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Caras

Nem sempre temos o tempo que contamos para nos dedicarmos ao que, efectivamente, gostamos e este mês, o tempo que dedico para partilhar convosco um dado assunto, foi bastante acanhado. Mas, entre alguns afazeres, consegui arranjá-lo o que, em si mesmo, não foi mau pois este fim de mês foi fértil em assuntos.
De todas as notícias/assuntos que surgiram, um trouxe-me alguma inquietação. Na verdade, a nossa dependência do turismo e, sobretudo, do britânico, deixam-me com alguma preocupação. Falo, como será óbvio, do Brexit accionado no decurso desta última semana de Março.

Na verdade, a novidade deste assunto é assustadora. Pela primeira vez, em 60 anos de União Europeia (comemorados no passado dia 25 de Março) há um país que faz o percurso inverso: sai!
Os motivos são por todos conhecidos e, penso eu, potencialmente perigosos: populismos fáceis e proteccionismos atávicos. Não penso que este seja o caminho de futuro, entendo que tudo passará por mais cooperação, unidade, formação de consensos e muito diálogo, o que implica uma séria abertura aos outros e aos seus problemas. O Reino Unido optou por outro caminho. Curiosamente, os motivos que fundaram a sua saída, segundo os próprios, não são aconselháveis para a Escócia (que ameaça cindir o Reino).
Por motivos pragmáticos não me irei deter sobre tal, mas apenas deixar um alerta: estará o governo de Portugal, e os municípios algarvios, a deixar claro que este assunto é estruturante para o nosso país e, muito concretamente, para o Algarve. Ainda não dei conta de nenhuma tomada de posição sobre este assunto. Creio que afirmar que temos “cautelas” não chega e teremos de fazer ouvir mais seriamente a nossa voz nos meios próprios, para que não nos arrependamos no futuro.

Tendo ainda por horizonte a economia da nossa região, ontem, no passado dia 30 de Março, abriu portas o Ikea, com a criação de algumas centenas de postos de trabalho. É uma medida, imediatamente boa, mas não posso deixar de pensar em todas as lojas de móveis e de decoração, pequenas e médias, que em todas as localidades existem e que serão bastante afectadas com esta nova mega loja. As nossas cidades e vilas, lentamente vão perdendo a sua vida comercial, que se transfere para espaços próprios, ficando para trás, apenas meia dúzia de espaços comerciais destinados a souvenir turísticos ou, mais disfarçadamente, lojas gourmet. Seria interessante que este assuntos, a vida das / nas cidades, entrasse na ordem do dia de todos os governantes e de todos os cidadãos.

E isto leva-me ao último tema: as eleições autárquicas. No próximo dia 01 de Outubro seremos chamados a nos pronunciar sobre quem pensamos ser o melhor para gerir as nossas autarquias. Não olhemos para este acto como um fardo a suportar, mas como o momento sério e, verdadeiramente, decisivo.

A nossa demissão, naquele momento, e em todos os outros em que podíamos ter alertado, chamado a atenção, contribuído de uma forma positiva para o desenvolvimento da nossa cidade e Concelho (e concomitantemente, para o nosso próprio desenvolvimento) apenas nos deixará com cara de Ronaldo, contemplando o aeroporto que leva o seu nome.

Votos de uma gloriosa primavera!

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