Home / Sociedade / Cultura / Silves, Casa dos Poetas ou o potencial destino literário ao Sul

Silves, Casa dos Poetas ou o potencial destino literário ao Sul

De 27 de Abril a 03 de Maio, o concelho de Silves albergou o encontro poesia anglo – luso, “Silves – Casa de Poetas“, ou melhor dizendo, para aqueles a quem a memória não lhes falha, foi retomado o encontro de poesia, já dinamizado na cidade nos finais dos anos 90, o qual teve 7 anos de edições, a que se seguiram 17 anos de interregno.
O encontro trouxe a Silves 11 poetas estrangeiros, que escolheram a cidade para trabalhar a sua expressão escrita e que, de uma forma muito despercebida, contribuíram com a sua escrita e o seu conhecimento, traduzindo inúmeros poemas e tornando viva a poesia em modo trilingue (Português – Inglês – Francês) em diversos espaços da cidade (cafés, escolas, hotel, bibliotecas e casa-museu).

Os poetas participantes, na Casa-Museu João de Deus

Ao longo de uma semana em espaços pouco prováveis ouviu-se poesia e diversos cantos dos Lusíadas traduzidos magistralmente por Landeg White e até o popular poema “o beijo“ de João de Deus ganhou um contemporâneo folego britânico através da sua tradução.
O grande mentor deste encontro foi o poeta inglês Peter Pegnall que, apaixonado por Silves e pela sua poesia, apelida a cidade da mágica visão de “casa de poetas“. A este poeta de reconhecido mérito, juntou-se a escrita de Manuel Neto dos Santos e ombro a ombro articularam toda a logística e programação das actividades.
Atrevo-me a dizer que este encontro será a génese e um protocolo poético celebrado entre a terra natal do romântico John Keats e a terra natal do lírico João de Deus. E claro que estou aqui a puxar a brasa à minha sardinha. Vivamos pelo sonho que “a vivamos pelo sonho que “ a vida é folha que cai”…
Poder-me-ão dizer que estes poetas são utópicos… e eu atrever-me-ei a dizer que são visionários através do tempo de um potencial futuro cultural para esta cidade e para este concelho, o turismo literário.
Vertente do turismo cultural promovido a norte, mas a sul um potencial ainda para descobrir e trabalhar, um género de turismo bastante catalisador e muito aplicado em terra de nuestros hermanos, falo de casos concretos de Alcalá de Henares terra natal de Cervantes, e de Valladodid na Andaluzia.
Talvez uma utopia pura da minha parte, ou talvez não, acredito de forma veemente que o futuro cultural de silves, passará por um caminho percorrido no sentido de respeitar o legado da sua história, e à parte da história factual, abrir-se-ão novos rumos e o percurso far-se-á em direcção ao seu importantíssimo legado literário.

Acredito que Silves (concelho) apresenta dimensão e condições para ganhar destaque tanto nacional como internacional como grande destino literário ao sul.

Silves, Casa dos Poetas como Peter Pegnall a denomina, foi capital islâmica da poesia de onde destacam textos do poeta árabes Al-Mutamid de Ibn Quási, de Ibn-Amar, Silves é referenciada em inúmeras obras de poesia deste o período árabe, dinâmica poética que nos chega até à poesia contemporânea do poeta inglês Peter Pegnall.
Silves é terra natal do maior poeta lírico detentor da alma poética do povo, João de Deus, único poeta algarvio alvo de uma homenagem em vida, comparativa às homenagens de Vítor Hugo e Zorrilla. A par disso, Silves é também berço de outras escritas e de outras vozes destacando-se Otília Costa (S. Bartolomeu de Messines) na poesia popular, António Pereira (Armação de Pêra), as sonetistas como Maria da Antonieta Júdice Barbosa e Elvira Serras Pereira, e ainda os poetas contemporâneos Manuel Madeira, Torquato da Luz e Manuel Neto dos Santos.
Silves tem desde sempre revelado na sua matriz cultural diversos factores que a potencializam e afirmam como destino literário ao sul, tornando-se cada vez mais urgente alicerçar trabalho em nome do seu reconhecimento neste campo das letras e da escrita.

Nota: Participaram no Encontro “ Silves Casa dos Poetas – 2017” os seguintes escritores: Naomi Foyle (Canadá); Tess Adams, Bernardette Cremin, Rosie Jonhston (Irlanda); Gerad Noyau (Ilhas Maurícias); Dawn Hopkins (EUA); Quetin Cowdry, Peter Pegnall, Joana Lowery (Inglaterra); Hideko Suelka (Japão); Jack Mapange (Malawi), Landeg White (País de Gales) e Manuel Neto dos Santos (Portugal)

Texto e foto: Hélia Coelho

PartilharShare on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Email this to someonePin on Pinterest0

Veja Também

Santos Populares festejados em Alcantarilha

Marchas populares, com o grupo da Sociedade Recreativa Alcantarilhense, baile, animação e sardinha assada são …

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *