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Diabelha do Algarve – Planta que só existe em Algoz e Tunes em perigo crítico

É uma pequena planta, que em nada se destaca. A chamada “Diabelha do Algarve” só cresce no Barrocal Algarvio, mais propriamente em Algoz e Tunes.
Pouco conhecida da generalidade das pessoas, encontra-se em “perigo crítico” de extinção, por ter uma área de distribuição reduzida.
No dia 3 de junho, foi organizado um passeio, pelo Grupo Amigos da Ermida da Srª. do Pilar, do Algoz, para dar a conhecer esta planta tão nossa e sensibilizar para a sua preservação.

O grupo à descoberta da Diabelha (Foto Amigos da Ermida)

O Plano Nacional da Conservação da Flora em Perigo apresenta oito espécies classificadas como “Em perigo crítico” de extinção. Sete dessas espécies só existem em Portugal. Duas delas encontram-se só no Algarve: o Álcar do Algarve (Tuberaria major), que tem as maiores concentrações na Ria Formosa e a “Diabelha do Algarve” (Plantago algarbiensis) que só se encontra nalguns aglomerados em Algoz e Tunes.
Em 2002, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) iniciou um projeto para a conservação destas plantas ameaçadas, que foi concluído em 2006. As ações desenvolvidas incidiram nos vários locais onde crescem as referidas plantas. Entre outras medidas foram “aplicadas técnicas de reprodução em viveiros” destas espécies, “com vista ao aumento do efetivo populacional” e foram informadas as “entidades com competências no ordenamento e gestão do território” sobre “toda a informação obtida” sobre as espécies, as áreas de distribuição, efetivos populacionais e medidas adequadas à conservação das espécies”, afirma o ICNF.

A Diabelha do Algarve fotografada no Algoz (Foto Amigos da Ermida)

No passeio do Grupo Amigos da Ermida, os participantes foram conduzidos por Luís Brás, membro da Associação Almargem e técnico do ICNF. O passeio incidiu sobre alguns dos aglomerados populacionais existentes na zona do Algoz, nomeadamente na zona dos moinhos e do depósito de água.
Como contam “Beatriz Silva que fez parte da caminhada, assim como Julieta Alves, representando o Clube de Leitura do Algoz”, em texto publicado na Facebook da organização, esta “planta está ameaçada nesta zona pela expansão urbana pois que, por ali, já se encontram algumas vivendas bem como o depósito da água. Daí que esta plantinha (ela é pequenina) esteja em vias de extinção. Mesmo assim ela persiste em renascer na berma da passagem pedonal. ( …) É a Diabelha do Algarve, planta vivaz, rara, discreta e, como tal, não damos o devido valor ou a desconhecemos. Pertence à família da «Braciosa» ou Bratiosa, isto é, quando se toca sente-se uns piquinhos”.

Segundo a descrição científica, a Diabelha do Algarve é uma planta vivaz, arrosetada, as folhas são lineares e agudas e floresce de maio a agosto. Ocorre em solos argilosos, por vezes sujeitos a encharcamentos temporários.
A população conhecida abrange cerca de 10 mil indivíduos. Na altura do projeto acima referido, a espécie era considerada rara, sendo conhecido apenas um núcleo existente em Tunes, que ocupava uma área inferior a 50m2. Atualmente são conhecidos três núcleos, abrangendo uma área total de 50 ha, mas pende sobre a sua sobrevivência várias ameaças sendo que a mais comum é a expansão urbanística, industrial e extração de argila, uma vez que a grande maioria dos aglomerados da Diabelha do Algarve não goza de qualquer estatuto de proteção. Não menos importante é a ameaça de qualquer fenómeno climatérico ou natural, que poderá afetar seriamente a planta, por ser tão rara.

Daí que esta iniciativa dos Amigos da Ermida seja tão importante no sentido de dar a conhecer esta nossa riqueza e sensibilizar quer a população quer as entidades públicas e privadas para a necessidade da sua proteção e preservação.

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