início da exploração de pacotes turísticos por operadores estrangeiros, originou um crescimento urbano desmedido em Armação de Pera.
As antigas residências de veraneio da classe burguesa, chalés de grandes dimensões voltados sobre a marginal, depositários de interesse histórico e arquitetónico para a povoação, foram rodeadas de construções em altura ou acabaram demolidas, como foi o caso do chalé de Gregório Mascarenhas, também conhecido como “Castelinho” ou “Chalé dos Bicos”, ou o edifício do antigo casino, também sua propriedade, arrasados no ano de 1970.
Com o aumento da construção assistiu-se assim ao aumento do número de alojamentos e da diversidade das tipologias oferecidas. A oferta de novos fogos significou para muitas famílias a possibilidade de melhorar a qualidade do alojamento, abandonando as antigas casas, algumas sem condições, enquanto para outros representou a oportunidade de acesso a uma casa de fim de semana ou de férias, fenómeno que se expande a partir desta década. Urbanizações e aldeamentos turísticos irromperam por toda a povoação. Armação de Pera foi assolada pela construção civil, tornando-se a maior fonte de receitas diretas para os cofres da Câmara de Silves.

Armação de Pêra, década de 70/80

É neste contexto de forte pressão construtiva sobre Armação de Pera que na década de 70 e 80 surgem os grandes empreendimentos construídos pelas empresas Saradel, Sociedade de Construções, Lda., que em 1973 projeta a urbanização de um terreno na Panasqueira e é empreiteira da “Urbanização Torres Alto da Torre”; Amândio Dias & C.ª Lda, com a edificação da “Torre Iberius”; António Cortegaça Lda. com edificações na Panasqueira e Avenida General Humberto Delgado; Aníbal de Figueiredo Coutinho com construções na Rua Manuel de Arriaga, Avenida Marginal e Rua Bartolomeu Dias; Sconturismo – Empreendimentos Turísticos e Urbanos Lda. empreendimentos na Rua D. João II; Selduro – Sociedade de Construções Lda. com edificações nas Ruas de Ourique e Bartolomeu Dias; José da Ponte Bacalhau com obras na Torre; António da Costa Contreiras com construções na Avenida Beira Mar; Manuel Brito Nascimento com a “Urbanização F. Serrão”, na Torre, entre muitos outros.

Por forma a controlar a evolução urbana, em janeiro de 1974 a Câmara de Silves, sob a presidência de Carlos da Conceição Pinto, contratou o arquiteto José António Martins Cabido para a elaboração do “Plano Geral de Urbanização de Armação de Pera”, referente a uma área aproximada de duzentos hectares. Todavia, a Revolução de 25 de abril de 1974 terá inviabilizado a implementação do mesmo.
Quatro anos depois, a 9 de outubro de 1978, sob a presidência de Rui Hernâni de Castro e Silva de Morais, é celebrada a escritura com Carlos Manuel de Jesus Santos, arquiteto, para “Elaboração do Plano Geral de Urbanização de Armação de Pera”. Este Plano foi concluído e entregue ao município em julho de 1980 e previa criar uma estratégia de contenção e de planeamento da ocupação física do solo, orientado para o desenvolvimento harmónico da povoação. Contudo, apesar da existência de planos de urbanização assistiu-se a uma construção em massa e desordenada, que acabou por se fazer sem qualquer rega e com um suporte infraestrutural muito precário.
No entanto, no que respeita a infraestruturas e equipamentos públicos estas duas décadas também foram pródigas, beneficiando Armação de Pera de importantes melhoramentos.

Junta de Freguesia
Por esta altura, sentindo a Junta de Freguesia a necessidade de novas instalações, a Câmara entrou em conversações com o proprietário Aníbal de Figueiredo Coutinho e em dezembro de 1974 foi celebrada a escritura de compra de fração autónoma, com a área de 41m2, de um prédio urbano sito na Rua Dr. José António dos Santos, para instalação dos serviços da Junta, pela quantia de cem mil escudos.
Este espaço alojou a sede da Junta de Freguesia cerca de vinte e cinco anos, até à data da transferência para uma loja alugada, situada na Rua Bartolomeu Dias, contudo sem quaisquer condições. Neste sentido, a 5 de abril de 1999 é celebrado um protocolo de cedência entre o Centro Regional de Segurança Social do Algarve (C.R.S.S.A.), a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia para a instalação da sede da Junta num imóvel, sito na Rua Bartolomeu Dias, n.º63/A – 1º andar, do qual o C.R.S.S.A. é dono e legitimo proprietário. Esta cedência, que seria provisória, com um prazo máximo de dois anos, até que a Câmara construísse um novo edifício sede para Junta, acabou por se alargar até aos dias de hoje. Todavia, ao fim de dezassete anos, a 21 de abril de 2016, foi apresentado o anteprojeto da sede da Junta de Freguesia, em edifício próprio, localizado junto à antiga escola primária da vila.

Cantina Escolar
Devido ao aumento populacional, a pedido da Câmara de Silves, a Direção do Distrito Escolar de Faro, em 1973, propôs a construção de um edifício para o funcionamento de uma cantina escolar, o qual foi autorizado em agosto de 1974.
A Cantina Escolar, destinada a servir quatro salas de aula, dispunha de uma cozinha e de um salão para refeitório, foi implantada em terreno, adquirido pela Câmara a Maria Elisa Vaz Mascarenhas Pimenta, a 30 de dezembro de 1976, sito no lugar da Torre, pela quantia de 300.000$00, com a área de 1519 m2. A data da consignação foi a 26 de janeiro de 1977, tendo-se dado início aos trabalhos pouco depois. Os mesmos ficaram concluídos em 1980.

Lota
Pretendendo a Junta Central das Casas dos Pescadores construir um edifício destinado a lota na praia de Armação de Pera, a 22 de dezembro de 1975 o arquiteto Paixão Costa, tendo em conta o programa proposto pela Comissão de Pescadores, elaborou o anteprojeto para Lota e Sanitários-Balneários Públicos. Para o efeito teve em consideração o menor percurso no transporte do pescado dos barcos ao edifício, considerando a rede viária e os transportes coletivos, para o escoamento rápido do pescado, a comercialização (lota) e o apoio sanitário aos pescadores, com instalações sanitárias com duches, concebidas para satisfazer as populações piscatórias e ainda apoiar a lota, o terminal rodoviário e a população em geral.
O projeto foi enviado pelo Gabinete de Planeamento da Região do Algarve à Câmara Municipal, que a 3 de agosto de 1976, deliberou “aprová-lo”.
O custo da empreitada foi de 615.500$00 para o edifício da Lota e de 341.000$00 para os Sanitários-Balneários, o que perfazia o valor total de 956.500$00.

Na década de 70 foram construídos vários equipamentos junto à praia

Posto de Primeiros Socorros
Por forma a socorrer os turistas que passam as suas férias e algumas centenas de pescadores que trabalham na fauna marítima, a Junta de Armação de Pera sentiu necessidade de dotar de um Posto de Primeiros Socorros, apoiado por uma ambulância, mandando elaborar, em dezembro de 1981, o projeto para a sua instalação, junto à lota. A arquitetura é de linhas simples, seguindo a estética do edifício da lota e balneários públicos e as instalações são constituídas por uma dependência para estacionamento de uma ambulância, uma sala de tratamento, escritório e instalação sanitária.
A 26 de setembro de 1990 foi celebrado o contrato de adjudicação, entre a Junta de Freguesia e Joaquim Pedro Elias dos Santos, respeitante ao espaço destinado Quiosque/Bar – Balneários/Sanitários, no largo Infante D. Henrique.
O edifício da lota foi, em 2012, transformado em Posto de receção e transporte de pescado, por diligência da Associação dos Pescadores de Armação de Pera.

Correios
Em 1976, sentindo a Direção dos Serviços de Edifícios dos CTT necessidade de implantar a estação de correios em novo local, visto a existente, sito na Rua Dr. Henrique Gomes, já não satisfazer as necessidades, solicita informações à Câmara sobre espaços disponíveis para a relocalização. A autarquia viria a propor a venda de um terreiro para esse fim, sito entre as ruas 25 de Abril e Bartolomeu Dias. Assim, deliberava a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Silves “vender o referido terreno, com a área de 129.60 m2, pelo preço de 400$00 por m2”, o que perfaz a quantia de 51.840$00. A escritura realizou-se em junho de 1977 com a condição da parcela se destinar à construção de um edifício dos CTT, para instalação de todos os seus serviços, que nesta época englobava, além do serviço postal, a atividade telefónica e telegráfica.
Balneários, vestiários e sanitários
Em 1978, a parte mais concorrida da Praia de Armação de Pera foi dotada de um equipamento de apoio aos banhistas, um Bloco de Balneários, Vestiários e Sanitários, promovido pela Comissão Regional de Turismo do Algarve, através da Direção de Turismo. Foi implantado na rocha onde se ergue o Casino, em três corpos, ocupando 210m2 de área e dada a proximidade do mar, o conjunto foi construído sobre plataforma sobrelevada, de modo a evitar a entrada das águas, mesmo nas marés mais altas. O projeto é da autoria dos técnicos Mário Tavares Farinha, engenheiro civil, e de Mário Dias da Silva, arquiteto, com a data de abril de 1978.

Fortaleza classificada e outros melhoramentos
No mesmo ano a Fortaleza de Armação, enquanto imóvel de grande importância e símbolo de Armação de Pera, é classificada como imóvel de interesse público, pelo Decreto nº95/78, de 12 de setembro, publicado em Diário da República n.º210, I Série, constituindo o núcleo genético do aglomerado urbano e um dos miradouros mais concorridos e apreciados do litoral algarvio.
A 2 de dezembro de 1980, foi presente à reunião da Câmara Municipal, sob a presidência de José Francisco Viseu, o processo de construção de parque de estacionamento no Largo Infante D. Henrique, cujos trabalhos foram adjudicados a Aníbal de Figueiredo Coutinho, pelo valor de 2.870.498$40.
Na reunião seguinte, foi presente o ofício n.º726, da Capitania do Porto de Portimão, versando sobre a instalação de barracas para pescadores. A Câmara deliberou concordar e em reunião de 8 de novembro de 1983, deliberou adjudicar o fornecimento e montagem de dezasseis garagens pré-fabricadas, para uso dos pescadores. O custo total do fornecimento foi de 2.496.000$00.
Com o aumento das necessidades dos pescadores a 28 de junho de 2001 foi adjudicada pela Câmara Municipal a empreitada de construção de 57 pavilhões de apoio e de um ensombrador, passando os pescadores a ter um espaço e condições condignas para a realização da sua profissão.

Nos anos de 70 e 80 a pequena aldeia piscatória de Armação de Pera foi absorvida pelo crescimento urbano, primeiro estendendo-se ao longo da frente litoral e depois em torno do núcleo urbano existente, sendo visível a densificação da malha urbana pré-existente e a verticalização da primeira linha de costa assim como a sua traseira imediata, transformando-se, progressivamente, numa povoação cada vez mais intrincada e num centro de animação turística.

 

(continua)

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